Entre a Igreja Velha de 1798 e o Pico do Gavião, a 1.512 metros, Luminárias esconde um roteiro pouco conhecido
Uma capela de 1798 deu origem a esta cidade mineira, que ainda guarda cachoeiras pouco visitadas e um pico de 1.512 metros com acesso controlado pelo Exército
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
12/10/2026
Uma capela erguida em terras doadas por uma fazendeira deu origem a uma cidade inteira no Campo das Vertentes. Luminárias, com menos de 6 mil moradores, ainda guarda essa construção de 1798, conhecida como Igreja Velha. A poucos quilômetros dali, as serras de quartzito sobem até o Pico do Gavião, a cerca de 1.512 metros, e escondem cachoeiras que pouca gente de fora conhece.
Por que a Igreja Velha marca o começo de Luminárias?
A Capela do Carmo, hoje chamada de Igreja Velha, surgiu em terras da Fazenda das Luminárias, cedidas por Maria José do Espírito Santo. Segundo o registro de patrimônio do município, a capela foi construída em 1798, e foi ao redor dela que se formou o núcleo de moradores que daria origem à cidade.
Ter uma capela era um passo importante para um povoado da época, porque garantia a presença de padre e dava ao lugar um novo status. O templo, de linhas simples, passou por reforma e é protegido pelo município desde 2006. Hoje, ainda recebe celebrações católicas. Luminárias virou distrito em 1840 e só se tornou município em 1949.
De onde vem o nome Luminárias?
Não existe uma resposta única para a origem do nome. Por muito tempo, a localidade foi chamada de Carmo das Luminárias, e só em 1926 o nome foi reduzido para Luminárias. As explicações que circulam na cidade têm em comum a ideia de luz, mas partem de lugares diferentes, e nenhuma delas é tratada como versão oficial.
Uma delas está ligada à fé, outra à paisagem e outra a uma história da tradição local, passada de geração em geração. Guias de turismo e o site de visitação da cidade registram as três versões mais conhecidas, sem apontar qual seria a verdadeira:
Pontos luminosos de origem desconhecida que apareciam na serra
Procissões com lanternas em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, que acontecem até hoje
O brilho da água escorrendo pelas encostas depois da chuva


Cachoeira Serra Grande, em Luminárias, MG, com poço natural e mata ao redor - Foto: Igor Souza


Igreja Velha de Luminárias, MG, com fachada branca e amarela, campanário e araucária ao lado - Foto: Igor Souza
O Pico do Gavião é o ponto mais alto de Luminárias
Com cerca de 1.512 metros de altitude, o Pico do Gavião fica na Serra de São Tomé, perto da divisa com São Tomé das Letras. O nome vem de uma formação de pedra que lembra um gavião. Do alto, dá para ver São Tomé das Letras, a Serra do Papagaio, em Aiuruoca, as serras de Carrancas e a Serra da Mantiqueira.
Perto do cume há um cruzeiro antigo, que serve de referência para quem sobe. A área tem acesso controlado pelo Exército Brasileiro, e a visita segue regras específicas, divulgadas pelo site de turismo de Luminárias. Como essas condições podem mudar, vale confirmar tudo antes de ir. Hoje, as principais exigências são:
Visita apenas entre 8h e 16h;
Presença obrigatória de guia ou condutor cadastrado no setor de turismo;
Agendamento com cerca de cinco dias de antecedência;
Trilha considerada simples, com parte do trajeto possível de carro.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Quais cachoeiras entram no roteiro por Luminárias?
As cachoeiras ficam espalhadas pela zona rural e, em geral, são acessadas por estradas de terra que saem das ruas asfaltadas da cidade. A sinalização costuma ser simples, então ajuda levar o trajeto salvo no celular ou contratar um guia local (o guia que nos acompanhou é a nossa indicação: o @tabatingaecoturismo). Algumas quedas ficam em propriedades particulares e cobram uma taxa de conservação.
Depois do passeio, vale provar o macadame, prato típico que mistura arroz, feijão, macarrão e carnes na mesma panela. Como as chuvas se concentram entre outubro e março, os meses mais secos costumam ser os melhores para as trilhas e os banhos. Entre as cachoeiras mais citadas estão:
Cachoeira do Mandembe, a cerca de 7 quilômetros do centro, com três quedas e poço natural;
Cachoeira do Lobo, perto do Mandembe, com duas quedas e dois poços;
Cachoeira da Pedra Furada, onde a água passa por um buraco na rocha;
Poço das Esmeraldas, a cerca de 14 quilômetros do centro, com água de tom verde;
Cachoeira da Usina, na antiga usina da Fumaça, onde o banho é proibido.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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