Escondida na rota do ouro: a vila mineira que parou no tempo e que os turistas ainda não descobriram

A 38 quilômetros de uma das cidades mais visitadas de Minas Gerais, um vilarejo de pouco mais de trezentas pessoas segue praticamente fora do radar do turismo

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
16/07/2026

Igreja de fachada branca e azul em Engenheiro Correia, distrito de Ouro Preto, cercada por vegetação
Igreja de fachada branca e azul em Engenheiro Correia, distrito de Ouro Preto, cercada por vegetação

Igreja de fachada branca e azul em Engenheiro Correia, distrito de Ouro Preto, cercada por vegetação - Foto: Igor Souza

A poucos quilômetros de uma das cidades históricas mais procuradas do Brasil, existe um vilarejo tão pequeno que dá para contar suas ruas nos dedos, mas que guarda uma camada inteira de história ferroviária e rural que poucos visitantes chegam a conhecer. Trata-se de Engenheiro Correia, distrito de Ouro Preto que reúne pouco mais de trezentos moradores e segue um ritmo de vida quase intocado pelo movimento turístico da região.

Como surgiu esse povoado tão pequeno?

A origem do lugar remonta a um antigo núcleo chamado Santo Antônio do Monte, formado ao redor de uma pequena capela dedicada ao santo, hoje ainda existente no ponto mais alto do distrito. Diversas fazendas se estabeleceram nos arredores, banhadas pelo Ribeirão Sardinha, combinando atividade de mineração com o plantio de alimentos que abasteciam as proximidades de Vila Rica, antigo nome de Ouro Preto.

Ainda hoje é possível observar vestígios desse período nos muros de pedra seca que delimitavam os limites entre as antigas propriedades rurais. Esses traços de um passado agrícola e minerador convivem lado a lado com construções mais recentes, criando uma paisagem que mistura diferentes momentos da ocupação da região.

Por que o distrito tem esse nome tão específico?

A configuração atual do povoado se desenvolveu em torno de uma estação ferroviária inaugurada em 1896, batizada inicialmente de Estação Sardinha, em referência ao ribeirão que corta a região. O nome mudou depois de uma tragédia: Manuel Francisco Corrêa Júnior, engenheiro responsável pela supervisão da estação, morreu em um desastre nas proximidades, e a localidade passou a homenagear sua memória.

A chegada da ferrovia atraiu moradores e impulsionou o crescimento da região de forma tão rápida que, em poucas décadas, o povoado já reunia infraestrutura suficiente para se tornar independente administrativamente. Foi assim que, em 1953, o lugar foi oficialmente elevado à categoria de distrito de Ouro Preto.

O que restou desse período ferroviário até hoje?

A estação que deu origem ao distrito segue sendo um dos principais símbolos do lugar, mesmo depois da desativação do transporte ferroviário, provocada pelo avanço das rodovias pavimentadas ao longo do século XX. Atualmente, o prédio histórico passa por um processo de restauração, com planos de funcionar como espaço para eventos culturais voltados à valorização da cultura popular local.

A arquitetura simples da região se concentra quase inteiramente ao longo da via principal, mas reúne elementos que contam diferentes momentos da história do distrito. Vale destacar alguns desses marcos arquitetônicos:

  • Capela de São José, construção do final do século XIX;

  • Igreja de Nossa Senhora da Conceição, erguida por volta de 1940;

  • Ruínas de antigas construções rurais em pedra, espalhadas pelos arredores.

Vale a pena conhecer esse distrito pessoalmente?

Sim, especialmente para quem busca um contraste com o movimento mais intenso do centro histórico de Ouro Preto. A estrutura do distrito é simples, mas suficiente para receber visitantes, com opções de hospedagem e alimentação concentradas na rua principal, mesmo sem contar com posto de combustível dentro da própria localidade.

Para quem decide incluir esse vilarejo em um roteiro pela região, alguns pontos práticos ajudam a organizar a visita:

  • A distância até a sede de Ouro Preto gira em torno de 38 quilômetros;

  • A cidade de Itabirito fica bem mais próxima, a cerca de 16 quilômetros;

  • O acesso principal acontece pela rodovia estadual MG-030;

  • A altitude média da região passa dos 980 metros.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O que mais movimenta a vida da comunidade ao longo do ano?

As festas religiosas seguem como um dos principais pontos de encontro entre moradores e visitantes esporádicos. As celebrações em homenagem a Nossa Senhora da Conceição acontecem junto com as comemorações ao Sagrado Coração de Jesus, no mês de agosto, reunindo novenas, missas e barraquinhas tradicionais de festa de interior.

Outras datas também movimentam o calendário local, mantendo viva uma tradição comunitária que resiste mesmo com a redução da população ao longo das décadas. Hoje, boa parte dos moradores vive fora do distrito ou se dedica à agricultura de subsistência, enquanto o número de pequenos sítios e casas de temporada segue crescendo, atraindo quem busca um pedaço tranquilo da rota do ouro, ainda longe das filas e do movimento intenso que caracteriza os destinos históricos mais conhecidos de Minas Gerais

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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