Construída para abastecer uma usina, a passarela de 1,5 km do Cânion do Funil hoje é atravessada por quem busca a vista, não a energia

Uma passarela de 1,5 km feita para acompanhar o canal de uma usina virou caminho para ver paredões de pedra e água correndo no fundo de um cânion mineiro

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
12/10/2026

A estrutura não foi pensada para turistas. A passarela de cerca de 1,5 quilômetro que corta o Cânion do Funil acompanha um canal feito para levar água a uma pequena usina hidrelétrica em Santo Antônio do Salto, distrito de Ouro Preto. Hoje, quem percorre esse caminho está mais interessado nos paredões de pedra e na água correndo lá embaixo do que na energia que o canal ajuda a gerar.

Por que existe uma passarela no meio do cânion?

Santo Antônio do Salto fica numa região de relevo muito acidentado, com cachoeiras, corredeiras e cânions ao longo do Rio Gualaxo do Sul. Essa força da água fez do distrito um ponto estratégico para a geração de energia, e três pequenas centrais hidrelétricas foram construídas por ali ao longo do tempo.

Para levar a água até uma delas, foi aberto um canal que acompanha o cânion, e a passarela segue ao lado dele. A obra exigiu esforço: segundo registros sobre a história do distrito, a primeira turbina levou dois dias para chegar, em um caminhão a vapor puxado por juntas de bois. As três usinas do distrito são:

  • Usina do Salto;

  • Usina do Caboclo;

  • Usina do Funil.

A caminhada no Cânion do Funil acompanha o canal do começo ao fim

A trilha começa em terra e, depois de um trecho curto, segue pela passarela, sempre ao lado do canal. O percurso tem cerca de 1,5 quilômetro, e avaliações de visitantes costumam descrevê-lo como fácil. O que chama atenção é a vista: de um lado corre a água do canal, do outro aparecem os paredões e o fundo do cânion.

O passeio pode ser feito por conta própria, mas agências de Ouro Preto também oferecem a caminhada com guia, em roteiros de cerca de três horas que incluem a passagem pelas usinas no caminho. Ir com guia ajuda principalmente quem não conhece as estradas da região. Antes de ir, alguns cuidados deixam a visita mais tranquila:

  • Usar tênis ou calçado fechado com boa aderência;

  • Levar protetor solar, chapéu e água;

  • Não sair da passarela nem entrar no canal;

  • Conferir o acesso e as condições da estrada antes de sair.

Passarela do Cânion do Funil, em Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG, cercada por montanhas
Passarela do Cânion do Funil, em Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG, cercada por montanhas

Passarela do Cânion do Funil, em Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG, cercada por montanhas - Foto: Igor Souza

Passarela do Cânion do Funil, em Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG, entre paredões rochosos
Passarela do Cânion do Funil, em Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG, entre paredões rochosos

Passarela do Cânion do Funil, em Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG, entre paredões rochosos - Foto: Igor Souza

Onde fica Santo Antônio do Salto e como chegar?

O distrito fica a cerca de 35 quilômetros do centro de Ouro Preto, a 800 metros de altitude, no fundo de uma depressão da serra onde está Lavras Novas. Quem sai de Belo Horizonte percorre cerca de 130 quilômetros, pela BR-356, até Ouro Preto, e depois segue por estradas de terra até Santo Antônio do Salto.

A partir de Lavras Novas, são cerca de 10 quilômetros pela Estrada do Caboclo, com descida forte, que vence mais de 400 metros de desnível. Há ainda caminhos alternativos, mais longos, pela Chapada ou pela região da Cachoeira dos Namorados. Em dias de chuva, o ideal é redobrar a atenção, porque todos os acessos têm trechos de terra.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O que mais conhecer em Santo Antônio do Salto?

O cânion não é o único motivo para descer a serra. O distrito, com pouco mais de mil moradores, é cercado por mata e cachoeiras de grandes quedas. A mais conhecida é a Cachoeira do Rapel, com cerca de 200 metros de altura. Segundo a prefeitura, a altura dessa queda é uma das explicações para o nome do lugar. A outra diz que ali era o último ponto onde se atravessava o rio.

O calendário local também movimenta o distrito, com festas religiosas, grupos de música, congado e um festival dedicado à cultura e à comida típica da região. Se der, vale dormir por lá para não fazer tudo às pressas. Para quem quer aproveitar a viagem além da passarela, vale incluir no roteiro:

  • A Cachoeira do Rapel, com queda de cerca de 200 metros;

  • A Cachoeira do Toninho;

  • A festa de Santo Antônio, padroeiro do distrito, em 13 de junho;

  • O Festival de Cultura e Culinária Típica, em agosto;

  • A festa de Nossa Senhora dos Remédios, no Fundão do Cintra, também em agosto.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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