Com pouco mais de 2 mil habitantes, Casa Grande preserva a tranquilidade do interior de Minas Gerais
2.214 habitantes. Nenhuma pousada badalada, nenhum evento turístico organizado. Só uma cidade pequena vivendo no próprio ritmo
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
09/10/2026
Quinze famílias, sessenta pessoas, um único telhado. Assim era a construção erguida pelo português Bento Correia, que chegou à região em busca de ouro, e que acabou dando nome a essa pequena cidade do interior de Minas Gerais. Com pouco mais de 2 mil habitantes, Casa Grande fica a cerca de duas horas de Belo Horizonte e ainda guarda uma tranquilidade que muitas cidades maiores já perderam. Poucos visitantes chegam até lá sem intenção clara, mas quem passa acaba descobrindo um pedaço de Minas Gerais que resistiu à pressa.
Uma casa deu nome à cidade
A casa original não está mais de pé.
Ficou a história, preservada nos registros sobre a origem do município:
Quinze famílias vivendo sob um único telhado;
Sessenta pessoas, em dependências separadas;
Construção atribuída ao português Bento Correia, no local chamado Pasto dos Eucaliptos;
Exploração de ouro na região, ainda no Brasil Colônia.
Como um garimpo de ouro virou um município agrícola?
O ouro nunca foi abundante o suficiente para sustentar aquele povoado por muito tempo. Com a diminuição do faiscamento, a mineração perdeu força e os moradores passaram a viver da terra. A agricultura segue sendo a principal atividade econômica do município até hoje, com destaque para o feijão, o milho e a soja. A pecuária bovina de leite completa esse cenário, dividindo espaço com as lavouras que cortam a paisagem rural da região. Poucas indústrias se instalaram por ali ao longo dos anos, o que manteve a economia concentrada no campo e reduziu o ritmo de crescimento populacional do município. O vínculo com a terra atravessa gerações, já que a agropecuária é a base da economia local desde o fim do garimpo. Esse enraizamento ajuda a explicar por que a cidade conserva até hoje o ritmo tranquilo do interior.
O distrito de Casa Grande surgiu oficialmente em 22 de setembro de 1921, ainda vinculado ao antigo território de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete. Em 1938, passou a integrar o município de Lagoa Dourada. A emancipação política só veio em 30 de dezembro de 1962, pela Lei nº 2.764. Hoje, o território soma 157,7 quilômetros quadrados, com uma densidade populacional de pouco mais de 14 habitantes por quilômetro quadrado. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal fica em 0,652, classificado como médio pelos parâmetros nacionais.


Praça arborizada em Casa Grande, MG, com letreiro turístico “Eu Amo Casa Grande”, jardins e casas - Foto: Igor Souza


Coreto da Praça São Sebastião em Casa Grande, MG, cercado por palmeiras, com a igreja matriz ao fundo - Foto: Igor Souza
Onde ficam as belezas naturais ao redor de Casa Grande?
A Serra do Pombal domina a paisagem e é uma das belezas naturais mais visíveis do município, com vista de diferentes pontos da região. Trilhas em áreas de Mata Atlântica completam o roteiro, algumas próximas ao centro. A Gruta do Morcego é outro atrativo citado nos roteiros da cidade, uma opção para quem busca um passeio fora do centro. Como a sinalização dos atrativos naturais é limitada, o ideal é pedir orientação a moradores ou à prefeitura antes de sair. A Casa de Cultura é uma boa parada para conhecer a produção local. O espaço reúne peças de artesanato feitas por moradores, em madeira, pintura e tapeçaria.
Além da paisagem, o calendário local reserva datas fixas de celebração popular:
Semana Santa, com celebrações religiosas na Igreja Matriz;
Folias de Reis e de São Sebastião, reconhecidas como patrimônio cultural de Minas Gerais;
Festa de São Sebastião, padroeiro da cidade, em janeiro, com novenas, leilões e missa solene.
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O que resta do dia a dia ao redor dessa praça?
No centro de Casa Grande, a praça onde fica a Igreja Matriz de São Sebastião concentra boa parte da vida social do município. A igreja do padroeiro é ponto de referência para moradores e visitantes. Nos arredores, a história do garimpo e da casa que deu nome à cidade segue viva na memória dos moradores.
Ao redor dessa praça, o dia a dia de Casa Grande segue marcado por poucos elementos, sempre os mesmos:
Comércio simples, concentrado nas ruas centrais;
Casas baixas, sem grandes construções;
Poucas opções de hospedagem na cidade;
Calendário de eventos centrado nas festas religiosas e no aniversário da cidade;
Cerca de 130 km de distância de Belo Horizonte.
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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