Enquanto o aeroporto conecta Confins ao mundo, a igreja matriz de São José guarda a tradição religiosa mais antiga da cidade
Aviões decolam a cada poucos minutos. Uma festa religiosa resiste desde antes da primeira pista existir. Duas faces da mesma cidade mineira
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
21/10/2025
Enquanto aviões decolam a cada poucos minutos, levando passageiros para diferentes partes do mundo, uma pequena igreja segue reunindo moradores para uma festa que existe desde muito antes da primeira pista de pouso. Essa é a realidade de Confins, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte que abriga o principal aeroporto de Minas Gerais e, ao mesmo tempo, preserva a tradição religiosa mais antiga de sua história. Poucos lugares do país reúnem esse tipo de contraste tão de perto.
Como um vilarejo de tropeiros virou sede do principal aeroporto de Minas Gerais?
Muito antes de qualquer avião sobrevoar a região, Confins funcionava como ponto de passagem para tropeiros e bandeirantes que seguiam rumo a Diamantina, ainda no século XVIII. O nome do lugar, aliás, vem justamente dessa posição extrema, nos limites das fazendas da região. Essa transição entre passado colonial e infraestrutura moderna raramente aparece de forma tão evidente em outros municípios da região. Alguns marcos separam esse passado colonial do presente aeroportuário:
O trânsito de tropeiros rumo a Diamantina, no século XVIII;
A elevação a distrito de Lagoa Santa, em 1953;
A instalação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, décadas depois.
Antes mesmo da vocação aeroportuária, a região já havia chamado atenção científica. A partir de 1835, o paleontólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund passou a estudar as grutas da região. Um século depois, pesquisadores encontraram na Gruta de Confins o crânio conhecido como Homem de Confins. Já nos anos 1970, a vizinha Lapa Vermelha IV, em Pedro Leopoldo, revelou o fóssil conhecido como Luzia, datado em cerca de 11 mil anos. Essas descobertas colocaram Confins e seus arredores no mapa da paleontologia mundial décadas antes de qualquer avião pousar por ali.


Igreja em Confins, MG, com fachada branca e azul, torre de sinos e árvores ao redor - Foto: Igor Souza


Igrejas de Confins, MG, com fachadas branca e azul, torres e cruzes sob o céu azul - Foto: Igor Souza
O aeroporto colocou Confins entre os maiores PIBs per capita do país
O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, principal porta de entrada aérea de Minas Gerais, ocupa boa parte do território de Confins e tem estrutura capaz de atender cerca de 32 milhões de passageiros por ano. Sua pista, com 3.600 metros de comprimento por 45 de largura, permite pouso e decolagem de aeronaves de grande porte. Essa infraestrutura coloca o aeroporto entre os cinco mais movimentados do país em número de passageiros, transformando diretamente a economia de um município que, sem essa estrutura, provavelmente teria dimensão bem mais modesta. É difícil imaginar o cotidiano da cidade sem considerar o movimento constante de aeronaves sobre o território municipal.
Além do aeroporto de passageiros, Confins também abriga o primeiro aeroporto industrial do Brasil, reforçando ainda mais seu papel logístico dentro da região metropolitana. Essa combinação de fatores explica alguns números que marcam a economia local:
Capacidade para 32 milhões de passageiros por ano;
Pista de 3.600 por 45 metros;
Quinto lugar do Brasil em movimentação de passageiros;
Presença do primeiro aeroporto industrial do país;
Um dos maiores PIBs per capita entre os municípios brasileiros.
Que tradição religiosa resiste desde antes do aeroporto existir?
A Festa de São José é considerada a tradição mais antiga de Confins, remontando aos primórdios do próprio povoamento.
A paróquia dedicada ao santo segue ativa até hoje, mantendo viva essa celebração que atravessou o crescimento urbano e a chegada do aeroporto sem perder força entre os moradores mais antigos. Ano após ano, a celebração reúne gerações diferentes em torno do mesmo propósito.
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O que mais define o dia a dia dessa cidade pequena da Grande BH?
Com pouco mais de 7 mil habitantes, Confins mantém características de cidade pequena mesmo estando a cerca de 40 quilômetros de Belo Horizonte e abrigando um aeroporto de porte internacional. Grande parte dos moradores trabalha direta ou indiretamente ligada às operações aeroportuárias, o que molda boa parte da rotina local. Outras tradições e atrativos completam o retrato desse município da região metropolitana:
O Boi da Manta, festa tradicional realizada um mês antes do carnaval;
A Lagoa de Confins, formada por rocha calcária, em processo de despoluição;
A proximidade com Lagoa Santa, município do qual Confins já foi distrito;
A convivência entre atividade aeroportuária e rotina de cidade pequena;
Uma população de pouco mais de 7 mil habitantes;
A economia fortemente concentrada em torno do próprio aeroporto.
Segundo dados do Censo de 2022, a população local soma cerca de 7.350 pessoas, número que contrasta com a movimentação constante de passageiros que passam pelo aeroporto todos os dias. Esse contraste entre número reduzido de moradores e fluxo intenso de visitantes segue sendo uma marca registrada do município.
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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