Com sete salões e 650 metros de galerias, a gruta de Cordisburgo guarda o berço da paleontologia brasileira
Uma gruta mineira com sete salões, fósseis de preguiça gigante e o nome de um naturalista dinamarquês que mudou a ciência no Brasil
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
17/10/2026
Em 1834, um naturalista dinamarquês entrou em uma gruta no interior de Minas Gerais e encontrou ossadas de animais gigantes de eras passadas. O lugar era a Gruta do Maquiné, em Cordisburgo, hoje conhecida como o berço da paleontologia brasileira.
Onde fica a Gruta do Maquiné?
A gruta fica em Cordisburgo, a cerca de 120 km de Belo Horizonte, no Circuito das Grutas. Ela está dentro do Monumento Natural Estadual Peter Lund, criado em 2005. Em números, a parte explorada da caverna tem:
cerca de 650 metros de galerias;
desnível de 18 metros;
sete salões abertos à visitação.
A área protegida não se limita à gruta. O monumento também guarda abrigos de calcário e sítios com pinturas rupestres, como o Salitre, além da flora e da fauna do entorno.
Quem descobriu a gruta?
A gruta foi descoberta em 1825 pelo fazendeiro Joaquim Maria do Maquiné, dono das terras, e ganhou o nome dele. Mas as pinturas rupestres dos abrigos do entorno mostram que grupos pré-históricos já ocupavam a região muito antes disso.
O registro mais antigo de turismo na gruta é de 1908. Desde então, ela recebe visitantes de todo o país e está entre as cavernas mais visitadas do Brasil.
Quais são os sete salões da gruta?
Estalactites de formatos variados acompanham todo o percurso. Os salões são ligados entre si e percorridos em sequência durante a visita.
Cada salão tem nome próprio, e um deles homenageia o cientista que estudou a gruta no século 19. O visitante passa por estes sete espaços:
Salão do Vestíbulo;
Salão das Colunas;
Salão do Trono;
Salão do Carneiro;
Salão dos Lagos;
Salão das Fadas;
Salão Dr. Lund.


Interior da Gruta do Maquiné, em Cordisburgo, MG, com formações rochosas, estalactites e estalagmites - Foto: Igor Souza
Peter Lund fez da gruta o berço da paleontologia
O naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund começou seus estudos científicos na gruta em 1834. Considerado o pai da paleontologia brasileira, ele viveu em Lagoa Santa e deixou marcas que ainda podem ser vistas por quem percorre a região hoje:
o Salão Dr. Lund, batizado em sua homenagem;
o Monumento Natural Estadual, que leva o seu nome;
a Rota das Grutas Peter Lund, que reúne grutas e museus;
o túmulo do naturalista em Lagoa Santa, à sombra de um pequizeiro, como ele pediu.
No Salão das Fadas, foram encontradas grandes ossadas de animais, entre elas restos de um megatério, uma preguiça gigante. Esses fósseis ajudaram a mostrar a riqueza da fauna que viveu em Minas há milhares de anos.
O que aconteceu com a gruta depois de Lund?
Lund passou cerca de dois anos estudando a gruta. Quando ele saiu, em 1836, a entrada foi fechada e a localização se perdeu por décadas.
Foi ali que ele encontrou o Nothrotherium maquinense, pequena preguiça-terrestre que leva o nome da gruta. Até virar destino turístico, a caverna passou por estas etapas:
1825: descoberta por Joaquim Maria do Maquiné;
1834: chegada de Peter Lund;
1836: Lund deixa a gruta, que é fechada;
1862: Augusto Riedel reencontra a entrada;
1908: primeiro registro de turismo;
1967: chegada da iluminação artificial.


Cachoeira em Santa Cruz de Minas MG, vista através de coração vermelho com paredões e vegetação - Foto: Igor Souza
Por que a gruta foi pioneira no turismo?
Além da ciência, a Gruta do Maquiné tem lugar na história do turismo no país. Em 1967, ela se tornou a primeira caverna brasileira a receber iluminação artificial.
O percurso iluminado e as passarelas permitem que pessoas sem experiência em cavernas façam a visita. A gruta também abriga espécies adaptadas à vida no escuro.
Como é a visita hoje?
A gruta fica a cerca de 5 km do centro de Cordisburgo, por estrada asfaltada. De Belo Horizonte, o caminho é pela BR-040 até o trevo perto de Paraopeba, onde começa a MG-231 até a cidade.
A estrutura é simples e organizada, o que facilita a visita mesmo para quem nunca entrou em uma caverna. Alguns pontos ajudam a organizar o dia:
o centro de visitantes tem réplicas de fósseis;
o percurso é sempre acompanhado por monitor;
as saídas para a gruta acontecem a cada hora;
as passarelas facilitam a caminhada;
todo o trajeto é iluminado;
há lanchonete e venda de doces e artesanato.
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Cordisburgo também é terra de Guimarães Rosa
A cidade é a terra natal do escritor Guimarães Rosa, e a gruta faz parte de uma rota que reúne ciência e literatura. A Rota das Grutas Peter Lund liga Cordisburgo a outras cidades da região, com paradas como:
a Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa;
a Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas;
o Museu Peter Lund, na Lapinha;
o Museu Casa Guimarães Rosa, em Cordisburgo;
o túmulo de Peter Lund, em Lagoa Santa.
Com um fim de semana, dá para percorrer a rota e entender como as grutas ajudaram a contar a história de Minas e de seus primeiros habitantes.


Interior da Gruta do Maquiné, em Cordisburgo, MG, com formações calcárias e estalactites - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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