Em 1831, o imperador Dom Pedro I visitou Rio Acima em uma de suas últimas viagens antes de deixar o Brasil
Semanas antes de renunciar ao trono, um imperador brasileiro passou por uma pequena cidade mineira que guarda essa história até hoje
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
12/08/2026
Menos de dois meses antes de abdicar do trono brasileiro, o imperador Dom Pedro I ainda encontrou tempo para visitar um pequeno povoado mineiro. Em 9 de fevereiro de 1831, Santo Antônio do Rio Acima recebeu o casal imperial, formado por Dom Pedro I e Dona Amélia de Leuchtenberg, em uma das últimas viagens do monarca antes de deixar definitivamente o Brasil. A passagem imperial se soma a uma história que remonta ao século XVIII, quando a Estrada Real transformou o local em ponto de parada entre o Rio de Janeiro e os centros de mineração de Minas Gerais.
Como nasceu o povoado que deu origem a Rio Acima?
A origem de Rio Acima está ligada à Estrada Real, rota que conectava o Rio de Janeiro às vilas mineradoras de Minas Gerais, entre elas Vila Rica, Sabará e Santa Luzia. O fluxo de viajantes e comerciantes favoreceu a formação de núcleos urbanos em pontos estratégicos da rota.
Em 1736, uma capela erguida nas barrancas do Rio das Velhas deu origem ao povoado que mais tarde se tornaria Rio Acima. A localidade cresceu reunindo bandeirantes, mineradores e comerciantes de tropas, e viveu um período de expansão significativa em meados do século XVIII, acompanhando o ritmo geral da mineração aurífera na região.


Letreiro “Eu amo Rio Acima” diante de locomotiva antiga e estação ferroviária em Rio Acima, MG - Foto: Igor Souza
O que levou Dom Pedro I a visitar a cidade em 1831?
A viagem de Dom Pedro I a Minas Gerais em 1831 aconteceu em um momento de forte instabilidade política, marcado por tensões crescentes entre brasileiros e portugueses no país. Antes de deixar o trono, o imperador percorreu diferentes localidades mineiras, e Rio Acima foi um dos pontos que recebeu a comitiva imperial durante essa passagem pela província.
A visita aconteceu em 9 de fevereiro de 1831, quando o imperador e a imperatriz Dona Amélia de Leuchtenberg foram recebidos pela população local. Poucas semanas depois, a viagem imperial se tornaria ainda mais tensa, culminando em episódios de confronto que aceleraram a crise política do período. Alguns eventos ajudam a situar essa visita dentro do contexto histórico mais amplo:
9 de fevereiro de 1831: recepção do casal imperial em Rio Acima;
13 de março de 1831: confronto conhecido como Noite das Garrafadas, em Ouro Preto;
7 de abril de 1831: abdicação de Dom Pedro I ao trono brasileiro;
retorno do imperador a Portugal, encerrando seu período como monarca do Brasil.
O patrimônio religioso da cidade remonta ao século XVIII
A tradição religiosa ocupa um espaço central na história de Rio Acima, cidade que tem Santo Antônio como padroeiro. A Igreja Matriz dedicada ao santo segue como uma das construções mais representativas do município, reunindo elementos que remetem diretamente ao período colonial da região.
Outro templo importante para compreender essa trajetória é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, erigida por provisão em 28 de janeiro de 1773. A construção passou por um processo de restauração definitiva décadas depois, consolidando sua importância dentro do patrimônio local. Dois marcos ajudam a resumir essa história religiosa:
a Igreja Matriz de Santo Antônio, dedicada ao padroeiro da cidade;
a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, erigida em 1773 e restaurada definitivamente em 7 de abril de 1841.


Estação ferroviária histórica de fachada branca e azul ao lado dos trilhos em Rio Acima, MG - Foto: Igor Souza
Que outras construções históricas resistem no município?
Além das igrejas, Rio Acima preserva um conjunto arquitetônico setecentista variado, formado por ruínas, capelas, casarões e até uma antiga estação ferroviária. Boa parte dessas construções foi erguida por mão de obra escrava, característica comum às cidades mineiras que se desenvolveram durante o ciclo do ouro.
Esse patrimônio distribuído pelo território municipal atrai visitantes interessados tanto em arquitetura quanto em história da mineração. Entre os pontos mais mencionados por quem percorre a cidade estão:
a Casa de Pedra;
a Estação Ferroviária;
as ruínas do Curralinho e da Casa Forte;
as ruínas da Capela de Pedras;
as antigas minas da Fazenda Capão.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
Vale a pena visitar Rio Acima hoje?
A cerca de 34 quilômetros de Belo Horizonte, Rio Acima combina fácil acesso a partir da capital com um cenário natural procurado por quem busca cachoeiras e trilhas. A vegetação densa que cerca o município abriga diversas quedas d'água distribuídas por diferentes pontos do território.
Entre as cachoeiras mais conhecidas estão a do Índio, a do Sansa, a Tinta Roxa, a Viana, a do Mingu e a Véu de Noiva, cada uma com características próprias de acesso e volume de água. Essa combinação entre patrimônio histórico e atrativos naturais sustenta o interesse turístico pela cidade, décadas depois da visita que recebeu de um imperador prestes a deixar o país.


Passaporte turístico carimbado diante da locomotiva e da estação ferroviária de Rio Acima, MG - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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