Com torre única e relógio visível de quase toda a cidade, a Igreja de Santa Rita coroa os 57 degraus mais fotografados de Serro
Uma torre única com relógio visível de quase toda a cidade guia visitantes até uma escadaria de pedra que virou uma das mais fotografadas de Minas
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
21/08/2026
Quem chega à parte alta de Serro avista de longe a mesma referência que orienta os moradores há séculos: o relógio da torre da Igreja de Santa Rita, visível de quase toda a cidade. Erguida ainda no início do século 18, a igreja fica no topo de uma escadaria de pedra com 57 degraus, conhecida na região como escadinha. O conjunto é considerado o principal cartão-postal de Serro e resume boa parte da arquitetura colonial que rendeu ao município um lugar único na história da preservação no Brasil.
Por que a torre da Igreja de Santa Rita é referência visual em Serro?
A igreja tem uma única torre central, erguida acima do restante da construção, com um relógio de grandes dimensões que pode ser visto de quase todos os pontos da cidade. Para quem mora no Serro, o relógio funciona como marcação constante do tempo, quase um símbolo da rotina local.
Essa visibilidade também faz da torre um ponto de referência para quem caminha pelo centro histórico, já que ajuda a localizar a igreja mesmo de ruas distantes. A torre reforça o papel do templo como o edifício mais reconhecível da cidade.
A escadaria de 57 degraus é parte da identidade da cidade
O acesso à igreja é feito por uma longa escadaria de pedra com 57 degraus largos, popularmente chamada de escadinha. O trajeto até o topo é um dos trechos mais fotografados de Serro, tanto pela escadaria em si quanto pela vista que ela oferece.
De lá de cima, é possível avistar:
o centro histórico de Serro, com seus telhados e casarões coloniais;
o Pico do Itambé, a 2.044 metros de altitude.


Vista da Igreja de Santa Rita no alto da escadaria, cercada pelo casario histórico de Serro, MG - Foto: Igor Souza
Quando a igreja foi construída?
A data exata de construção da Igreja de Santa Rita não é conhecida com precisão, mas os primeiros registros indicam o início do século 18. Documentos de 1745 já mencionam campanhas voltadas à ornamentação do templo, o que sugere uma construção anterior a essa data.
Ao longo do século 19, a igreja passou por reformas sucessivas que resultaram na fachada poligonal vista atualmente. Essas mudanças fazem parte do conjunto de características que hoje definem a arquitetura colonial do Serro.
O que chama atenção na arquitetura do templo?
Além da torre única e da escadaria, o templo reúne elementos internos e externos que remetem à arquitetura religiosa colonial mineira, como pinturas marmorizadas, motivos florais e talhas no interior. A simplicidade da ornamentação contrasta com a imponência da fachada.
Entre os detalhes que compõem a construção estão:
fachada poligonal, resultado de reformas do século 19;
pilares de madeira que sustentam a estrutura interna;
cinco janelas e três portas na fachada frontal;
altar de São Sebastião, encomendado pelo alferes Ângelo Martins de Siqueira.


Escadaria da Igreja de Santa Rita entre jardins e casario histórico no centro de Serro, MG - Foto: Igor Souza
Serro foi a primeira cidade brasileira tombada nacionalmente como conjunto
A Igreja de Santa Rita não tem tombamento individual, mas integra o conjunto arquitetônico e paisagístico de Serro, tombado pelo IPHAN em abril de 1938. O município foi o primeiro do Brasil a receber esse tipo de proteção coletiva, o que ajudou a preservar boa parte de sua paisagem colonial até hoje.
O arquiteto Sílvio de Vasconcelos definiu Serro como uma cidade encantada que parou no tempo, referência à forma como o município manteve suas características do século 18. A igreja, no alto da escadaria, é uma das construções que mais reforçam essa impressão.
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A igreja está passando por alguma restauração?
Sim. A Igreja de Santa Rita está em processo de restauração, com investimento federal voltado à recuperação da estrutura e dos elementos internos do templo. Antes do início dos trabalhos completos, o monumento recebeu um serviço emergencial por meio do Programa Sementes, do Ministério Público de Minas Gerais.
Os principais números do projeto são:
investimento de cerca de R$ 4,7 milhões, viabilizado pelo Novo PAC do governo federal;
prazo inicial de 24 meses para a conclusão dos trabalhos;
cerca de 30% do serviço já concluído até o momento.


Vista do centro histórico de Serro com igreja, casario colonial e ruas entre morros em MG - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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