É em São Roque de Minas que nasce o Rio São Francisco, o Velho Chico, que atravessa cinco estados até o mar

Um poço pequeno no alto de um chapadão mineiro dá origem a um rio de quase 2.800 km. Veja como chegar, o que ver no caminho e o que colocar na mala

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
14/10/2026

Um poço pequeno e transparente, cercado por pedras no alto de um chapadão. Difícil acreditar que dali sai um rio de quase 2.800 km. A nascente do Rio São Francisco fica em São Roque de Minas, dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra.

Onde fica a nascente do Rio São Francisco?

A nascente histórica está na parte alta do parque, a poucos minutos de carro do Mirante do Curral de Pedras. Um caminho de poucos metros leva ao ponto onde o Velho Chico começa sua viagem rumo ao Nordeste.

Quem espera ver água jorrando do chão costuma se surpreender, porque a nascente não brota de forma visível. O lugar é simples e bem sinalizado, e a visita costuma ser rápida, mas marcante. Ao chegar, o visitante encontra:

  • Um poço pequeno, de água cristalina;

  • Uma pedra com a inscrição da nascente, junto a uma pequena ponte;

  • Uma estátua de São Francisco a poucos metros dali.

A Serra da Canastra foi protegida para guardar suas nascentes

O Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado em 1972 justamente para proteger as nascentes da região, incluindo a do São Francisco. A unidade é administrada pelo ICMBio e também guarda as cabeceiras de outros rios, como o Araguari e o Santo Antônio.

O tamanho original do parque, porém, ficou em parte no papel. O decreto de criação previa uma área bem maior do que a que foi efetivamente demarcada ao longo das décadas. Pelos registros disponíveis, a diferença é esta:

  • Área prevista no decreto: 200 mil hectares;

  • Área demarcada: cerca de 71,5 mil hectares.

Como é o caminho de São Roque de Minas até a nascente?

Da cidade até a Portaria 1 são cerca de 7 km de estrada de terra, com velocidade máxima de 40 km/h. Depois dela, o caminho sobe até o Mirante do Curral de Pedras, a uns 5 km, e segue por poucos minutos até a nascente.

Em 2024, o governo federal autorizou obras na estrada de acesso dentro do parque, com pavimento e controle de erosão perto da nascente. Antes de ir, confira no ICMBio as condições do trajeto, o ingresso e os horários.

Placa da nascente do Rio São Francisco, cercada por vegetação na Serra da Canastra, MG
Placa da nascente do Rio São Francisco, cercada por vegetação na Serra da Canastra, MG

Placa da nascente do Rio São Francisco, cercada por vegetação na Serra da Canastra, MG - Foto: @praondevou

O que mais ver no alto da serra?

A nascente costuma ser só o começo, já que a parte alta reúne alguns dos lugares mais procurados da Canastra. Dá para combinar tudo num mesmo dia, saindo cedo da cidade. Entre as paradas mais comuns estão:

  • Curral de Pedras, com ruínas de uma antiga fazenda;

  • Parte alta da Cachoeira Casca d’Anta, a cerca de 30 km da nascente;

  • Cachoeira do Fundão, com cerca de 90 metros e poço para banho;

  • Campos com lobos-guarás, tamanduás-bandeiras e veados-campeiros.

Por que a Casca d’Anta é tão famosa?

A Casca d’Anta é a primeira grande queda do São Francisco, com cerca de 186 metros, e está entre as maiores cachoeiras do país. Pode ser vista por cima, no chapadão, ou por baixo, pela parte baixa do parque.

É ali que o rio deixa de ser um filete. Depois da serra, o Velho Chico segue cerca de 2.800 km por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, até o Oceano Atlântico, na divisa entre os dois últimos estados.

Marco da nascente do Rio São Francisco, cercado por vegetação na Serra da Canastra, MG
Marco da nascente do Rio São Francisco, cercado por vegetação na Serra da Canastra, MG

Marco da nascente do Rio São Francisco, cercado por vegetação na Serra da Canastra, MG - Foto: @praondevou

Quando ir e o que levar na viagem?

O período seco, entre abril e setembro, costuma deixar as estradas de terra em melhores condições e as trilhas mais firmes. Na chuva, as cachoeiras ficam mais cheias, mas o barro pode complicar o trajeto entre a cidade e as portarias.

Mesmo com a nascente de acesso fácil, o alto da serra tem sol forte, vento constante e pouca sombra ao longo do caminho. Por isso, dois itens fazem diferença na bagagem de quem vai passar o dia no chapadão:

  • Protetor solar, boné e casaco leve para o vento;

  • Água e lanche para o dia inteiro.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

São Roque de Minas também é terra do queijo canastra

A volta para a cidade pede outra parada. O queijo canastra, produzido nas fazendas da região, tem o modo de fazer reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan, e São Roque de Minas sedia a associação dos produtores.

A tradição tem raízes na Serra da Estrela, em Portugal, e passou de geração em geração nas fazendas da região, que mantêm o preparo artesanal. Para aproveitar o lado gastronômico da viagem, vale incluir no roteiro:

  • Uma visita a uma queijaria familiar;

  • Queijos com diferentes tempos de cura;

  • Um almoço de comida mineira no centro.

Letreiro colorido com coração e nome Canastra, diante das montanhas da Serra da Canastra, MG
Letreiro colorido com coração e nome Canastra, diante das montanhas da Serra da Canastra, MG

Letreiro colorido com coração e nome Canastra, diante das montanhas da Serra da Canastra, MG - Foto: @praondevou

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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