Considerada a maior rota turística do Brasil, a Estrada Real ganhou um passaporte para colecionar carimbos
Uma viagem de mais de 1.600 km por três estados agora vem com um jeito de comprovar, cidade por cidade, cada trecho percorrido
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
13/08/2026
Percorrer mais de 1.630 quilômetros entre três estados brasileiros agora rende, além da experiência de viagem, um registro físico de cada etapa cumprida. A Estrada Real, considerada a maior rota turística do Brasil, ganhou um passaporte próprio, no qual viajantes colecionam carimbos conforme avançam pelos diferentes caminhos que formam o trajeto. O documento transforma uma viagem histórica em um desafio prático, com regras específicas para quem deseja completar cada trecho.
O que caracteriza a Estrada Real como a maior rota turística do Brasil?
A Estrada Real reúne história colonial, cidades históricas e paisagens naturais ao longo de um trajeto que atravessa Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Com 1.630 quilômetros de extensão total, a rota conecta mais de cem cidades, ligando o interior mineiro ao litoral fluminense e ao território paulista.
Essa combinação entre extensão, número de cidades e diversidade de atrativos é o que sustenta o título de maior rota turística histórica do país. O trajeto pode ser percorrido de diferentes formas, o que amplia ainda mais o público interessado em completar o percurso. Alguns números resumem essa dimensão da Estrada Real:
1.630 quilômetros de extensão total;
mais de cem cidades conectadas pela rota;
três estados atravessados: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo;
possibilidade de percurso de carro, moto, bicicleta, a cavalo ou a pé em trechos específicos.


Passaporte da Estrada Real carimbado diante do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas - Foto: Igor Souza
Como e por que a coroa portuguesa criou esses caminhos?
A origem da Estrada Real remonta a meados do século XVIII, quando a coroa portuguesa decidiu oficializar os caminhos usados para transportar ouro e diamantes extraídos do interior de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. A medida buscava organizar o fluxo de riquezas durante o auge do Ciclo do Ouro, período de intensa exploração mineral na região, e também facilitar o controle fiscal sobre tudo o que saía das minas rumo ao litoral.
Com o tempo, essa rede de transporte se dividiu em trajetos distintos, cada um direcionado a uma função específica dentro da economia colonial. Essa divisão histórica segue sendo a base da organização atual da rota, estruturada em quatro caminhos principais:
o Caminho Velho, ligação mais antiga entre Minas Gerais e o litoral;
o Caminho Novo, criado posteriormente para agilizar o transporte;
o Caminho dos Diamantes, ligado à região diamantífera de Diamantina;
o Caminho do Sabarabuçu, trecho vinculado à região de Sabará.
O passaporte funciona como registro oficial da viagem pelos caminhos
Cada carimbo recebido funciona como prova de que o viajante passou por determinada cidade ao longo da Estrada Real. Ao longo do percurso, existem tanto pontos de check-in para o passaporte virtual quanto pontos físicos de carimbo, distribuídos por cidades específicas de cada caminho.
Todos os carimbos precisam ser solicitados gratuitamente em locais oficiais, como centros de informação turística, hotéis, pousadas, museus e restaurantes cadastrados. Apenas um carimbo é aceito por cidade, e somente os registros oficialmente reconhecidos pelo Instituto Estrada Real têm validade dentro do sistema do passaporte.


Passaporte da Estrada Real carimbado diante de totens turísticos em Entre Rios de Minas, MG - Foto: Igor Souza
Quantos carimbos são necessários para completar cada caminho?
Cada um dos quatro caminhos da Estrada Real exige uma quantidade mínima diferente de carimbos para ser considerado concluído. Essa exigência varia de acordo com a extensão e o número de cidades disponíveis em cada trajeto, o que torna alguns caminhos mais rápidos de completar do que outros.
Ao reunir o número mínimo exigido em um determinado caminho, o viajante passa a ter direito a um certificado oficial de conclusão daquele trecho específico. As exigências mínimas para cada um dos quatro caminhos são:
Caminho dos Diamantes: 10 carimbos;
Caminho Novo: 8 carimbos;
Caminho Velho: 14 carimbos;
Caminho do Sabarabuçu: 4 carimbos.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
Como funciona a coleta dos carimbos na prática?
Na prática, o viajante pode optar entre o passaporte físico, carimbado presencialmente em cada parada, ou o passaporte virtual, que utiliza pontos de check-in específicos ao longo do trajeto. As duas versões seguem as mesmas regras de validação estabelecidas pelo Instituto Estrada Real.
Independentemente do meio de transporte escolhido, seja carro, moto, bicicleta, a cavalo ou a pé em trechos pontuais, a lógica do passaporte permanece a mesma: reunir carimbos válidos até atingir o mínimo exigido pelo caminho escolhido. Esse formato transforma a viagem histórica em um objetivo com início, meio e certificado final, dando um propósito extra a quem já pretendia conhecer as cidades da rota.


Passaporte da Estrada Real diante da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Lavras Novas, Ouro Preto - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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