Fundada em 1703, Catas Altas ganhou esse nome por causa das "catas" de ouro escavadas no alto das montanhas

O nome de uma cidade mineira nasceu de uma expressão usada por garimpeiros quando o ouro só aparecia nos pontos mais altos da serra

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
25/08/2026

No fim do século XVII, garimpeiros que buscavam ouro nos leitos dos rios da região perceberam que o metal ia rareando nas partes baixas e se concentrando no alto dos morros. Assim nasceu o nome de Catas Altas, arraial fundado em 1703 aos pés da Serra do Caraça, num dos períodos mais intensos da mineração em Minas Gerais. Mais de três séculos depois, a cidade ainda guarda o traçado colonial que testemunhou aquele período.

O nome da cidade vem das escavações de ouro feitas no alto das serras.

Na época, a palavra "catas" era usada para designar o garimpo, as escavações feitas em busca de ouro. Conforme o metal ia se tornando raro nos rios e córregos, os garimpeiros passavam a cavar cada vez mais alto, nas encostas dos morros.

Foi dessa movimentação que surgiu a expressão que deu nome ao lugar: "as catas estão altas". A descoberta de minas ricas na falda da Serra do Caraça, ainda no fim do século XVII, foi o que atraiu os primeiros exploradores para a região.

Quando a cidade foi fundada?

A formação do povoado começou por volta de 1694, com a descoberta de minas auríferas na região. Atribui-se a fundação do arraial, em 1703, ao bandeirante Domingos Borges, embora historiadores apontem que pouco se sabe ao certo sobre os primeiros exploradores do local.

Os anos seguintes registraram os primeiros marcos religiosos e administrativos do povoado, que cresceu rapidamente por causa da riqueza aurífera. Alguns desses marcos ajudam a situar a origem da cidade no tempo:

  • 1694: descoberta das primeiras minas de ouro;

  • 1703: fundação do arraial, atribuída a Domingos Borges;

  • 1712: primeiro registro de batismo na capela local.

Como era a vida no arraial durante o ciclo do ouro?

Durante o período de exploração do ouro, Catas Altas chegou a ser um dos arraiais mais ricos e populosos de Minas Gerais. As casas simples construídas ao redor da praça principal já indicavam, na época, certo status entre seus moradores.

Em 1729 teve início a construção da atual Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, substituindo a antiga capela. O templo reúne obras atribuídas a nomes como Aleijadinho, Mestre Ataíde e Francisco Vieira Servas.

O que resta do centro histórico da época do ouro?

Parte considerável do desenho urbano do período colonial permanece de pé até hoje. O conjunto foi reconhecido oficialmente como patrimônio histórico pelo Decreto municipal nº 126, de 1999.

O tombamento abrange praças e ruas que formam o núcleo original da cidade, preservando a relação entre a arquitetura antiga e o relevo que cerca o povoado:

  • Praça Monsenhor Mendes;

  • Praça São Miguel;

  • Praça Santa Quitéria;

  • Rua Monsenhor Barros.

Casario histórico de Catas Altas, MG, com jardins e a Serra do Caraça ao fundo
Casario histórico de Catas Altas, MG, com jardins e a Serra do Caraça ao fundo

Casario histórico de Catas Altas, MG, com jardins e a Serra do Caraça ao fundo - Foto: Igor Souza

Igreja Matriz de Catas Altas, MG, em frente à praça histórica com jardins da cidade
Igreja Matriz de Catas Altas, MG, em frente à praça histórica com jardins da cidade

Igreja Matriz de Catas Altas, MG, em frente à praça histórica com jardins da cidade - Foto: Igor Souza

O que Catas Altas oferece a quem visita hoje?

A cidade integra o Circuito do Ouro, ao longo da Estrada Real, e fica a cerca de 120 quilômetros de Belo Horizonte, aos pés da Serra do Caraça. A paisagem e o acervo colonial já chamaram atenção até de produções de televisão.

Entre os atrativos mais recentes está a produção local de vinho de jabuticaba, iniciada em 1949 por um fazendeiro da região e que hoje faz parte da identidade da cidade. Alguns pontos resumem o que Catas Altas reúne atualmente:

  • Vinho de jabuticaba, produzido desde 1949;

  • Cenário de minissérie da TV Globo;

  • Parte do Circuito do Ouro, na Estrada Real;

  • Proximidade com a Serra do Caraça;

  • Distância de cerca de 120 km de Belo Horizonte.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Catas Altas se tornou município independente apenas em 1995.

Por muito tempo, Catas Altas esteve ligada ao município de Santa Bárbara, sem autonomia administrativa própria. A emancipação política só veio em dezembro de 1995, por meio da lei estadual nº 12.030.

Hoje, a economia local combina o turismo ligado à história colonial com a mineração de ferro, atividade que segue relevante para o município. Alguns pontos resumem essa trajetória mais recente:

  • Emancipação política em dezembro de 1995;

  • Antigo vínculo administrativo com Santa Bárbara;

  • Economia atual dividida entre turismo e mineração.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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