Em 1750, Ouro Preto chegou a ter 80 mil habitantes, mais gente do que Nova York na mesma época
Uma cidade de Minas Gerais já foi mais populosa do que uma metrópole que hoje reúne milhões de pessoas
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
12/08/2026
Em pleno século XVIII, uma cidade de Minas Gerais chegou a abrigar mais moradores do que Nova York, hoje uma das maiores metrópoles do mundo. Em 1750, Ouro Preto, então chamada Vila Rica, reunia cerca de 80 mil habitantes, número que superava com folga a população da cidade norte-americana na mesma época. O crescimento estava ligado à corrida do ouro que transformou a região em uma das mais ricas do planeta.
Como Ouro Preto chegou a ter mais moradores que Nova York em pleno século XVIII?
O auge populacional de Vila Rica aconteceu por volta de 1750, quando a cidade reunia aproximadamente 80 mil habitantes, atraídos pela intensa exploração de ouro que movimentava a economia da região havia décadas. Nova York, no mesmo período, tinha população bem menor, ficando atrás da vila mineira, que mais tarde se tornaria uma das cidades mais importantes do mundo.
Duas décadas antes, em 1730, a diferença entre as duas cidades já era expressiva. Vila Rica contava então com cerca de 40 mil habitantes, o dobro da população registrada em Nova York, enquanto São Paulo, para efeito de comparação, ainda não chegava a 8 mil moradores. Alguns números ajudam a dimensionar essa disparidade:
Vila Rica em 1730: cerca de 40 mil habitantes;
Nova York em 1730: entre 7 mil e 10 mil habitantes;
São Paulo no mesmo período: menos de 8 mil habitantes;
Vila Rica em 1750: aproximadamente 80 mil habitantes, mais do que o dobro de Nova York.


Casario colonial de Ouro Preto com igreja histórica no alto da colina, em Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza
Como a vila surgiu e se tornou capital da capitania?
A união de diferentes povoados de mineração deu origem à Vila Rica em 1711, consolidando administrativamente uma região que já vinha atraindo garimpeiros havia alguns anos. O crescimento acelerado da atividade aurífera tornou a vila um dos principais centros urbanos da América portuguesa em poucas décadas.
Em 1720, a importância econômica e populacional da região foi reconhecida oficialmente, quando Vila Rica se tornou a capital da recém-criada Capitania de Minas Gerais. Esse status permaneceu por quase dois séculos, atravessando o período mais próspero da mineração e os anos de declínio que viriam depois. A trajetória política do município resume-se em três marcos:
1711: união de povoados forma a Vila Rica;
1720: elevação a capital da Capitania de Minas Gerais;
1897: perda do status de capital, transferido para Belo Horizonte.
O ouro extraído em Vila Rica alimentou a coroa portuguesa
A riqueza que sustentou o crescimento populacional de Vila Rica veio diretamente do subsolo da região. Estima-se que, ao longo do século XVIII, cerca de 800 toneladas de ouro tenham sido enviadas oficialmente a Portugal, volume que financiou parte da economia colonial e obras arquitetônicas na própria vila.
Parte dessa riqueza permaneceu na região, financiando igrejas ricamente decoradas e a contratação de artistas que se tornariam referência na arte brasileira. Esse período de fartura deixou marcas que ainda hoje definem a identidade arquitetônica da cidade:
as igrejas barrocas erguidas com recursos do ouro extraído na região;
as esculturas produzidas por artistas contratados durante o período;
as pinturas de forro que decoram templos do centro histórico.


Igreja histórica cercada por vegetação e montanhas na paisagem de Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza
Por que a cidade perdeu força ao longo do século XIX?
O esgotamento progressivo das jazidas de ouro, já perceptível no fim do século XVIII, marcou o início do declínio econômico de Vila Rica. Sem a mesma quantidade de minério disponível, a cidade perdeu parte da dinâmica que sustentava seu crescimento e sua relevância dentro da capitania.
O golpe final veio em 1897, quando a capital de Minas Gerais foi transferida para a recém-planejada Belo Horizonte. Paradoxalmente, essa perda de protagonismo ajudou a preservar o conjunto arquitetônico colonial de Ouro Preto, que não passou pelas transformações urbanas que atingiram outras cidades em expansão.
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O que resta hoje daquele período de riqueza?
O legado da era do ouro segue visível no centro histórico, reconhecido por reunir treze igrejas de estilo predominantemente barroco. Entre elas estão obras com esculturas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e pinturas de forro atribuídas a Mestre Ataíde, dois nomes centrais da arte produzida em Minas Gerais durante o período colonial.
Esse patrimônio acumulado ao longo de décadas de exploração aurífera rendeu à cidade um reconhecimento que nenhuma outra cidade brasileira havia recebido até então. Entre os principais marcos desse legado estão:
as treze igrejas barrocas que compõem o centro histórico;
as esculturas de Aleijadinho espalhadas por diferentes templos;
as pinturas de forro atribuídas a Mestre Ataíde;
o título de primeira cidade brasileira reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1980.


Igreja histórica com fachada amarela, torre sineira e muro de pedra entre árvores em Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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