Fundada em 1713 por dois portugueses, Entre Rios de Minas já mudou de nome pelo menos 4 vezes

Uma cidade mineira trocou de nome tantas vezes que quase perdeu o fio da própria origem colonial

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
11/08/2026

Casarão histórico branco e amarelo com janelas azuis em rua de pedra de Entre Rios de Minas, MG
Casarão histórico branco e amarelo com janelas azuis em rua de pedra de Entre Rios de Minas, MG

Casarão histórico branco e amarelo com janelas azuis em rua de pedra de Entre Rios de Minas, MG - Foto: Igor Souza

Uma carta de sesmaria assinada em dezembro de 1713 concedeu a dois portugueses o direito de ocupar um trecho de terra na Região das Vertentes de Minas Gerais. Esse documento marca o início da história de Entre Rios de Minas, cidade que, antes do nome atual, passou por pelo menos quatro denominações diferentes ao longo de mais de dois séculos. Hoje reconhecida nacionalmente como o berço do cavalo Campolina, o município reúne igrejas coloniais, fazendas históricas e cachoeiras a poucos quilômetros do centro.

Quem fundou Entre Rios de Minas e como tudo começou?

A história do município remonta a 1713, quando os portugueses Pedro Domingues e Bartolomeu Machado chegaram à região. Em 20 de dezembro daquele ano, os dois receberam uma carta de sesmaria concedida por Dom Brás Baltazar da Silveira, documento que lhes garantia o direito sobre as terras conhecidas como O Bromado, situadas no caminho novo que ligava a vila de São João del Rei às Minas Gerais.

Bartolomeu Machado construiu sua casa no local onde hoje está a Fazenda do Engenho. Anos depois, ele ergueu uma capela em homenagem a Nossa Senhora das Brotas, e foi ao redor desse templo que o pequeno povoado começou a se organizar, dando os primeiros passos rumo ao que se tornaria, séculos depois, o município atual.

Quantas vezes a cidade mudou de nome ao longo da história?

O povoado formado ao redor da capela de Nossa Senhora das Brotas recebeu, inicialmente, o nome de Bromado, em referência direta à sesmaria original. Ao longo dos séculos seguintes, a denominação foi alterada diversas vezes, acompanhando mudanças administrativas que também redefiniram os limites da região.

Cada uma dessas mudanças corresponde a um momento específico da trajetória do município, desde sua condição de simples povoado até a emancipação definitiva em 1953. A sequência completa de nomes que a cidade já recebeu inclui:

  • Bromado, denominação original ligada à sesmaria de 1713;

  • Rio Acima, nome adotado em um período seguinte;

  • Brumado do Campo, outra variação registrada na documentação histórica;

  • Brumado do Suaçuí, nome mantido quando o distrito foi vinculado a Conselheiro Lafaiete, em 1832, e depois elevado a município independente, em 1875;

  • Entre Rios de Minas, nome definitivo adotado em 1953, em referência à localização entre os rios Brumado e Camapuã.

A cidade é reconhecida nacionalmente como o berço do Cavalo Campolina

Entre Rios de Minas está localizada na região das Vertentes, entre os rios Brumado e Camapuã, a cerca de 115 quilômetros de Belo Horizonte. Apesar da história longa e da proximidade com cidades históricas como Tiradentes e São João del Rei, o município ficou nacionalmente conhecido por outro motivo: ser considerado o berço do cavalo Campolina, raça equina que carrega o nome da região até hoje.

Segundo o Censo de 2022 do IBGE, a cidade tinha 14.746 habitantes, número que a estimativa de 2025 projeta para cerca de 15.157 pessoas. O crescimento moderado reflete o perfil de um município ligado à pecuária e às tradições rurais de sua formação.

Quais construções religiosas e históricas resistem até hoje?

O patrimônio religioso do município tem na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Brotas seu principal símbolo, erguida no mesmo espírito da capela original que deu origem ao povoado. A padroeira é celebrada todos os anos em 15 de agosto, data que reúne moradores em uma das festas mais tradicionais do calendário local.

Além da igreja matriz, outras construções ajudam a contar a história da região, muitas delas ligadas ao período colonial e aos primeiros bandeirantes que passaram pela área. Entre os pontos mais citados estão:

  • a Capela de Nossa Senhora da Lapa de Olhos d'Água;

  • a Fazenda Olhos d'Água, com uma capela da primeira fase da arte colonial mineira;

  • as ruínas de uma antiga Casa de Pedra, atribuída à bandeira de Fernão Dias;

  • a Fazenda do Engenho, erguida no local da casa original de Bartolomeu Machado.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O que mais fazer na região além do centro histórico?

Entre Rios de Minas também atrai visitantes interessados em natureza, graças às cachoeiras espalhadas pelo território do município. A cidade integra ainda o Caminho Velho da Estrada Real, rota histórica que conecta pontos de Minas Gerais ligados ao ciclo do ouro e à colonização portuguesa.

Para quem busca um roteiro que combine história e natureza, algumas opções costumam aparecer com frequência:

  • a Cachoeira dos Coqueiros, a cerca de 12 km do centro;

  • a Cachoeira do Gordo, a aproximadamente 18 km;

  • o trecho do Caminho Velho da Estrada Real que passa pelo município;

  • a proximidade com Tiradentes e São João del Rei.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

Posts que você pode gostar

Todos os Direitos Reservados © 2024

Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com