O destino romântico de lareiras e gastronomia europeia que rivaliza com as pautas mais caras

A 1.554 metros na Mantiqueira, um letão fundou em 1938 um vilarejo com geadas no inverno, chocolate artesanal e fondue, ele é o destino romântico de lareiras e gastronomia europeia

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
07/07/2026

Em 1938, Verner Grinberg comprou as primeiras terras nos Campos do Jaguari, no alto da Serra da Mantiqueira, e começou a construir uma vila que lembrasse a Letônia onde nasceu. O nome veio da tradução do próprio sobrenome: em letão, "grin" significa verde e "berg" significa monte. Depois de Grinberg, chegaram alemães, suíços, húngaros e italianos, e Monte Verde ganhou o sotaque alpino que carrega até hoje — chalés de madeira, lareiras, fondue, chocolates artesanais e temperaturas que chegam a -4,5°C no inverno.

Por que Monte Verde ficou conhecida como a Suíça Mineira?

O distrito de Camanducaia fica a 1.554 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, no extremo sul de Minas Gerais, na divisa com São Paulo. A altitude e a vegetação densa de araucárias e pinus criam um microclima que pode ser até 4°C mais frio que localidades vizinhas. A estação meteorológica do INMET instalada no distrito desde 2004 registrou mínima de -4,5°C em 30 de julho de 2021. Geadas são comuns entre junho e agosto.

Esse perfil levou Monte Verde a colecionar prêmios internacionais de hospitalidade: foi eleita 9º destino mais acolhedor do mundo em 2020 (única representante das Américas no top 10), 6º do mundo e 1º do Brasil em 2022, e 2º destino nacional em 2026, todos pelo Traveller Review Awards do Booking.com.

Centrinho de Monte Verde, com floreiras coloridas, arquitetura charmosa e clima de montanha
Centrinho de Monte Verde, com floreiras coloridas, arquitetura charmosa e clima de montanha

Centrinho de Monte Verde, com floreiras coloridas, arquitetura charmosa e clima de montanha - Foto: Igor Souza

O que fazer e ver em Monte Verde?

A Avenida Monte Verde concentra cafeterias, restaurantes com lareira, chocolatarias e lojas de queijos e vinhos. O centrinho é percorrido a pé em poucos minutos, mas os atrativos naturais exigem carro. Os passeios mais procurados são:

  • Trilha da Pedra Redonda: cerca de 926 metros até mirante a 1.990 m de altitude, na divisa entre Minas e São Paulo; vista de 360 graus no pôr do sol; nível fácil a intermediário;

  • Pico do Selado: ponto mais alto da região com 2.082 metros; trilha de 4 km com panorama de vales e montanhas;

  • Trilha do Pinheiro Velho: 600 metros até uma araucária centenária de aproximadamente 500 anos e 1,70 m de diâmetro;

  • Parque Ecológico Verner Grinberg: área que concentra as principais trilhas do distrito, em homenagem ao fundador da vila.

O distrito também tem pista de patinação no gelo aberta o ano todo (Ice Mountain), o único espaço do tipo na região.

Rua central de Monte Verde, com lavandas, floreiras coloridas, bancos e clima de montanha
Rua central de Monte Verde, com lavandas, floreiras coloridas, bancos e clima de montanha

Rua central de Monte Verde, com lavandas, floreiras coloridas, bancos e clima de montanha - Foto: Igor Souza

A gastronomia de Monte Verde vale a viagem sozinha?

Sim. A culinária do distrito é uma das mais específicas de Minas Gerais, moldada pela herança dos imigrantes europeus e pelo clima frio que pede pratos encorpados. Os destaques são:

  • Fondue: presente em dezenas de restaurantes, com versões de queijo, carne e chocolate; clássico absoluto das noites frias da vila;

  • Truta: criada em tanques de água gelada da serra desde os anos 1950; alguns restaurantes permitem visitar o criatório antes de pedir o prato;

  • Apfelstrudel: torta de maçã de massa folhada com horários de saída do forno anunciados na porta da Casa do Strudel;

  • Chocolate artesanal: a Gressoney, fundada em 1978, é a fábrica mais antiga do distrito.

Outro destaque visual é a Bauernmalerei, técnica de pintura camponesa alemã trazida pela artista plástica Maria Carmem Osterne. Fachadas, bancos e pontes exibem flores coloridas pintadas à mão. Em 2009, o município de Camanducaia registrou o estilo como patrimônio cultural imaterial, e a Semana do Bauer, em outubro, reúne oficinas e aulas abertas ao público.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Como chegar e quando ir a Monte Verde?

O acesso mais comum é pela Rodovia Fernão Dias (BR-381). De São Paulo são cerca de 166 km e 2h30 de carro. De Belo Horizonte, aproximadamente 484 km. Após Camanducaia, restam 30 km de estrada de serra sinuosa e totalmente asfaltada.

Pontos práticos para o planejamento:

  • Inverno (junho a agosto): alta temporada; geadas frequentes, fondue obrigatório, Festival de Inverno com gastronomia e música;

  • Primavera (setembro a novembro): flores silvestres nas montanhas; temperaturas amenas para trilhas; menos movimento;

  • Outono (março a maio): paisagem dourada, clima tranquilo, melhor relação custo-benefício de hospedagem;

  • Hospedagem: reservar com antecedência para o inverno; julho é o período mais concorrido do ano.

Monte Verde não rivaliza com destinos europeus pela escala ou pelo histórico. Rivaliza pelo frio que não perdoa, pelo fondue que chega fumegando e pela araucária que não existe em mais lugar nenhum assim.

Prato da Casa do Strudel em Monte Verde, com strudel salgado, salada verde e tomates
Prato da Casa do Strudel em Monte Verde, com strudel salgado, salada verde e tomates

Prato da Casa do Strudel em Monte Verde, com strudel salgado, salada verde e tomates - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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