Concórdia do Mucuri guarda a Pedra do Jardim, cenário natural que mistura montanhas e tradição cafeeira
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Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
18/10/2025
Da Pedra do Jardim, a vista alcança as montanhas mineiras do Vale do Mucuri e a Pedra de Ladainha, cartão-postal da região. Lá embaixo, em Concórdia do Mucuri, ficam as marcas de um tempo em que o café movia as fazendas e a vida do distrito.
Onde fica a Pedra do Jardim?
A Pedra do Jardim fica no distrito de Concórdia do Mucuri, que pertence ao município de Ladainha, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Ela está a cerca de 18 km do centro de Ladainha.
O distrito ocupa um quarto do território de Ladainha e tem 4.416 moradores. A maior parte deles vive na zona rural, e menos de 700 pessoas moram na área urbana do distrito.
O que a Pedra do Jardim oferece a quem visita?
O local tem um espaço amplo e aberto, com vista para a região. Dali, dá para ver a Pedra de Ladainha, uma grande rocha que se ergue da mata e aparece de vários pontos da cidade.
O local não tem estrutura turística formal, e por isso vale ir com guia ou com alguém que conheça o caminho. Quem sobe encontra um lugar simples, aberto em qualquer horário, que funciona bem para:
piquenique;
acampamento;
passeios para ver a paisagem;
acompanhar o nascer e o pôr do sol;
noites de lua e céu estrelado.
Como o café marcou a história do distrito?
Durante décadas, o café foi o principal produto de Concórdia, e as grandes fazendas organizavam a economia local. Para quem gosta de seguir a rota do café em Minas, essa história ajuda a entender o distrito. Os registros mostram como a tradição se espalhava:
o café aparecia como a principal riqueza do lugar;
a Fazenda Itagiru, do Major Manoel da Silva Tavares, era a mais movimentada do município;
a mesma fazenda tinha engenho com máquinas modernas e uma turbina para fabricar açúcar;
os irmãos Tourinho ajudaram a criar a Estação Ladainha, na Estrada de Ferro Bahia e Minas.
A ferrovia levou movimento à região, mas foi desativada em 1966. Parte do antigo traçado virou uma trilha ecológica, e ainda restam túneis, pontilhões e estações pelo caminho.


Vista da Pedra do Jardim, em Concórdia do Mucuri, MG, com montanhas, vales verdes e estrada rural - Foto: Igor Souza


Vista da Pedra do Jardim, em Concórdia do Mucuri, MG, com vegetação, montanhas e céu com nuvens - Foto: Igor Souza
Como a Estação Ladainha deu nome ao município?
O povoado da estação começou em 1914, com o acampamento das obras que levavam a ferrovia de Teófilo Otoni a Tremedal. A estação foi inaugurada em 26 de dezembro de 1918 e, em 1922, foi escolhida para receber as oficinas da ferrovia.
Segundo a tradição local, o nome veio de um morador conhecido como Podô, que vivia rezando terços. Quando pediram um nome para a estação, o coronel José Ribeiro de Oliveira sugeriu “Ladainha”, em tom de brincadeira, e o nome pegou. Depois disso, a história andou assim:
1918: inauguração da Estação Ladainha;
1922: chegada das oficinas da ferrovia;
1929: o distrito de Concórdia passa a se chamar Ladainha;
1948: Ladainha é elevada a município.
O nome Concórdia nasceu de um acordo de paz
Por volta de 1850, sete homens ocuparam terras da região, incentivados por Teófilo Ottoni, da Companhia do Mucuri. Daí veio o nome Sete Posses. O arraial começou em 1879, e a primeira casa foi a de Sebastião Esteves Dias, conhecido como Pedra.
Em 1902, o povoado virou vila e passou a se chamar Concórdia, em referência a uma celebração de paz entre partidos políticos locais. O complemento “do Mucuri” só veio em 1953, quando o lugar voltou a ser distrito.
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Que tradições religiosas a vila preserva?
A vida religiosa acompanha o distrito desde o começo. Em 1894, Sete Posses foi elevada a freguesia e recebeu seu primeiro vigário, o padre Aristóteles Tancredo Dantas de Carvalho.
Nas décadas seguintes, a fé deixou construções espalhadas pela sede e pelos povoados vizinhos, que até hoje fazem parte da paisagem. Boa parte delas foi obra do frei Gaspar de Modica, e algumas guardam histórias curiosas, como:
a Igreja Matriz, inaugurada em 1907 e reformada entre 1915 e 1917;
o cemitério, aberto em 1908;
o cruzeiro erguido em 1909, depois das Santas Missões;
a Capela de São Francisco de Assis, construída entre 1909 e 1913, a cerca de 4 km da Estação Ladainha;
a Capela de São Domingos, no povoado de Arraial;
a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Estação Ladainha, erguida em dois dias e uma noite em 1917.
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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