Escondida nos Campos das Vertentes, São João del-Rei surpreende quem gosta de história

Maior cidade setecentista de Minas guarda igrejas de Aleijadinho, sinos que "falam" e cachoeiras por perto. Veja por que ela encanta quem ama história

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
03/08/2026

Numa cidade onde o toque dos sinos ainda avisa quem morreu e qual missa vai começar, a história não fica só nos museus. São João del-Rei, na região do Campo das Vertentes, é a maior cidade setecentista de Minas Gerais e guarda um dos conjuntos de igrejas barrocas mais ricos do país. Quem gosta de passado bem contado costuma sair de lá impressionado.

Como surgiu São João del-Rei?

As origens remontam ao início do século 18. Por volta de 1704 nasceu o Arraial Novo do Rio das Mortes, pensado como ponto de passagem entre Paraty, no litoral, e o centro de Minas Gerais.

A descoberta de ouro por perto mudou o rumo do lugar, que ganhou status de vila em 1713 e passou a se chamar São João del-Rei, em homenagem ao rei dom João V, de Portugal. Os marcos principais foram:

  • Fundação do arraial por volta de 1704;

  • Elevação a vila em 1713;

  • Nome em homenagem ao rei dom João V.

As igrejas barrocas colocam a cidade no mapa da arte colonial

O grande patrimônio de São João del-Rei está nas igrejas. A cidade reúne um dos conjuntos barrocos mais expressivos do Brasil, herança direta do dinheiro e da fé do período da mineração.

O destaque é a Igreja de São Francisco de Assis, ligada ao trabalho de Aleijadinho e apontada como uma das sete maravilhas de origem portuguesa no mundo. Entre as visitas indispensáveis estão:

  • Igreja de São Francisco de Assis;

  • Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar;

  • Os demais templos barrocos do centro histórico.

Rua de casarões coloniais com igreja histórica ao fundo em São João del-Rei, MG
Rua de casarões coloniais com igreja histórica ao fundo em São João del-Rei, MG

Rua de casarões coloniais com igreja histórica ao fundo em São João del-Rei, MG - Foto: Igor Souza

Por que a chamam de terra onde os sinos falam?

O apelido tem base numa tradição viva. Em São João del-Rei, o toque dos sinos funciona como um código: pela batida, os moradores sabem qual celebração vai acontecer e qual padre vai conduzir a solenidade.

Nos toques fúnebres, a linguagem vai ainda mais longe, indicando detalhes sobre quem faleceu. É um costume antigo, mantido até hoje, que dá à cidade um som próprio, difícil de encontrar em outro lugar.

O que fazer além das igrejas?

A cidade não vive só de arte sacra. O centro histórico concentra casario colonial, ruas de pedra e museus que ajudam a entender a formação de Minas, ótimos para caminhadas sem pressa.

Boa parte dos visitantes também aproveita o famoso passeio de Maria Fumaça até Tiradentes, e as festas religiosas movimentam o calendário. Entre os programas mais procurados estão:

  • Passeio de Maria Fumaça até Tiradentes;

  • Caminhada pelo casario colonial;

  • Visita aos museus do centro;

  • Festas de Quaresma e Semana Santa;

  • O tradicional Carnaval da cidade.

Fachada da Igreja de São Francisco de Assis entre palmeiras no centro histórico de São João del-Rei
Fachada da Igreja de São Francisco de Assis entre palmeiras no centro histórico de São João del-Rei

Fachada da Igreja de São Francisco de Assis entre palmeiras no centro histórico de São João del-Rei - Foto: Igor Souza

E para quem quer natureza perto do centro?

Quem cansa das pedras do centro encontra alívio a poucos quilômetros. A região tem cachoeiras conhecidas, boas para banho em dias quentes e para caminhadas leves entre uma visita e outra.

Outro ponto forte é a Serra do Lenheiro, formação de quartzito onde é possível ver pinturas rupestres, sinal de ocupação bem antiga. Entre as opções ao ar livre aparecem:

  • Cachoeira do Urubu

  • Cachoeira da Pedreira

  • Cachoeira dos Três Poços

  • Serra do Lenheiro e suas pinturas rupestres

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

São João del-Rei é base ideal para o Campo das Vertentes

A localização joga a favor. Da cidade dá para explorar toda a região do Campo das Vertentes, com destinos vizinhos como Tiradentes e Prados a distâncias curtas, ligados por estradas tranquilas.

Essa combinação de história bem preservada, tradição viva e natureza por perto explica por que São João del-Rei surpreende tanto. É um centro histórico que funciona como porta de entrada para o interior mineiro.

Praça arborizada com árvore florida e casarões coloniais no centro histórico de São João del-Rei
Praça arborizada com árvore florida e casarões coloniais no centro histórico de São João del-Rei

Praça arborizada com árvore florida e casarões coloniais no centro histórico de São João del-Rei - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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