Do outro lado da Serra do Cipó, longe das multidões, o vilarejo de Cabeça de Boi esconde cachoeiras que muitos turistas nem conhecem

Um vilarejo sem sinal de celular, cachoeiras com poços fundos e pinturas de 12 mil anos, a cerca de 120 km de BH, ainda longe das multidões de turistas

Escrito por:
Leonardo Coelho

Publicado em:
16/10/2025

Uma única rua, cerca de 50 famílias e quase nenhum sinal de celular. Cabeça de Boi fica a cerca de 120 km de Belo Horizonte, mas parece bem mais distante. Vizinho do Parque Nacional da Serra do Cipó, o vilarejo guarda cachoeiras fora do roteiro da maioria dos turistas.

Onde fica Cabeça de Boi e por que ela recebe menos visitantes?

O nome oficial é Santana do Rio Preto, distrito de Itambé do Mato Dentro, na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. A sede do município fica a cerca de 10 km, por estrada de terra.

O povoado se resume a uma rua em volta de uma pequena praça, com igreja, duas mercearias que também funcionam como bares e poucas hospedagens. Essa estrutura simples mantém o movimento baixo.

Quais caminhos levam até Cabeça de Boi?

Há três rotas principais saindo de Belo Horizonte. A mais curta tem cerca de 120 km, mas inclui mais terra do que o caminho por Itabira.

Pela Serra do Cipó, a viagem é mais demorada e tem o maior trecho de terra. Vale comparar:

  • pela BR-381, via Ipoema e Senhora do Carmo: cerca de 120 km, com pelo menos 16 km de terra;

  • por Itabira: cerca de 160 km, com 8 km de terra no fim;

  • pela Serra do Cipó: cerca de 200 km, com 43 km de terra e umas 4 horas de viagem.

Quais cachoeiras formam o complexo do Intancado?

O principal destino de ecoturismo do vilarejo é o complexo do Intancado, a cerca de 6 km da praça. A área é particular, faz divisa com o parque nacional e cobra entrada, paga somente em dinheiro.

As trilhas seguem o Rio Preto e têm níveis diferentes de esforço, então vale escolher as cachoeiras conforme o fôlego do grupo. Partindo do estacionamento, estão:

  • Poço Lajeado, a cinco minutos, com vários poços no remanso do rio;

  • Cachoeira do Chuvisco, a cerca de 10 minutos, com pouca água e poço pequeno;

  • Cachoeira do Intancado, logo depois, com quatro quedas e poço de até 10 metros de profundidade;

  • Cachoeira das Maçãs, a 1,4 km, com duas quedas, a maior com cerca de 10 metros;

  • Cachoeira dos Macacos, a mais distante, com queda de cerca de 7 metros e dois poços.

Casa antiga de fachada azul em rua de pedras, com montanhas ao fundo, em Cabeça de Boi, MG
Casa antiga de fachada azul em rua de pedras, com montanhas ao fundo, em Cabeça de Boi, MG

Casa antiga de fachada azul em rua de pedras, com montanhas ao fundo, em Cabeça de Boi, MG - Foto: @praondevou

Praça com árvores, bancos e casas tradicionais cercadas por montanhas em Cabeça de Boi, MG
Praça com árvores, bancos e casas tradicionais cercadas por montanhas em Cabeça de Boi, MG

Praça com árvores, bancos e casas tradicionais cercadas por montanhas em Cabeça de Boi, MG - Foto: @praondevou

A travessia do Rio Preto pede atenção

Para chegar às cachoeiras das Maçãs e dos Macacos, é preciso atravessar o Rio Preto, que não tem ponte nesse trecho. A trilha até as Maçãs também é íngreme, e o acesso ao poço exige cuidado.

Em dias de chuva, o nível da água sobe rápido, e há relatos de visitantes que precisaram voltar sem completar o passeio. Alguns cuidados ajudam a evitar riscos:

  • confira o nível do rio antes de atravessar;

  • desista da travessia se a correnteza estiver forte;

  • tenha cuidado com as pedras grandes perto dos poços.

O que mais o vilarejo oferece além do Intancado?

Nem todas as belezas ficam no complexo. A Cachoeira do Lúcio, a mais próxima do centro, tem queda de cerca de 4 metros, boa opção para um banho rápido.

A região também guarda um patrimônio bem mais antigo que o vilarejo. Para quem gosta de ecoturismo com história, alguns passeios completam a viagem:

  • o Cânion da Serenata, a cerca de 10 km da sede do município;

  • as pinturas rupestres da Serra dos Veados, a cerca de 3 km da praça;

  • os desenhos de veados, peixes, tatus e bois nas rochas;

  • o sítio arqueológico, tombado pelo município em 2004.

O que a banana tem a ver com Cabeça de Boi?

A culinária à base de banana caturra verde passa de geração em geração no povoado e foi registrada como patrimônio imaterial pela prefeitura em 2012. A Festa da Banana, realizada em julho, chegou à 14ª edição em 2019.

Essa herança aparece na mesa: casas como as de Dona Ana, Seu Agostinho e Fatinha servem pratos com banana. Na entrada do vilarejo, o Boteco do Agostinho é ponto de encontro de moradores e visitantes.

+ Leia também: Qual é a cidade vizinha de Barbacena famosa por seu festival de frutas?

Algumas dicas evitam surpresas na viagem

Os últimos quilômetros de terra ficam escorregadios com chuva, e há relatos de carros atolados. O mais seguro é viajar na época seca ou ir com um carro mais alto.

A falta de estrutura também exige planejamento. Como os serviços mais próximos ficam em Itambé do Mato Dentro, vale resolver alguns detalhes antes, como:

  • prefira o caminho por Itabira, com menos terra;

  • avise a família que ficará sem sinal;

  • leve dinheiro em espécie, já que os caixas ficam em Itambé;

  • leve água e lanche para as trilhas;

  • traga o lixo de volta, porque não há lixeiras nas cachoeiras;

  • use calçado firme para as pedras e travessias.

Leonardo Coelho

Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.

Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo
Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo

Posts que você pode gostar

Todos os Direitos Reservados © 2024

Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com