Diamantina foi Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999, e sua área tombada soma 28,5 hectares de casario colonial

Uma cidade erguida sobre uma serra íngreme guarda quase 30 hectares de ruas de pedra reconhecidos pela Unesco como patrimônio da humanidade

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
11/08/2026

O ouro puxou os primeiros garimpeiros para as margens do Rio Jequitinhonha ainda no início do século XVIII, mas foi o diamante que transformou aquele povoado isolado em uma das cidades mais importantes de Minas Gerais. Diamantina recebeu da Unesco, em dezembro de 1999, o título de Patrimônio Mundial, reconhecimento que abrange uma área tombada de 28,5 hectares de casario colonial. Antes disso, o conjunto arquitetônico já havia sido protegido em nível federal, ainda em 1938.

Como começou a ocupação do território que hoje é Diamantina?

A ocupação inicial da região é atribuída a Jerônimo Gouveia, que seguiu o curso do Rio Jequitinhonha e encontrou grande quantidade de ouro na confluência com os rios Piruruca e Grande. Por volta de 1722, o povoado começou a se formar seguindo as margens dos cursos d'água garimpados.

A partir de 1730, ainda com população flutuante, o Arraial do Tejuco, nome original da futura Diamantina, foi se adensando através da expansão de pequenos arraiais ao longo dos rios. Três vias marcam esse início da ocupação urbana:

  • a rua do Burgalhau;

  • a rua Espírito Santo;

  • o beco das Beatas.

Casario colonial com portas e janelas azuis em rua de pedra no centro histórico de Diamantina, MG
Casario colonial com portas e janelas azuis em rua de pedra no centro histórico de Diamantina, MG

Casario colonial com portas e janelas azuis em rua de pedra no centro histórico de Diamantina, MG - Foto: Igor Souza

Por que o centro histórico foi tombado antes mesmo do título da UNESCO?

O conjunto arquitetônico de Diamantina foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938, um dos primeiros tombamentos federais realizados no país, ainda sob o nome de SPHAN. Essa proteção nacional antecedeu em seis décadas o reconhecimento internacional.

O título de Patrimônio Mundial concedido pela Unesco veio apenas em dezembro de 1999, delimitando uma área específica dentro do centro histórico. Alguns números resumem esse duplo reconhecimento:

  • 1938: tombamento federal pelo então SPHAN, hoje IPHAN;

  • 1999: reconhecimento como Patrimônio Mundial pela Unesco;

  • 28,5 hectares: extensão da área inscrita, cercada por uma zona de amortecimento.

A arquitetura de Diamantina segue um traçado inspirado em cidades medievais portuguesas

Construída em um sítio íngreme, a cidade tem traçado urbano sinuoso, com ruas estreitas e calçamento em pedra que acompanham o relevo acidentado da Serra do Espinhaço. O casario não possui recuo frontal e define diretamente o desenho das ruas, característica comum às cidades mineradoras do período colonial.

O colorido vivo das esquadrias contrasta com o branco das paredes, enquanto elementos como muxarabis e treliças nas janelas e varandas revelam a influência árabe presente na arquitetura portuguesa. Essa combinação de traços resultou em uma morfologia urbana inspirada diretamente nas cidades medievais de Portugal.

Casario colonial e portal da Vesperata diante da Catedral de Santo Antônio, em Diamantina, MG
Casario colonial e portal da Vesperata diante da Catedral de Santo Antônio, em Diamantina, MG

Casario colonial e portal da Vesperata diante da Catedral de Santo Antônio, em Diamantina, MG - Foto: Igor Souza

Que personagens históricos marcaram a cidade?

Chica da Silva, ex-escrava alforriada, viveu em Diamantina entre 1763 e 1771 na casa que hoje leva seu nome, após se casar com João Fernandes de Oliveira, então considerado o homem mais rico do Brasil. A história do casal segue como um dos capítulos mais lembrados do período do diamante na região.

Diamantina também é a cidade natal de Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil durante os chamados anos dourados da política nacional. Já como governador de Minas Gerais, JK encomendou a Oscar Niemeyer obras que hoje colocam a cidade na rara posição de reunir casarões coloniais e arquitetura moderna em um mesmo centro histórico.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

O que fazer além de visitar o casario tombado?

Entre os pontos mais procurados por quem visita Diamantina estão construções ligadas diretamente à história da cidade, muitas delas remontando ao período de exploração do diamante. A cidade também é conhecida pela Vesperata, apresentação em que músicos tocam nas sacadas dos casarões enquanto o público acompanha sentado na rua de pedra, um espetáculo que existe apenas ali e que acontece em sábados selecionados entre abril e outubro.

Um roteiro básico pela cidade costuma incluir:

  • a Casa de Chica da Silva;

  • a Igreja de Nossa Senhora do Carmo;

  • a Casa de Juscelino Kubitschek;

  • a Igreja de São Francisco de Assis, com seus altares barrocos;

  • o Mirante do Cruzeiro da Serra;

  • o Caminho dos Escravos, antiga estrada usada no transporte de diamantes.

Catedral de Santo Antônio ao lado de casarão colonial no centro histórico de Diamantina, MG
Catedral de Santo Antônio ao lado de casarão colonial no centro histórico de Diamantina, MG

Catedral de Santo Antônio ao lado de casarão colonial no centro histórico de Diamantina, MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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