Com pouco mais de 4 mil habitantes, Carrancas concentra uma das maiores quantidades de cachoeiras de Minas Gerais
Escorregador de pedra, cânion, dezenas de poços e uma igreja do século 18 a poucos minutos da praça. Veja a melhor época e como montar o roteiro
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
27/10/2026
Carrancas tem pouco mais de 4 mil moradores e quase 730 quilômetros quadrados de serras, campos e vales no sul de Minas. Para quem chega pela primeira vez, o número que impressiona é outro: dezenas de cachoeiras, poços e corredeiras a poucos minutos da praça, o que explica o apelido de Terra das Cachoeiras.
De onde vem o nome Carrancas?
O nome é mais antigo que a cidade. Escavações de quem procurava ouro numa serra da região, somadas a duas grandes pedras, formaram figuras que, vistas de longe, lembravam rostos de carrancas. A serra ganhou o apelido, e o povoado que nasceu perto dela herdou o nome.
O povoado começou por volta de 1720, quando o capitão-mor João de Toledo Piza e Castelhanos chegou de São Paulo às margens do Rio Grande com parentes, atraído pela terra fértil e pelo ouro. Em 1721 já havia uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, mas o município só foi criado em 1948.
Quantas cachoeiras existem em Carrancas?
Não existe uma contagem fechada, porque o número muda conforme o que se considera cachoeira, poço ou corredeira. Os levantamentos passam de algumas dezenas, e alguns chegam a cerca de 70 quedas, o que coloca as cachoeiras de Carrancas entre as maiores concentrações de Minas Gerais.
A maior parte fica em fazendas particulares, organizada em complexos com cobrança de entrada, e quase todos estão a menos de 15 quilômetros do centro. Os principais são estes:
Complexo da Ponte, com as cachoeiras do Salomão e do Moinho;
Complexo da Toca, com corredeiras, gruta e o Poço do Coração;
Complexo Tira-Prosa, com os poços do Remo, do Pulo e da Canoa;
Complexo da Vargem Grande, com piscinas naturais e a Cachoeira da Esmeralda;
Complexo da Zilda, o mais variado da lista.
O Complexo da Zilda junta cânion, grutas e escorregador de pedra
É o conjunto mais conhecido da cidade e costuma ocupar um dia inteiro. Isso porque reúne no mesmo terreno atrações bem diferentes entre si, umas para quem quer apenas nadar e outras para quem gosta de trilha:
um escorregador natural numa pedra lisa de cerca de 6 metros;
cânion e grutas, com trechos que só podem ser feitos com guia;
cachoeiras e poços como a dos Índios e a dos Anjos.
Cada cachoeira do complexo pode ter cobrança própria, então vale perguntar na entrada o que está incluído. Nos fins de semana e feriados o movimento aumenta, e chegar cedo garante mais espaço nos poços e mais tempo de sol na água.


Passaporte Serra das Cachoeiras em frente à Igreja Matriz de Carrancas, MG, com fachada histórica ao fundo - Foto: Igor Souza


Passaporte da Estrada Real em frente à Igreja Matriz de Carrancas, MG, com fachada histórica ao fundo - Foto: Igor Souza
O que mais a cidade guarda além da água?
No centro, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, erguida em quartzito na primeira metade do século 18, lembra a origem do povoado. A cidade também faz parte do Caminho Velho da Estrada Real e teve estação de trem aberta em 1903 pela Estrada de Ferro Oeste de Minas.
As serras ao redor já serviram de cenário para a televisão. Em 2014, a Chapada do Abanador fez o papel do Monte Roraima na novela Império. No fim da tarde, muita gente sobe aos pontos altos da serra para ver o pôr do sol sobre os vales.
Qual é a melhor época para visitar?
O clima muda bastante ao longo do ano e interfere tanto no volume das cachoeiras quanto no conforto do banho e na segurança das trilhas. De forma geral, o calendário se divide em dois períodos bem distintos:
de abril a setembro chove pouco, mas de junho a agosto as manhãs são frias e a água fica gelada;
de novembro a março as chuvas são mais fortes, as trilhas ficam escorregadias e aumenta o risco de cabeça d’água.
Abril, setembro e o início de outubro costumam juntar tempo mais seco e temperaturas agradáveis para nadar. Em qualquer época, vale evitar os poços depois de chuva forte e seguir as orientações de cada complexo.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Organizar a viagem com antecedência faz diferença
Carrancas fica a cerca de 290 quilômetros de Belo Horizonte, 410 de São Paulo e 440 do Rio de Janeiro. As estradas que levam às cachoeiras são de terra, mas costumam estar em bom estado e não exigem carro com tração nas quatro rodas.
Cada complexo tem regras e horários próprios. Por isso, um pouco de planejamento evita perder tempo na estrada e ajuda a aproveitar melhor cada parada. Algumas atitudes simples facilitam a montagem do roteiro:
reservar mais de um dia, para visitar um complexo diferente a cada manhã;
conferir taxas e horários direto com cada propriedade antes de sair;
contratar guia para os cânions e os trechos mais difíceis;
incluir Tiradentes, a cerca de 90 quilômetros, se sobrar tempo.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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