Fundada em 1674, Sabará nasceu da expedição de Fernão Dias em busca do ouro e é mais antiga que Belo Horizonte

Mais antiga que a capital mineira, esta cidade nasceu com os bandeirantes e guarda igrejas barrocas, um museu do ouro e muita história a apenas 25 km de BH

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
25/09/2026

Mais de dois séculos antes da inauguração de Belo Horizonte, em 1897, o ouro já movimentava as ladeiras de Sabará. A cidade fica a cerca de 25 quilômetros da capital e guarda em igrejas, museus e casarões a memória do início da mineração em Minas Gerais. Caminhar pelo centro histórico é entender, na prática, como o estado começou a ganhar forma.

Como a bandeira de Fernão Dias deu origem a Sabará?

Segundo a Prefeitura de Sabará, foi em 1674 que a bandeira de Fernão Dias Paes chegou à região. Ali começava o que se tornaria o arraial mais importante daquele período. Ainda de acordo com a prefeitura, o nome pode ter origem tupi-guarani ou fazer referência à curva do Rio Sabará no encontro com o Rio das Velhas.

O povoado cresceu depressa porque reunia vantagens que atraíam gente de várias partes da colônia:

  • Ouro nos leitos dos rios da região;

  • Ligação direta com a Estrada Real;

  • Comércio intenso no antigo Arraial da Barra do Sabará.

Sabará está entre as primeiras vilas de Minas Gerais

Em 1711, o arraial foi elevado à condição de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará. No mesmo ano, Vila Rica (hoje Ouro Preto) e Vila do Ribeirão do Carmo (atual Mariana) receberam o mesmo título. As três formaram o trio das primeiras vilas mineiras.

Três anos depois, em 1714, Sabará passou a sediar a Comarca do Rio das Velhas. Segundo a prefeitura, a jurisdição dessa comarca chegava a áreas que hoje pertencem a Goiás, Pernambuco e Bahia, o que mostra o peso político da vila no período colonial.

Chafariz histórico azul e branco em Sabará, diante de muro de pedra e casario antigo, MG
Chafariz histórico azul e branco em Sabará, diante de muro de pedra e casario antigo, MG

Chafariz histórico azul e branco em Sabará, diante de muro de pedra e casario antigo, MG - Foto: Igor Souza

O que torna as igrejas de Sabará tão especiais?

O barroco mineiro aparece em Sabará com detalhes que surpreendem até quem já visitou outras cidades históricas. Na Igreja de Nossa Senhora do Ó, por exemplo, a pintura interna traz traços de influência chinesa, algo pouco comum nos templos da época.

Para montar um roteiro pelas igrejas, três paradas não podem faltar:

  • Igreja de Nossa Senhora do Ó, pequena por fora e surpreendente por dentro;

  • Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída entre 1714 e 1720;

  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com obras de Aleijadinho no púlpito, no coro e na fachada em pedra-sabão.

Onde conhecer de perto a história do ouro?

O Museu do Ouro funciona na antiga Casa de Intendência e Fundição. O prédio fazia parte do sistema montado pela Coroa portuguesa para controlar e taxar a produção. Hoje, o espaço ajuda o visitante a entender como a riqueza das minas era administrada.

A visita mostra o caminho que o metal percorria antes de seguir para Portugal:

  • Fundição do ouro em barras;

  • Cobrança do imposto devido à Coroa.

Igreja Matriz de Sabará com fachada branca e vermelha, duas torres, sinos e porta azul, MG
Igreja Matriz de Sabará com fachada branca e vermelha, duas torres, sinos e porta azul, MG

Igreja Matriz de Sabará com fachada branca e vermelha, duas torres, sinos e porta azul, MG - Foto: Igor Souza

Por que a Igreja do Rosário ficou inacabada?

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi planejada e erguida por pessoas escravizadas como seu próprio espaço de fé. Uma pequena capela surgiu em 1713, e a construção principal começou em 1768.

A obra foi interrompida com a abolição da escravatura e nunca chegou a ser concluída. As paredes de pedra que ficaram de pé são hoje um dos pontos mais marcantes da cidade, justamente por mostrarem uma parte da história que costuma ficar fora dos livros.

Que outros endereços merecem uma parada no centro histórico?

Fora das igrejas, o centro histórico tem outros dois endereços que ajudam a contar a trajetória da cidade:

  • Teatro Municipal, considerado o segundo mais antigo do Brasil ainda em funcionamento e reaberto no fim de 2019, depois de uma longa reforma;

  • Chafariz do Kaquende, em funcionamento desde 1757 e ligado à lenda de que quem bebe sua água sempre volta.

Como as distâncias são curtas, dá para ligar esses pontos às igrejas e ao Museu do Ouro caminhando pelas ruas de pedra. Reserve um dia inteiro para fazer o percurso sem pressa e entrar em cada prédio com calma.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

A jabuticaba também faz parte da identidade da cidade

Além da história, Sabará tem uma ligação forte com a jabuticaba. A fruta dá nome a um dos eventos mais conhecidos do município, o Festival da Jabuticaba, que acontece em novembro e movimenta a cidade com produtos feitos a partir dela.

Para quem vai sair de Belo Horizonte e passar o dia na cidade, algumas informações ajudam a organizar a viagem:

  • A distância da capital é de cerca de 25 quilômetros;

  • O Festival da Jabuticaba é realizado em novembro;

  • Em maio, o distrito de Pompéu recebe o Festival Gastronômico do Ora-pro-nóbis;

  • O centro histórico pode ser percorrido a pé.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará, com fachada de pedra inacabada e arquitetura histórica
Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará, com fachada de pedra inacabada e arquitetura histórica

Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará, com fachada de pedra inacabada e arquitetura histórica, MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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