Com pouco mais de 5 mil habitantes, Catas Altas concentra um dos conjuntos barrocos mais preservados do Circuito do Ouro

Com pouco mais de 5 mil habitantes, Catas Altas guarda igrejas do século XVIII tombadas pelo IPHAN, ruas de pedra e cachoeiras aos pés da Serra do Caraça

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
19/09/2026

Aos pés da Serra do Caraça, um município de pouco mais de 5 mil habitantes guarda um dos conjuntos coloniais mais bem preservados de Minas Gerais. Catas Altas nasceu do ouro encontrado no alto das serras da região e, mesmo após o fim do ciclo minerador, manteve intactas ruas de pedra, igrejas do século XVIII e uma praça central que parece ter parado no tempo. Parada do Circuito do Ouro, na Estrada Real, o município combina história e natureza a poucos quilômetros de Belo Horizonte.

Catas Altas nasceu do ouro encontrado nas "catas altas" da Serra do Caraça

O nome do município vem das catas, escavações profundas abertas onde os primeiros veios de ouro foram encontrados, por volta de 1694. A fundação é atribuída ao bandeirante Domingos Borges, em 1703, e o povoado virou freguesia, com o nome de Nossa Senhora da Conceição das Catas Altas, em 1718. Durante boa parte do século XVIII, a localidade esteve entre os núcleos mais ricos do ciclo do ouro mineiro.

Depois do declínio da mineração, Catas Altas seguiu como distrito de Santa Bárbara por mais de 150 anos, só virando município em 21 de dezembro de 1995, pela Lei estadual 12.030. Hoje soma 5.512 habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2010, a cerca de 120 quilômetros de Belo Horizonte. Alguns números resumem essa trajetória:

  • Primeiros veios de ouro encontrados por volta de 1694;

  • Fundação atribuída a Domingos Borges, em 1703;

  • Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Catas Altas criada em 1718;

  • Emancipação política em 21 de dezembro de 1995, após mais de 150 anos como distrito de Santa Bárbara;

  • População de 5.512 habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2010.

Casarões históricos de Catas Altas, MG, com a Serra do Caraça coberta por nuvens ao fundo
Casarões históricos de Catas Altas, MG, com a Serra do Caraça coberta por nuvens ao fundo

Casarões históricos de Catas Altas, MG, com a Serra do Caraça coberta por nuvens ao fundo - Foto: Igor Souza

A Igreja Matriz é um dos conjuntos barrocos mais preservados de Minas Gerais

O maior símbolo religioso da cidade é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, cuja construção começou em 1729 para substituir uma capela menor. Erguida em estilo rococó mineiro, com talha em madeira, a igreja carrega até hoje partes do interior inacabadas, deixando à mostra diferentes fases da obra. Por seu valor histórico e artístico, o templo foi tombado pelo IPHAN em 8 de setembro de 1939, um dos bens religiosos protegidos em nível federal na região.

Outras construções completam esse conjunto: a Igreja do Rosário, erguida em pau a pique em 1739, a Capela de Santa Quitéria, do século XVIII, e a Capela do Senhor do Bonfim, de 1786. Juntas, formam um dos conjuntos barrocos mais completos do interior mineiro. Alguns pontos resumem esse patrimônio:

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, iniciada em 1729 e tombada pelo IPHAN desde 1939;

  • Igreja do Rosário, construída em pau a pique em 1739;

  • Capela de Santa Quitéria, do século XVIII;

  • Capela do Senhor do Bonfim, datada de 1786.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Catas Altas, MG, com fachada branca
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Catas Altas, MG, com fachada branca

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Catas Altas, MG, com fachada branca e detalhes em pedra - Foto: Igor Souza

Ruas de pedra e praças formam um dos núcleos coloniais mais íntegros do Circuito do Ouro

Além das igrejas, chama atenção em Catas Altas a integridade do conjunto urbano ao redor delas. O núcleo histórico foi tombado pelo poder municipal em 1999, e o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Rua São Miguel recebeu proteção própria em 2003, reunindo muros de pedra seca, escadarias e calçamentos erguidos com a mesma pedra usada nas construções da época do ouro.

A Praça Monsenhor Mendes reúne parte desse casario e serve como ponto de partida para conhecer a cidade a pé. Ali perto fica o Solar dos Emery, que hospedou o explorador britânico Richard Burton em 1867, detalhe que reforça a relevância histórica do município para além do ciclo do ouro. Alguns elementos resumem esse conjunto urbano:

  • Núcleo histórico tombado pelo município em 1999;

  • Conjunto da Rua São Miguel, tombado em 2003, com muros e escadarias de pedra;

  • Praça Monsenhor Mendes, centro do casario colonial preservado;

  • Solar dos Emery, que hospedou o explorador Richard Burton em 1867.

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Cachoeiras e o Santuário do Caraça completam o roteiro de quem visita a cidade

Catas Altas também funciona como porta de entrada para o Santuário do Caraça, reserva natural erguida aos pés da serra que dá nome ao município. Além do santuário, quem visita a cidade encontra cachoeiras a poucos minutos do centro histórico, combinação rara entre patrimônio colonial e natureza preservada.

Entre as quedas mais procuradas estão a Cachoeira da Santa, a 1,5 quilômetro do centro e com 10 metros de altura, a Cachoeira Maquiné, com cerca de 20 metros, e a Cachoeira do Quebra Ossos, com poço de cerca de 40 metros de diâmetro. Para trilhas mais longas, o Pico Catas Altas, ou Pico dos Horizontes, chega a 1.810 metros de altitude. Alguns pontos resumem essas opções:

  • Cachoeira da Santa, a 1,5 km do centro, com 10 metros de altura;

  • Cachoeira Maquiné, com cerca de 20 metros de queda;

  • Cachoeira do Quebra Ossos, com poço de cerca de 40 metros de diâmetro;

  • Pico Catas Altas (Pico dos Horizontes), com 1.810 metros de altitude;

  • Proximidade com o Santuário do Caraça, aos pés da serra que dá nome à cidade.

Letreiro do Santuário do Caraça, em Catas Altas, MG, na entrada da área histórica
Letreiro do Santuário do Caraça, em Catas Altas, MG, na entrada da área histórica

Letreiro do Santuário do Caraça, em Catas Altas, MG, na entrada da área histórica - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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