Cortada pela BR-040, Ressaquinha guarda uma história que remonta às bandeiras do século XVII em Minas Gerais
Uma rodovia movimentada corta uma cidade cuja origem está ligada a expedições que cruzaram Minas Gerais há mais de 300 anos
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
13/08/2026
A rodovia BR-040 corta hoje uma cidade cuja origem remonta a mais de 300 anos, quando bandeiras paulistas cruzavam o interior de Minas Gerais em busca de ouro e novas terras. Ressaquinha nasceu desse movimento, ligada diretamente à expedição de Fernão Dias Pais Leme, que percorreu a região a partir de 1675. Entre pousos de bandeirantes, fazendas de tropeiros e a chegada da ferrovia, o município acumulou camadas de história que ainda moldam sua identidade.
Como as bandeiras do século XVII deram origem a Ressaquinha?
A formação da região está ligada às bandeiras que cruzaram o interior de Minas Gerais no século XVII, com destaque para a expedição de Fernão Dias Pais Leme. Ele partiu de São Paulo em 21 de julho de 1674 e percorreu o território mineiro de sul a norte, fundando arraiais ao longo do trajeto.
Entre 1690 e 1698, a área que hoje corresponde a Ressaquinha se tornou um pouso frequente para os bandeirantes que seguiam por essa rota, recebendo na época o nome de Encruzilhada do Campo. Esse período inicial de ocupação estabeleceu as bases para os desenvolvimentos que viriam nos séculos seguintes. Alguns marcos ajudam a situar essa origem:
1674: partida da bandeira de Fernão Dias Pais Leme de São Paulo;
1675: chegada da expedição à região que hoje é Ressaquinha;
1690 a 1698: período em que o local se torna pouso de bandeirantes;
Encruzilhada do Campo: primeiro nome registrado para a localidade.
De onde vem o nome Ressaquinha?
O nome atual do município tem origem em um costume comum entre os bandeirantes: eles chamavam de ressaca as clareiras encontradas em meio às matas fechadas. Já existia, na região, um local conhecido por esse nome, e uma pequena clareira próxima passou a ser chamada de Ressaquinha, diminutivo que indicava justamente seu tamanho reduzido em comparação com a área maior.
Esse nome acabou se fixando em uma fazenda onde se hospedou o engenheiro responsável pela Estrada de Ferro Dom Pedro II. Como forma de homenagear os proprietários que o receberam, ele batizou a estação ferroviária com esse mesmo nome, o que determinou a denominação do povoado formado ao redor dela durante a belle époque brasileira.


Antiga estação ferroviária cercada por jardins e áreas verdes no centro de Ressaquinha, MG - Foto: Igor Souza


Igreja Matriz de Ressaquinha com torre central e palmeiras sob céu azul, em Ressaquinha, MG - Foto: Igor Souza
A cidade também guarda memórias do ciclo do ouro e dos tropeiros
Além da conexão com as bandeiras do século XVII, Ressaquinha manteve vínculos importantes com a movimentação de tropeiros durante o período colonial. Em 1787, surgiu a Fazenda Costa da Mina, ponto de parada frequente para quem circulava pela região transportando mercadorias e animais.
Um dos hóspedes frequentes dessa fazenda era o próprio Alferes Tiradentes, figura central da Inconfidência Mineira. Décadas depois, a chegada da ferrovia trouxe uma nova fase de desenvolvimento para a região. Alguns marcos completam essa trajetória:
1787: surgimento da Fazenda Costa da Mina, ponto de parada de tropeiros;
hospedagens frequentes do Alferes Tiradentes na fazenda;
1882: inauguração da estação ferroviária na região;
transferência da sede do distrito para São José da Ressaquinha, atual Ressaquinha.
Que atrativos naturais e culturais marcam Ressaquinha hoje?
Atualmente cortada pela rodovia BR-040, Ressaquinha integra o Circuito Turístico Nascente do Rio Doce e também faz parte da Estrada Real, o que reforça sua vocação para o turismo histórico e ecológico. A zona rural do município reúne diversas opções para quem busca contato com a natureza.
Entre os pontos mais procurados estão a própria Nascente do Rio Doce e o Morro do Neném, local onde o folclore local se mistura com relatos da região. Há ainda cachoeiras, piscinas naturais e um trecho específico da antiga Via União-Indústria, a cerca de um quilômetro do centro. Os principais atrativos incluem:
a Nascente do Rio Doce;
o Morro do Neném, ligado ao folclore local;
cachoeiras e piscinas naturais espalhadas pela zona rural;
o trecho de cerca de 10 km da Via União-Indústria, usado para caminhadas, ciclismo e cavalgadas.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
O que torna a Igreja Matriz São José um destaque à parte?
A Igreja Matriz São José chama atenção já pelos jardins externos, onde a bandeira nacional é desenhada com flores naturais, um detalhe que se tornou característico do templo. O acervo interno, montado aos poucos principalmente a partir da década de 1930, reúne imagens de madeira e gesso com olhos de vidro, incluindo uma representação do Menino Jesus originária da Itália.
Completam o conjunto objetos religiosos de trabalho manual e artesanal, além das pinturas internas feitas na década de 1940 pelo padre alemão Joseph Bütgens, o que torna a igreja um dos pontos mais visitados por quem passa pela cidade.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


Posts que você pode gostar
Todos os Direitos Reservados © 2024
Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com
