Com uma capela do século 19 e cachoeiras de até 50 metros, Serra dos Alves é o vilarejo de Itabira que pouca gente conhece

Um cânion com paredões de mais de 100 metros, uma trilha fácil de 3 km e uma travessia de 45 km na borda da Serra do Cipó

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
09/10/2026

São cerca de 100 moradores, uma praça com uma capela antiga e 16 quilômetros de estrada de terra até o asfalto mais próximo. Serra dos Alves fica colada ao Parque Nacional da Serra do Cipó, em uma região onde cânions com paredões de mais de 100 metros e cachoeiras altas ainda recebem pouca gente.

Onde fica Serra dos Alves e como chegar?

Serra dos Alves pertence ao distrito de Senhora do Carmo, em Itabira, na região central de Minas Gerais. O vilarejo fica na Serra do Espinhaço, faz divisa com o Parque Nacional da Serra do Cipó e está dentro da Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira.

O acesso a partir da capital combina rodovia e estrada de terra, e o último trecho pede atenção, principalmente em dias de chuva. Para planejar a viagem, vale conhecer o caminho mais usado por quem sai de Belo Horizonte:

  • São cerca de 108 quilômetros da capital até o vilarejo;

  • O caminho segue pela BR-381, sentido Vitória, passando por Bom Jesus do Amparo e Ipoema;

  • De Ipoema a Serra dos Alves são 16 quilômetros de estrada de terra.

A Capela de São José marca o centro do vilarejo

Na pracinha central, a Capela de São José é o principal ponto de referência de Serra dos Alves. Erguida em meados da década de 1860, segue a arquitetura colonial do século 19 e continua no centro da vida do lugar.

O vilarejo tem uma Casa de Cultura e um Centro de Atendimento ao Turista, e os moradores se reúnem com frequência para discutir o turismo local. A atividade cresce aos poucos, com a chegada de caminhantes, ciclistas e corredores de montanha.

Como chegar à Cachoeira do Bongue?

A Cachoeira do Bongue é uma das quedas mais altas da região e um dos principais motivos para encarar a estrada de terra. O caminho exige alguma disposição, e dois dados ajudam a entender o que esperar:

  • A queda tem cerca de 50 metros de altura;

  • O acesso leva cerca de 30 minutos de carro e mais uma hora de trilha.

Quem preferir pode fazer todo o percurso a pé, em uma caminhada de aproximadamente 6 quilômetros entre ida e volta. A cachoeira faz parte de um conjunto grande: só na região de Ipoema e Senhora do Carmo, já foram catalogadas 49 quedas d'água.

Rua tranquila com igreja e casas coloridas no distrito de Serra dos Alves, em Itabira, MG - Foto: @praondevou

Casas coloridas aos pés das montanhas no distrito de Serra dos Alves, em Itabira, MG
Casas coloridas aos pés das montanhas no distrito de Serra dos Alves, em Itabira, MG

Casas coloridas aos pés das montanhas no distrito de Serra dos Alves, em Itabira, MG - Foto: @praondevou

Quais cânions dá para conhecer em Serra dos Alves?

O mais acessível é o Cânion dos Marques, a cerca de 3 quilômetros de caminhada, em uma trilha considerada fácil. O rio Tanque corre pelo cânion e forma a Cachoeira dos Marques, boa opção para quem quer conhecer a paisagem sem encarar um percurso longo.

O maior da região é o cânion da Boca da Serra, com cerca de 5 quilômetros de extensão e paredões que passam dos 100 metros de altura. A caminhada por ali exige mais preparo, e a recomendação é ir com um guia local.

Que outras cachoeiras e trilhas valem a visita?

Além do Bongue e dos cânions, Serra dos Alves tem trilhas para diferentes níveis de preparo físico. Algumas podem ser feitas em poucas horas, enquanto outras ocupam o dia inteiro e passam por várias quedas d'água em sequência.

Para montar o roteiro de acordo com o tempo disponível, vale conhecer as opções mais citadas na região, com distâncias e níveis de dificuldade bem diferentes entre si:

  • Trilha do Córrego do Cocho, com 8 quilômetros entre ida e volta, passando pelas cachoeiras Elvira, Véu de Noiva e Embaúbas;

  • Cachoeira da Lucy, com 15 metros de altura e acesso difícil;

  • Cachoeira dos Cristais, com 4 metros de altura;

  • Cachoeiras Alta, do Meio e do Patrocínio, em um percurso mais longo, com entrada paga em algumas delas.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Travessias e mirantes atraem quem gosta de caminhar mais

Para quem quer ir além dos passeios de um dia, Serra dos Alves também é ponto de partida para caminhadas longas e para mirantes com vista ampla da Serra do Espinhaço. Três opções se destacam entre os caminhantes mais experientes:

  • O trajeto do Campo do Garça, com 13 quilômetros entre ida e volta;

  • A Travessia Alto Palácio, com 45 quilômetros em dois ou três dias, chegando a 1.660 metros de altitude;

  • O Mirante do Morro Redondo, a 1.200 metros de altitude.

Perto do vilarejo, o Parque Estadual Mata do Limoeiro, com cerca de 2 mil hectares, completa as opções de natureza e cobra taxa de entrada. Os passeios guiados costumam reunir grupos de até 10 pessoas, e dá para se hospedar no próprio vilarejo ou em Ipoema.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

Posts que você pode gostar

Todos os Direitos Reservados © 2024

Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com