Cristo, cachoeiras e uma capela bicentenária resumem um roteiro de um único dia em Luminárias, no Sul de Minas

Uma capela de 1798, um Cristo com 273 degraus e cachoeiras a poucos quilômetros do centro. Veja como encaixar tudo num único dia no Sul de Minas

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
02/11/2026

Uma capela de 1798, um Cristo de 12 metros no alto do morro e cachoeiras a poucos quilômetros do centro. Em Luminárias, cidade de cerca de 5 mil habitantes no trecho do Caminho Velho da Estrada Real, tudo isso cabe num único dia. O segredo está na ordem das paradas, pensada para aproveitar a luz da manhã, o calor da tarde e o pôr do sol.

Por que a cidade se chama Luminárias?

O nome vem da serra que fica ao lado da cidade. Segundo relatos de antigos moradores, pontos luminosos de origem desconhecida apareciam na Serra das Luminárias, e a história acabou batizando o lugar.

A serra continua sendo o principal símbolo local. Além da vista para o centro, ela guarda muros de pedra erguidos por escravizados e uma pequena cachoeira, o que ajuda a entender por que a paisagem pesa tanto na identidade da cidade.

A manhã começa pela Capela do Carmo

Conhecida pelos moradores como Igreja Velha, a Capela do Carmo foi construída em 1798 por iniciativa de Dona Maria José do Espírito Santo. Foi ao redor dela que surgiu o povoado de Carmo das Luminárias, origem da cidade atual.

O prédio é tombado pelo patrimônio municipal e passou por restauração recente. Fica na Rua Silva Pinto, no centro, e algumas informações ajudam a não perder a viagem:

  • a capela abre durante as celebrações ou com agendamento na Secretaria Paroquial;

  • a entrada é gratuita;

  • a visita pode ser feita por conta própria ou com guia local.

Qual cachoeira escolher para o meio do dia?

As cachoeiras em Luminárias se espalham pelas serras ao redor, e a maioria fica a poucos quilômetros do centro. Em um roteiro de um dia, o ideal é escolher uma ou duas e dedicar a tarde inteira ao banho.

Algumas ficam dentro de propriedades particulares e cobram entrada, com valores que mudam com frequência. Entre as mais procuradas, cada uma atende a um tipo de visitante:

  • Paredão: a mais próxima do centro, gratuita e movimentada por moradores;

  • Serra Grande: cerca de 8 km no sentido Carrancas, com poço amplo e uma pequena praia;

  • Pedra Furada: a água atravessa um buraco na rocha antes de cair no poço;

  • Mandembe: complexo de três quedas, com a maior piscina natural na queda do meio;

  • Esmeralda: 14 km do centro, com acesso por um pesqueiro e trilha simples.

Capela Velha com fachada branca e amarela e torre de sino em Luminárias, MG
Capela Velha com fachada branca e amarela e torre de sino em Luminárias, MG

Capela Velha com fachada branca e amarela e torre de sino em Luminárias, MG - Foto: Igor Souza

Cachoeira do Didi com queda d’água sobre rochas e poço natural em Luminárias, MG
Cachoeira do Didi com queda d’água sobre rochas e poço natural em Luminárias, MG

Cachoeira do Didi com queda d’água sobre rochas e poço natural em Luminárias, MG - Foto: Igor Souza

Como encarar as estradas de terra até as quedas?

Boa parte do caminho até as cachoeiras é feita em estrada de terra. Para a Serra Grande, a Pedra Furada e o Mandembe, o carro precisa enfrentar trechos sem asfalto, com sinalização pequena em alguns pontos.

Nada que impeça a visita, mas o trajeto pede atenção redobrada. Antes de sair do centro, vale considerar dois cuidados:

  • confirmar se a estrada está transitável depois de chuvas fortes;

  • contratar guia para a Cachoeira do Lobo, vizinha ao Mandembe, que tem acesso difícil.

Quantos degraus separam a cidade do Cristo?

O fim de tarde fica reservado para o Cristo de Luminárias, que funciona como mirante da cidade. Antes de subir, vale saber o que espera por você:

  • fica no Morro do Cruzeirinho, a pouco mais de 2 km do centro;

  • a estátua tem cerca de 12 metros de altura;

  • a escadaria soma 273 degraus para quem prefere ir a pé.

O acesso é considerado fácil, e quem não quer encarar a escadaria tem outras formas de chegar ao topo. Lá de cima, a vista alcança a cidade inteira e as serras ao redor, com destaque para o pôr do sol.

Como montar o roteiro de um dia em Luminárias?

A cidade é pequena, e os deslocamentos entre o centro e as atrações são curtos. Isso permite visitar os três pontos sem correria, desde que a ordem seja bem pensada.

A lógica é simples: começar pelo centro, gastar a parte mais quente do dia na água e terminar no alto. Na prática, o dia se divide em quatro momentos:

  • manhã: visita à Capela do Carmo e caminhada pelo centro;

  • fim da manhã: deslocamento até a cachoeira escolhida;

  • tarde: banho e descanso nos poços;

  • fim de tarde: subida ao Cristo para o pôr do sol.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Um dia mostra muito, mas não mostra tudo

O roteiro funciona bem como primeiro contato com a cidade, mas deixa de fora boa parte das atrações. O Pico do Gavião, ponto mais alto do município, com cerca de 1.500 metros de altitude, fica para uma próxima visita.

Também ficam de fora as trilhas da Serra Grande e as quedas mais afastadas, que exigem mais tempo de estrada. Para quem gostou do primeiro contato, um fim de semana inteiro dá conta de boa parte dessa lista.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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