Com pouco mais de 21 mil habitantes, Perdões carrega o apelido de Cidade da Amizade no Sul de Minas Gerais

Uma lenda com cacho de bananas de ouro maciço, uma matriz de 1870 e uma represa para pesca e passeios de barco às margens da Fernão Dias. Veja o que conhecer

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
07/10/2026

Um cacho de bananas de ouro maciço, oferecido à rainha de Portugal em troca de perdão, está na origem do nome de Perdões. A história atravessou mais de dois séculos e hoje divide espaço com outro traço que a cidade faz questão de mostrar: o jeito acolhedor dos moradores, que rendeu ao município o apelido de Cidade da Amizade.

Por que Perdões é chamada de Cidade da Amizade?

O apelido vem da forma como os moradores recebem quem chega. A hospitalidade e a relação próxima entre as famílias ajudaram a construir essa fama, que aparece na divulgação oficial do município e nas conversas de quem passa pela cidade, às margens da Rodovia Fernão Dias, no Sul de Minas.

Perdões fica no km 677 da BR-381, entre Belo Horizonte e São Paulo, e faz parte da região de Lavras. Para entender o tamanho da cidade que se orgulha do apelido, alguns números ajudam a traçar o retrato do município:

  • Pouco mais de 21 mil habitantes;

  • Área de 276,98 km²;

  • Altitude de 848 metros.

De onde vem o nome Perdões?

A tradição conta que o minerador português Romão Fagundes do Amaral, fugitivo da justiça, pediu perdão à rainha D. Maria I. A história é repetida até hoje na cidade e explica o nome pouco comum do município. Para conseguir o perdão, ele teria feito duas promessas à Coroa portuguesa:

  • Entregar um cacho de bananas todo de ouro maciço;

  • Trazer de Portugal uma imagem do Senhor Bom Jesus.

Segundo a história contada de geração em geração, as promessas foram cumpridas depois que o perdão foi concedido. A devoção ao Senhor Bom Jesus virou o centro da vida religiosa do povoado, e o episódio deu origem ao primeiro nome do lugar, Bom Jesus dos Perdões, mais tarde reduzido para Perdões.

Igreja Matriz com fachada branca e vermelha no centro de Perdões, MG
Igreja Matriz com fachada branca e vermelha no centro de Perdões, MG

Igreja Matriz com fachada branca e vermelha no centro de Perdões, MG - Foto: Igor Souza

Casarões históricos ao redor de uma praça arborizada no centro de Perdões, MG
Casarões históricos ao redor de uma praça arborizada no centro de Perdões, MG

Casarões históricos ao redor de uma praça arborizada no centro de Perdões, MG - Foto: Igor Souza

O arraial cresceu em torno de uma capela

Romão Fagundes chegou à região por volta de 1770 para trabalhar na mineração. Na mesma época, foi erguida a Capela Bom Jesus dos Perdões, e o arraial se formou ao redor dela. A fundação do povoado é atribuída a três nomes que aparecem nos registros históricos:

  • Romão Fagundes do Amaral;

  • Manoel Luiz Cardoso;

  • Manoel Fernandes Airão.

Em 1802, o arraial pertencia ao termo da vila de São José, atual Tiradentes. A elevação a freguesia veio em 1855, quando o nome foi reduzido para Perdões. A antiga capela, dedicada de início ao Senhor Bom Jesus, passou a ser consagrada a Nossa Senhora do Rosário depois da construção da nova matriz.

Quando Perdões se tornou município?

A autonomia chegou em 1911, quando Perdões se separou de Lavras. Em 1º de junho de 1912, o antigo arraial foi elevado à categoria de cidade. No mesmo ano, tomou posse a primeira legislatura da Câmara Municipal, responsável por organizar a administração local.

A vida política da cidade também teve interrupções. Em 26 de novembro de 1930, a Câmara foi dissolvida por decreto e substituída por um Conselho Consultivo, que funcionou até 1936, quando o governo representativo foi retomado. Esse período acompanhou as mudanças políticas que o país viveu depois da Revolução de 1930.

O que ver na Matriz do Senhor Bom Jesus dos Perdões?

A Matriz do Senhor Bom Jesus dos Perdões, construída em 1870, é o principal edifício religioso da cidade. A fachada segue o estilo barroco, e o interior tem decoração rococó, com detalhes que merecem ser observados com calma por quem gosta de arte sacra e arquitetura religiosa.

Em 1992, a igreja passou por uma restauração conduzida pelo padre Miguel Ângelo Freitas Ribeiro para recuperar as características arquitetônicas originais. A antiga capela de Nossa Senhora do Rosário completa o roteiro religioso pelo centro da cidade, que também preserva construções do período colonial.

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A Represa do Funil é o principal atrativo natural

Na divisa com Lavras, a Represa do Funil, formada pelo Rio Grande, é o destino mais procurado por quem busca lazer ao ar livre em Perdões. As águas da represa permitem diferentes atividades:

  • Pesca;

  • Passeios de barco;

  • Passeios de moto aquática;

  • Esportes náuticos.

Perdões fica a cerca de 211 quilômetros de Belo Horizonte, com acesso pela BR-381 ou pela BR-354. A cidade também é cortada pela antiga linha tronco da Rede Mineira de Viação, e a economia combina comércio, serviços, indústria, agropecuária, artesanato e turismo.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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