Dentro da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, Presidente Kubitschek tem cânion de quartzito e trilhas de 18 km

Paredões de quartzito de até 150 metros, trilhas entre cachoeiras e uma gruta com pinturas rupestres numa cidade pequena da serra mineira. Veja como visitar

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
15/10/2026

Paredões de pedra com mais de cem metros de altura, água correndo no fundo e um caminho que sobe até a borda do abismo. É isso que espera quem chega ao Cânion do Funil, em Presidente Kubitschek, uma cidade pequena no meio da Serra do Espinhaço, longe dos roteiros mais óbvios de Minas.

Onde fica Presidente Kubitschek?

O município está na região central e norte de Minas Gerais, em plena Serra do Espinhaço, área reconhecida pela Unesco em 2005 como Reserva da Biosfera. A cidade também faz parte do Caminho dos Diamantes, um dos trechos da Estrada Real, rota histórica que ligava as regiões do ouro e dos diamantes no período colonial.

É uma cidade de ritmo tranquilo, cercada de serras, cachoeiras e riachos, com vegetação nativa onde aparecem orquídeas e bromélias. A estrutura turística é simples, por isso vale planejar a viagem com antecedência e reservar pelo menos um fim de semana. Para entender o tamanho do lugar, alguns números ajudam:

  • Cerca de 3 mil habitantes;

  • Aproximadamente 298 km de Belo Horizonte;

  • Cânion do Funil a 12 km da sede.

O Cânion do Funil foi esculpido no quartzito

O cânion é uma formação de quartzito, a rocha clara e resistente que domina a paisagem da Serra do Espinhaço. Ao longo do tempo, a água abriu caminho entre as pedras e formou um corredor estreito, com cascatas, pequenas quedas e trechos de água calma que permitem banho nos dias mais quentes.

O acesso é feito pela comunidade rural de Capela Velha, onde fica o restaurante do cânion, ponto de partida dos passeios. O tamanho dos paredões faz do Funil um destino procurado não só por quem gosta de caminhar, mas também por quem pratica esportes de aventura. Dois dados explicam essa fama:

  • Paredões de 120 a 150 metros de altura;

  • Prática de escalada, asa-delta e parapente.

Como são as trilhas do Cânion do Funil?

A parte baixa é uma caminhada curta, de cerca de 2 km, considerada fácil, que leva até o fundo do cânion. A parte alta é um roteiro de trekking de cerca de 9 km, que leva de 4 a 6 horas, passa por cachoeiras e volta por cima dos paredões, com vista do vale.

Por ser de dificuldade média a alta, a trilha de cima deve ser feita com guia, saindo cedo para fugir do sol forte. O cânion costuma funcionar das 8h às 17h, e a comunidade oferece comida em fogão a lenha e pernoite, o que ajuda quem quer fazer o percurso completo sem pressa.

Cânion do Funil com paredões rochosos e poço de água entre as formações em Presidente Juscelino, MG
Cânion do Funil com paredões rochosos e poço de água entre as formações em Presidente Juscelino, MG

Cânion do Funil com paredões rochosos e poço de água entre as formações em Presidente Juscelino, MG - Foto: Igor Souza

Paredões rochosos do Cânion do Funil cercados por vegetação nativa em Presidente Juscelino, MG
Paredões rochosos do Cânion do Funil cercados por vegetação nativa em Presidente Juscelino, MG

Paredões rochosos do Cânion do Funil cercados por vegetação nativa em Presidente Juscelino, MG - Foto: Igor Souza

Quais cachoeiras vale conhecer na região?

O Funil não é o único lugar com água corrente em Presidente Kubitschek. A serra ao redor é cortada por riachos e cascatas, e com dois ou três dias na cidade dá para montar um roteiro que combina o cânion com outras quedas, alternando trilhas longas com passeios mais leves e banhos tranquilos.

Como boa parte desses pontos fica em área rural, vale confirmar o acesso com a Secretaria de Turismo e, se possível, contratar um guia local antes de sair. Entre as quedas citadas pelo Instituto Estrada Real como atrações do município estão:

  • Cachoeira da Paca;

  • Cachoeira do Guaribas;

  • Cachoeira do Laércio;

  • Cachoeiras do Tamanduá e do Ananias.

O que é a Gruta da Capela Velha?

Perto do cânion fica a Gruta da Capela Velha, que já serviu de moradia para povos antigos da região. Lá ainda é possível ver vestígios dessa ocupação, como pinturas rupestres nas paredes de pedra e marcas de camas moldadas na própria rocha, que resistem até hoje.

A gruta muda o tom da visita e mostra que a serra não é só paisagem para trilha e banho. Ela lembra que a região era habitada muito antes da chegada dos bandeirantes e das rotas coloniais, e merece ser visitada com calma, sem tocar nas pinturas nem deixar marcas nas paredes.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O calendário da cidade gira em torno da fé e do reencontro

Além da natureza, Presidente Kubitschek mantém festas que reúnem moradores e quem saiu da cidade. Entre os templos locais estão a Igreja de Nossa Senhora das Dores e a Capela de Nossa Senhora de Fátima, que valem a visita mesmo fora das festas.

Uma das celebrações tem um nome curioso e mostra bem o espírito do lugar, com foco em receber de volta quem foi morar longe. Para encaixar a viagem num período movimentado e ver a cidade cheia, as datas mais tradicionais do calendário local são:

  • Semana Santa;

  • Festa do Kubitschekense Ausente;

  • Festa da Padroeira.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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