Existe um mirante em BH onde o nome "Belo Horizonte" finalmente faz sentido
Uma serra tombada por lei guarda mirantes que mostram, na prática, o que só existia no nome da capital mineira. Veja quantos estão abertos e como visitar
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
01/08/2026
Existe uma serra em Belo Horizonte que virou sinônimo do próprio nome da cidade, muito antes de qualquer mirante existir para comprová-lo. A Serra do Curral acompanha o horizonte da capital mineira em quase qualquer ponto onde alguém esteja, mas é do alto de seus próprios mirantes que essa relação fica mais evidente. Dali, a paisagem que deu origem ao nome de Belo Horizonte aparece de um jeito difícil de contestar.
Por que a Serra do Curral resume o nome da capital mineira?
A formação rochosa é considerada o marco geográfico mais representativo da Região Metropolitana de Belo Horizonte, presente na paisagem desde antes da fundação da cidade planejada. Esse papel não é apenas simbólico: a serra recebeu reconhecimento oficial por dois caminhos diferentes:
Tombamento pela Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte;
Tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Na prática, isso significa que a paisagem que aparece nas fotos do mirante não é só bonita, é também protegida por lei como parte da identidade da cidade.
Como funciona o Parque da Serra do Curral?
O parque foi criado em 1999 e inaugurado em 8 de setembro de 2012, com a função principal de proteger a Serra do Curral. A área total ocupa cerca de 400 mil metros quadrados na porção da serra mais próxima da região das Mangabeiras.
Além da preservação ambiental, o espaço foi pensado para contemplação, contato com a natureza e prática de atividade física. É por meio de seus mirantes que o parque entrega a vista privilegiada da região metropolitana que atrai a maior parte dos visitantes.
Nem todos os dez mirantes estão abertos ao público
O parque reserva algumas informações que mudam bastante o planejamento de quem pretende visitar:
Dez mirantes estão distribuídos ao longo da crista da serra;
A extensão total entre eles soma cerca de quatro mil metros;
Uma espécie de flora ameaçada de extinção foi descoberta no local em 2016;
Atualmente, só o trajeto até o mirante 3 está liberado para caminhada.
A restrição existe por causa de estudos científicos sobre essa flora e de ações de readequação e manejo da trilha. Antes de planejar a visita, vale confirmar a situação atualizada dos mirantes, já que o acesso pode mudar conforme o andamento desses estudos.


Vista do Mirante da Serra do Curral com vegetação e Belo Horizonte ao fundo, MG - Foto: Igor Souza


Vista das montanhas e da vegetação no Mirante da Serra do Curral, em Belo Horizonte, MG - Foto: Igor Souza
O que dá para ver do alto dos mirantes?
Mesmo com acesso limitado ao terceiro ponto, a vista já permite identificar boa parte dos principais marcos da cidade e de seu entorno natural. A posição elevada favorece um ângulo que poucos outros pontos de Belo Horizonte oferecem.
Entre os elementos que aparecem com mais frequência para quem observa do alto, estão:
A Lagoa da Pampulha, ao longe;
O Estádio Mineirão;
O Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG;
A Serra da Piedade, no horizonte mais distante;
O Parque Estadual da Serra do Rola-Moça.
Quais são os horários e como chegar?
Antes de sair de casa, vale anotar as informações práticas da visita:
Endereço: Avenida José do Patrocínio Pontes, 1951, Mangabeiras;
Funcionamento de terça a domingo, das 8h às 17h, com entrada até as 16h;
Visitas guiadas mediante agendamento pelo telefone (31) 3246-0600.
O acesso ao parque é gratuito, e o telefone (31) 3277-8120 atende dúvidas gerais sobre funcionamento. Como o trajeto até os mirantes envolve caminhada, vale calçado adequado e atenção ao horário de entrada, que se encerra uma hora antes do fechamento.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
A serra carrega um valor histórico reconhecido oficialmente
Antes de qualquer estrutura de visitação, a Serra do Curral já existia como referência para quem se orientava pela região onde a capital mineira viria a ser construída. O tombamento posterior apenas formalizou algo que a paisagem já demonstrava havia gerações.
Hoje, essa combinação de história e geografia é o que sustenta o apelo do mirante: não se trata apenas de uma vista bonita, mas de um recorte protegido de uma paisagem que moldou a identidade da cidade antes mesmo de ela ter esse nome.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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