Fugindo dos preços altos? Prados é a cidade colonial que tem artesanato e comida barata

Enquanto a vizinha famosa cobra caro de cada turista, esse vilarejo colonial mantém ateliês, restaurantes e pousadas com valores que cabem no bolso

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
27/07/2026

Passaporte da Estrada Real diante da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Prados
Passaporte da Estrada Real diante da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Prados

Passaporte da Estrada Real diante da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Prados - Foto: Igor Souza

Bem ao lado de uma das cidades históricas mais caras e badaladas de Minas Gerais, existe um vilarejo colonial que oferece basicamente a mesma combinação de igrejas barrocas, ruas de pedra e artesanato de qualidade, mas por uma fração do preço. Prados, na região do Campo das Vertentes, mantém ateliês, restaurantes e pousadas com valores convidativos, sendo a escolha certa para quem quer conhecer o interior mineiro sem gastar muito.

Por que o artesanato é tão acessível nessa cidade?

A explicação está na escala da produção local. Cerca de 700 famílias vivem do artesanato na cidade, o que gera uma oferta enorme de peças e ajuda a manter os preços baixos, já que o visitante compra diretamente de quem produz, sem intermediários encarecendo o produto final.

Essa tradição tem raízes antigas e ganhou força ao longo das décadas, com nomes de referência nacional. Entre os tipos de peças que se encontram pelos ateliês da cidade, vale destacar:

  • Esculturas e móveis rústicos em madeira;

  • Peças decorativas em cerâmica;

  • Artefatos trabalhados em couro.

Como começou essa tradição artesanal?

O artesanato em madeira se consolidou como marca registrada da cidade a partir do trabalho da família Julião, que transformou a atividade em referência reconhecida até fora do país. Um dos nomes mais emblemáticos criou, há cerca de três décadas, um espaço a poucos quilômetros do centro que reúne diversos artesãos dedicados à arte de esculpir em madeira.

A vocação para o trabalho manual, porém, é ainda mais antiga e tem origem econômica. Com o esgotamento das jazidas de ouro na região, o antigo arraial buscou uma nova alternativa de sustento na instalação de pequenas indústrias de artefatos de couro, atividade que transformou a localidade em importante centro de produção artesanal e exportação ao longo do tempo.

A comida local realmente cabe no bolso?

Sim, e essa é uma das grandes vantagens da cidade para quem viaja com orçamento apertado. Os restaurantes locais servem a tradicional culinária mineira em porções generosas e a preços bem mais convidativos do que os praticados em destinos turísticos vizinhos, com cardápios que vão de pratos simples a refeições mais completas.

Quem visita a cidade encontra desde cozinhas familiares até estabelecimentos com cardápio variado, sempre com o sabor típico do interior. Entre os pratos e produtos que valem a experiência na região, destacam-se:

  • Feijão tropeiro, prato símbolo da cozinha mineira;

  • Frango com quiabo acompanhado de angu;

  • Leitoa à pururuca, tradicional em festas;

  • Pão de queijo feito na hora;

  • Doces caseiros e compotas vendidos em feiras.

Que outros atrativos a cidade oferece de graça ou quase?

Boa parte da experiência na cidade é gratuita, a começar pelo próprio centro histórico, que pode ser percorrido a pé sem nenhum custo. As ruas de paralelepípedo, os casarões coloniais e as fachadas que mostram a transição do barroco para o rococó formam um cenário que vale o passeio só pela caminhada.

Entre os pontos de destaque está o casarão onde viveu Hipólita Jacinta Teixeira de Mello, considerada a mulher mais atuante da Inconfidência Mineira, hoje transformado em ateliê de artesanato em frente à igreja matriz. A cidade também preserva forte tradição musical, com uma corporação musical fundada em 1858 que mantém banda, coral e orquestra sacra até os dias atuais, frequentemente movimentando a vida cultural local sem cobrar ingresso.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Vale a pena escolher essa cidade para economizar?

Sim, especialmente para quem quer viver a experiência das cidades históricas mineiras sem pagar os preços inflacionados dos destinos mais famosos. As diárias em pousadas locais costumam ser bem mais acessíveis que as da vizinhança turística, e a estrutura simples, embora ainda modesta, atende bem quem busca tranquilidade e contato genuíno com a cultura local.

A cidade integra o circuito da Trilha dos Inconfidentes e fica próxima de destinos como Tiradentes e São João del-Rei, o que permite combinar economia com um roteiro mais amplo pela região. Para quem foge dos preços altos mas não quer abrir mão de história, arte e boa comida mineira, esse vilarejo colonial entrega exatamente esse equilíbrio, provando que dá para viajar pelo interior de Minas gastando pouco.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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