Escondida na região metropolitana: a pacata cidade das bandas e das serras verdes que os turistas ignoram

A menos de 70 km de BH, uma cidade da região metropolitana guarda uma igreja atribuída ao Aleijadinho, uma cavalhada centenária e uma serra com 1.298 metros de altitude

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
02/07/2026

Quando a maioria das pessoas pensa em região metropolitana de Belo Horizonte, pensa em trânsito, concreto e cidades-dormitório. Mateus Leme, a 61 quilômetros da capital, quebra essa lógica com facilidade: tem serra, trilha, cavalhada centenária, igreja colonial tombada e o primeiro radar meteorológico de Minas Gerais instalado em seu território. Tudo isso sem fila, sem multidão e sem o barulho dos destinos óbvios.

Por que Mateus Leme tem esse nome?

A cidade leva o nome do bandeirante paulista Mateus Leme, que iniciou o povoamento local no começo do século XVIII ao se instalar próximo a uma serra que acabou recebendo seu nome. A descoberta de ouro no morro foi o que fixou os primeiros exploradores na região, formando o núcleo que deu origem ao município.

A freguesia foi criada em 1832 com o nome Santo Antônio do Morro de Mateus Leme. A emancipação veio em 17 de dezembro de 1938, quando foi desmembrada de Pará de Minas. Hoje, com cerca de 37.841 habitantes conforme o IBGE, a cidade mantém ritmo pacato a menos de uma hora de BH.

A Igreja de Santo Antônio realmente foi feita pelo Aleijadinho?

A Igreja Matriz de Santo Antônio é atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Construída inteiramente em pedra, com paredes de 1 metro de espessura, a data de 1766 está gravada na fachada. A edificação foi concluída em 1790 e tombada em nível estadual pelo IEPHA em 1977 e pelo município em 2005.

A ornamentação interna concentra altares e entalhes em estilo rococó. A construção passou por restauração entre 1976 e 1986, e o telhado foi restaurado novamente em 2023 com recursos da prefeitura e da Diocese de Divinópolis.

Estação ferroviária histórica de Mateus Leme, em Minas Gerais, com trilhos e fachada preservada
Estação ferroviária histórica de Mateus Leme, em Minas Gerais, com trilhos e fachada preservada

Estação ferroviária histórica de Mateus Leme, em Minas Gerais, com trilhos e fachada preservada - Foto: Igor Souza

O que fazer ao ar livre em Mateus Leme?

A Serra do Elefante é o principal atrativo natural. Localizada a cerca de 5 km da sede, tem altitude máxima de 1.298 metros e um contorno que lembra a silhueta de um elefante deitado. O acesso ao topo pode ser feito de carro por estrada de terra, onde há também a Capela de Nossa Senhora Aparecida.

A serra oferece atividades para diferentes perfis:

  • Trilhas com duração média de 1h a 1h30, nível moderado;

  • Voo livre e parapente para quem chega com equipamento;

  • Mirantes com vista para a região metropolitana;

  • Nascentes e cachoeiras no interior da área.

Além da Serra do Elefante, a Barragem do Horto da Liberdade e a Cachoeira do Zé Nicota são outros pontos naturais do município. Para ambos, é recomendável consultar a Secretaria de Turismo antes de visitar, pois o acesso pode variar conforme a época.

Igreja de Santo Antônio em Mateus Leme, com fachada colonial, porta azul e palmeiras ao redor
Igreja de Santo Antônio em Mateus Leme, com fachada colonial, porta azul e palmeiras ao redor

Igreja de Santo Antônio em Mateus Leme, com fachada colonial, porta azul e palmeiras ao redor - Foto: Igor Souza

Qual é a tradição mais antiga de Mateus Leme?

A Cavalhada de Santo Antônio é a tradição mais enraizada da cidade. Os registros apontam que a encenação acontece desde pelo menos 1880. O evento simula uma batalha medieval entre mouros e cristãos, todos a cavalo e com vestes típicas, na primeira quinzena de junho durante a Festa de Junho.

A cavalhada é passada de pai para filho há gerações. A Alvorada das festas conta com a Banda Municipal, que acompanha também as procissões com as imagens de Santo Antônio e São Sebastião. Desde 2002 existe também a Cavalhada Feminina, criada para ampliar a participação das mulheres nas tradições locais.

O que mais acontece na Festa de Junho?

A festa é o principal evento do ano e atrai cerca de 30 mil pessoas só no primeiro dia, número próximo ao total de habitantes. A programação inclui:

  • Leilão tradicional para custear as atividades da cavalhada;

  • Queima de fogos e desfile da cavalaria;

  • Missas e procissões na Igreja Matriz;

  • Shows com artistas locais e de alcance nacional.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Como chegar e o que saber antes de ir?

O acesso de Belo Horizonte é pela MG-050, com cerca de 61 quilômetros e trajeto médio de uma hora. A cidade tem dois distritos que também valem visita: Azurita e Serra Azul.

Pontos práticos para o planejamento:

  • Serra do Elefante: consultar a Secretaria de Esportes e Turismo antes de ir;

  • Melhor época para as festas: primeira quinzena de junho;

  • Cavalhada Feminina: geralmente em outubro, mês de Nossa Senhora Aparecida;

  • Congado e Folia de Reis: também integram o calendário cultural da cidade.

Quem passa por Mateus Leme pela MG-050 sem parar está perdendo uma cidade que equilibra história colonial, natureza acessível e tradições que resistem há mais de um século. Uma tarde na Serra do Elefante e a Festa de Junho já são razões suficientes para planejar a ida.

Vista da Serra do Elefante em Mateus Leme, cercada por vegetação e céu aberto
Vista da Serra do Elefante em Mateus Leme, cercada por vegetação e céu aberto

Vista da Serra do Elefante em Mateus Leme, cercada por vegetação e céu aberto - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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