Com pouco mais de 500 habitantes, Acuruí guarda uma represa de 118 anos que já abasteceu a capital mineira
Uma vila de pouco mais de 500 moradores guarda uma represa que ajudou a iluminar a capital mineira há mais de um século, bem antes da eletricidade chegar em massa
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
28/08/2026
Antes de existirem os grandes sistemas de captação que hoje abastecem a Grande BH, uma pequena represa no interior de Minas Gerais já cumpria essa função para a capital recém-nascida, décadas antes da criação da Companhia de Saneamento do estado. Com pouco mais de 500 habitantes, Acuruí, distrito de Itabirito, guarda uma represa de 118 anos que ajudou a iluminar Belo Horizonte em seus primeiros tempos. Hoje, o vilarejo é conhecido por outro motivo: as belezas naturais que atraem cada vez mais visitantes de perto de BH.
Onde fica o distrito de Acuruí?
Acuruí é um distrito do município de Itabirito, na região Central de Minas Gerais, localizado aos pés da Serra do Gandarela, um dos maciços mais preservados do estado. O acesso é feito pela rodovia BR-356, sentido Ouro Preto, a partir da capital mineira.
Apesar do tamanho reduzido, o distrito tem uma posição de destaque dentro do município, tanto pela história quanto pela relação direta com a capital mineira. Alguns números ajudam a entender essa relevância:
Cerca de 80 quilômetros de distância de Belo Horizonte;
Pouco mais de 500 habitantes;
Único distrito de Itabirito integrado à Estrada Real.
A represa de Acuruí já foi essencial para iluminar Belo Horizonte
Em 1908, foi concluída em Acuruí uma barragem de cerca de 40 metros de altura, erguida em uma das cachoeiras do Rio das Velhas, um dos rios mais importantes da região metropolitana. A obra tinha como objetivo fornecer energia elétrica para a recém-criada capital de Minas Gerais, fundada pouco mais de dez anos antes.
Por muitos anos, Belo Horizonte foi literalmente iluminada pela força das águas dessa represa, numa época em que a cidade ainda dava seus primeiros passos como capital. Hoje, a usina hidrelétrica é administrada pela Cemig e tem capacidade de gerar 9,28 megawatts de energia.


Rua de Acuruí, distrito de Itabirito MG, com igreja histórica e grandes cactos ao entardecer - Foto: Igor Souza
Como está a represa depois de mais de um século?
O tempo e a ação humana deixaram marcas visíveis no reservatório ao longo de mais de um século de existência. A extração desordenada de areia nas terras a montante provocou um assoreamento intenso, e hoje boa parte do volume da represa não é mais ocupada por água:
286 mil metros cúbicos ainda são de água;
321 mil metros cúbicos já são de sedimentos.
Ainda assim, o reservatório de Acuruí segue em funcionamento e é hoje um dos pontos mais procurados por quem visita o distrito, tanto pela paisagem quanto pelo valor histórico que carrega, lembrando o papel que teve nos primeiros anos de Belo Horizonte.
Qual é a origem do nome e da história do distrito?
O nome Acuruí tem origem tupi e significa rio das pedras, numa referência direta ao curso d'água que corta o distrito. Os primeiros registros da ocupação da região remontam a 1709, quando bandeirantes já exploravam a área em busca de riquezas minerais.
No século XVIII, a colonização se intensificou com portugueses dedicados à extração de ouro e pedras preciosas. Tropeiros que cruzavam a região pelas trilhas coloniais também contribuíram para o crescimento do povoado, deixando marcas ainda visíveis na arquitetura local.


Cachoeira do Cascalho em Acuruí MG, com quedas d’água entre rochas e mata - Foto: Igor Souza
Que belezas naturais cercam Acuruí?
A paisagem ao redor do distrito é um dos maiores atrativos da região, com dezenas de cachoeiras espalhadas pela Serra do Gandarela. Entre as mais conhecidas estão:
Mais de 50 cachoeiras catalogadas ao redor do distrito;
Algumas com acesso de carro, outras só a pé, por até 16 quilômetros;
Cachoeira da Capanema, com cerca de 70 metros de altura;
Cachoeira Carrancas.
Além das quedas d'água, o distrito também é sede de um olival, plantação rara na região metropolitana de Belo Horizonte, onde são produzidos azeite, azeitona e derivados do leite, como queijo e iogurte, além de produtos feitos com leite de búfala em fazendas vizinhas.
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Acuruí faz parte de uma rota turística que valoriza a região
O distrito integra a Rota Turística Jaguara, um percurso de 62 quilômetros que atravessa áreas rurais de Itabirito, Ouro Preto, Rio Acima e Santa Bárbara. O projeto foi criado para fortalecer o turismo de base comunitária, valorizando a cultura e a economia das comunidades locais.
Além de Acuruí, a rota reúne outras comunidades rurais que compartilham cachoeiras, trilhas e tradições culturais parecidas, todas voltadas para um turismo mais próximo da natureza e das pessoas:
Capanema;
Água Limpa;
Palmital;
Maracujá;
Conceição do Rio Acima;
Galego.


Cachoeira Carrancas em Acuruí, Itabirito MG, entre paredões rochosos e cercada pela natureza - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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