Com menos de 600 moradores, Capivari, no Serro, recebe viajantes em casas de família e tem cachoeiras que muitos turistas nem conhecem
Hospedagem na casa de moradores, café no fogão a lenha e cachoeiras fora dos roteiros: o vilarejo mineiro aos pés de um dos picos mais altos de Minas
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
15/10/2025
Em Capivari, o café é passado no fogão a lenha da casa onde você dorme. O vilarejo do Serro tem menos de 600 moradores e fica aos pés do Pico do Itambé. As cachoeiras de lá ainda passam longe dos roteiros mais conhecidos de Minas Gerais.
Onde fica Capivari e como chegar até lá?
Capivari tem poucas ruas, uma pequena igreja e casas que guardam marcas da época da mineração de ouro e diamante. É um lugar pequeno, onde quase todo mundo se conhece.
O vilarejo pertence ao Serro, mas está bem mais perto da natureza do que da cidade. Antes de pegar a estrada, vale ter em mente alguns dados:
fica no Alto Jequitinhonha, na Serra do Espinhaço;
está no lado oeste do Pico do Itambé;
a sede do Serro fica a cerca de 20 km, com trecho de terra;
de Belo Horizonte, a viagem leva cerca de 4h30 de carro.
Como funciona a hospedagem em casas de família?
Os visitantes ficam em pousadas domiciliares de três casais da comunidade, que contam com a ajuda de parentes. Juntas, as casas recebem até 20 pessoas, com refeições no local.
O roteiro foi criado em parceria com a operadora de ecoturismo Andarilho da Luz e reconhecido pelo Ministério do Turismo como iniciativa de turismo de base comunitária. O pacote inclui refeições e condutores nas trilhas.
Quais cachoeiras ficam no entorno do vilarejo?
As belezas de Capivari dependem muito da água que desce da serra. Na época das chuvas, as cachoeiras ficam mais cheias. Na seca, algumas perdem bastante volume.
Boa parte delas fica no Ribeirão do Amaral, a uma caminhada do vilarejo. Cada uma tem um perfil diferente, com poços e acessos variados. Por isso, vale perguntar ao anfitrião qual combina com o seu ritmo. Entre as cachoeiras da região, estão:
Tempo Perdido, a mais conhecida do vilarejo;
Cachoeira do Amaral, no ribeirão de mesmo nome;
Três Marias, formada por três quedas seguidas;
Maria Bruna, com queda pequena e poço pouco profundo;
Cachoeira dos Coqueiros, também entre as mais procuradas.


Cachoeira do Tempo Perdido com queda d’água, praia de areia e paredão rochoso em Serro, MG - Foto: @praondevou


Capela branca com detalhes azuis e casas tradicionais em Capivari, distrito de Serro, MG - Foto: @praondevou
O ecoturismo em Capivari é feito com quem conhece a serra
As caminhadas são acompanhadas por condutores locais. Para subir o Pico do Itambé, o ponto mais alto da Serra do Espinhaço, é preciso pedir autorização ao parque com pelo menos 24 horas de antecedência.
O Parque Estadual do Pico do Itambé protege nascentes das bacias do Jequitinhonha e do Doce. As trilhas duram de duas a quatro horas, e a paisagem muda bastante de um trecho para outro. Pelo caminho, o visitante encontra três paisagens bem marcantes:
cachoeiras e poços para banho;
caminhos antigos usados pelos garimpeiros;
campos de sempre-vivas e picos da serra.
Como é a subida ao Pico do Itambé saindo de Capivari?
Capivari fica no sopé do pico, pelo lado oeste, e é um dos dois acessos ao topo. O outro sai de Santo Antônio do Itambé, sede do parque. O pico passa dos 2.000 metros e é um marco natural de Minas.
Do vilarejo, são cerca de 7 km de estrada até o Poço Preto e mais 6 km de trilha até o cume. O caminho é puxado e depende de autorização do parque. Antes da subida, vale conhecer as regras:
a visita é limitada a 20 pessoas por dia, contando guias;
o pernoite no topo é para até 10 visitantes por noite;
menores de 18 anos precisam de autorização dos pais;
a estação seca vai de junho a agosto;
as chuvas se concentram de novembro a março.
O que a cultura mineira tem a ver com a viagem?
Capivari foi certificada como comunidade quilombola em 2019, segundo a Prefeitura do Serro. O passeio pelo vilarejo inclui as igrejas, o casario antigo e o trabalho dos artesãos locais.
Na mesa, a cultura mineira aparece na broa de milho, no pão de queijo e no café feito na hora. Os anfitriões também costumam contar causos, o que faz parte da experiência tanto quanto as trilhas.
+ Leia também: Qual é a cidade vizinha de Barbacena famosa por seu festival de frutas?
Planejar com antecedência faz diferença
A estrutura do vilarejo é simples, e a hospedagem depende de reserva. As saídas acontecem ao longo do ano, e também é possível montar programas para grupos, com duração e roteiro flexíveis.
Como os passeios exigem organização, vale conversar antes com a operadora. Para aproveitar melhor os dias, alguns pontos merecem atenção:
os roteiros costumam durar quatro dias;
é possível incluir Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras;
há a opção de caminhar de Diamantina até Capivari;
as cachoeiras ficam mais cheias na época das chuvas;
o parque abre para visitação de quarta a segunda-feira;
protetor solar e água são indispensáveis, porque o sol é forte.
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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