Congonhas: A cidade dos profetas fica no Quadrilátero Ferrífero, a menos de 80 km de Belo Horizonte
Doze profetas de pedra-sabão, 66 esculturas em capelas e uma festa religiosa de séculos: a cidade da BR-040 que guarda a principal obra de Aleijadinho
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
02/10/2026
Doze homens de pedra-sabão encaram o vale do alto de um adro há mais de dois séculos, e quase ninguém passa por eles sem diminuir o passo. Em Congonhas, os profetas de Aleijadinho dividem a paisagem com as minas de ferro e com a rotina de uma cidade do interior que segue em movimento. É uma das viagens mais completas que se pode fazer a partir da capital mineira.
Onde fica Congonhas e como chegar a partir de BH?
Congonhas está na região Central de Minas Gerais, a cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte. O caminho mais usado é a BR-040, no sentido Rio de Janeiro, o que torna a cidade uma opção prática para um bate-volta de fim de semana.
A cidade faz parte do Quadrilátero Ferrífero, uma das principais regiões de mineração de ferro do país. Antes do ferro, porém, foi o ouro do século 18 que atraiu os primeiros moradores. Para organizar a ida, vale considerar:
Saia cedo para aproveitar a luz da manhã no santuário;
Confira o calendário religioso, porque setembro muda o ritmo da cidade.
Quem construiu o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos?
A história começa com Feliciano Mendes, um minerador português que, segundo os registros, ergueu uma cruz no alto do morro em 8 de abril de 1757. Ali nasceu um pequeno oratório, que cresceu com o tempo até se tornar o conjunto que se vê hoje.
Em 1957, o papa Pio XII elevou a igreja à condição de basílica menor. Quase três décadas depois, em 1985, a Unesco reconheceu como Patrimônio Mundial o conjunto, formado por:
A basílica do Senhor Bom Jesus;
O adro com os doze profetas;
As seis capelas dos Passos da Paixão.
Por que os profetas de Aleijadinho impressionam tanto?
As doze esculturas em pedra-sabão foram feitas entre 1800 e 1805, na fase final da vida do artista. Cada profeta segura um pergaminho com uma mensagem que convida à reflexão e à penitência, e a disposição no adro cria um diálogo entre as figuras.
O impacto vem também da posição: elas ficam diante da escadaria, com a cidade e as montanhas ao fundo. Durante a visita, repare em alguns detalhes:
As expressões diferentes em cada rosto;
Os textos em latim gravados nos pergaminhos;
O desgaste da pedra causado pelo tempo;
A relação entre as estátuas e a fachada da basílica.


Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos com esculturas dos profetas em Congonhas, MG - Foto: Igor Souza


Escultura de um dos profetas diante da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, MG - Foto: Igor Souza
O que fazer em Congonhas além do santuário?
Quem tem mais tempo encontra outros pontos que ajudam a entender a formação da cidade. O Museu de Congonhas, dedicado ao santuário e à obra de Aleijadinho, é um bom começo, porque dá contexto ao que se vê no alto do morro.
Pelo centro histórico, a caminhada é tranquila e rende boas paradas. Entre os locais que merecem atenção estão:
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição;
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário;
O Beco dos Canudos, com casas antigas e lojas de artesanato;
O Salão dos Ex-Votos, no conjunto do santuário;
A antiga estação ferroviária.
Quando acontece o Jubileu do Senhor Bom Jesus?
O Jubileu é a maior festa religiosa da cidade e acontece todos os anos entre 8 e 14 de setembro. A celebração foi instituída pelo papa Pio VI em 1779 e reúne romeiros de diferentes regiões, que sobem o morro para cumprir promessas e acompanhar as missas.
Nesses dias, o movimento cresce bastante, e as ruas ao redor do santuário ficam tomadas por fiéis e barracas. Fora de setembro, outras datas também mantêm a tradição viva:
As procissões da Semana Santa;
Os tapetes de rua do Corpus Christi.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Congonhas vive entre a fé e a mineração
O ferro segue como base da economia local, e as marcas da atividade aparecem nas serras ao redor logo na chegada pela estrada. Essa convivência entre patrimônio histórico e mineração faz parte da identidade da cidade.
Para quem visita, o contraste é parte da experiência. Em poucas horas, dá para ver de perto uma das obras mais importantes do barroco brasileiro e entender como o Quadrilátero Ferrífero continua moldando a vida em Minas Gerais.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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