Com menos de 50 casas, Chapada é um dos vilarejos mais tranquilos entre os distritos de Ouro Preto
Um povoado da Serra do Trovão não tem sinal de telefone nem banco, mas guarda uma imagem atribuída a Aleijadinho e cachoeiras quase vazias
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
16/08/2026
Não há sinal de celular nem agência bancária em Chapada, e isso parece incomodar muito pouco os cerca de 50 moradores do vilarejo. Distante 110 km de Belo Horizonte e cerca de 15 km do centro histórico de Ouro Preto, o povoado ocupa uma única rua de pouco mais de 500 metros na Serra do Trovão. É um dos menores e mais silenciosos distritos da região, e também um dos que menos mudaram desde o século 19.
Chapada nasceu como povoado minerador no século 18
A localidade teve origem em meados do século 18, quando o objetivo era claramente a mineração de ouro na região entre as serras do Trovão e da Chapada, que dá nome ao vilarejo. O povoado só se consolidou no século seguinte, período em que boa parte das construções que ainda hoje formam o centro foi erguida.
A capela que marca a área central data de 1883, e algumas das casas mais antigas preservam o sistema de pau a pique típico da época. Com o esgotamento das lavras, a economia local migrou para a agricultura e, mais recentemente, para o turismo, hoje a principal fonte de renda do vilarejo.


Casario simples com portas coloridas, telhados coloniais e vegetação no vilarejo de Chapada - Foto: Igor Souza
Por que o vilarejo tem menos de 50 moradores até hoje?
O isolamento ainda define boa parte da rotina de Chapada. O acesso final se dá por um trecho de estrada de terra, e o vilarejo não conta com sinal de telefone celular nem agência bancária — quem visita costuma resolver pagamentos por pix ou cartão usando o wi-fi dos próprios estabelecimentos locais. Levantamentos recentes indicam cerca de 50 moradores fixos, entre eles um pequeno número de crianças e a maior parte dividida entre jovens e idosos.
Essa distância física e digital dos grandes centros ajuda a explicar por que o lugar segue pequeno: em uma única rua de cerca de 500 metros, cabem praticamente todas as casas, a maioria de fatura recente, mas construídas em conformidade com a paisagem urbana original do povoado.
O que a Igreja de Santana guarda de mais valioso?
No largo onde se concentra a maior parte das construções históricas, a Igreja de Santana funciona como o principal marco arquitetônico do vilarejo. O templo abriga uma imagem de Santa Ana identificada pelos órgãos de patrimônio como obra atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. O bem já passou por avaliação tanto do Iphan quanto do órgão estadual de patrimônio de Minas Gerais, reforçando a relevância histórica da peça.
Ao redor da igreja, outros elementos completam o conjunto que forma o núcleo histórico de Chapada:
a Fazenda do largo da Igreja de Santana, um dos imóveis mais antigos do vilarejo;
casas térreas de volumetria simples, algumas ainda em pau a pique;
construções mais recentes, erguidas em harmonia com o traçado urbano original.


Casario antigo com janelas verdes, telhado colonial e área verde no vilarejo de Chapada, em Ouro Preto - Foto: Igor Souza
As cachoeiras completam o roteiro natural do vilarejo
A Cachoeira do Castelinho é a mais conhecida e também a mais concorrida da região, batizada assim por causa da formação rochosa que lembra um castelo. A trilha começa perto da praça principal e tem cerca de 2 km, com um esforço leve, mas com alguns trechos de descida mais exigentes.
Para quem prefere menos caminhada, a Cachoeira do Moinho fica dentro de uma propriedade privada, com acesso praticamente direto do estacionamento e um poço raso, bom até para crianças. Já a Cachoeira do Falcão exige só dez minutos de trilha, mas em uma descida íngreme sobre cascalho solto. Uma opção ainda mais discreta é a Cachoeira das Borboletas, alcançada por uma trilha extra a partir da mesma propriedade que abriga a do Moinho.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
O que mais vale a pena na Chapada?
Fora das trilhas, a vida do vilarejo gira em torno de poucos endereços, mas todos com identidade própria. O pequeno mercado local, ponto de encontro dos moradores no fim do dia, e a casa onde é servido o torresmo tradicional da região — preparado com receita guardada há mais de 30 anos — resumem bem esse espírito caseiro. Aos fins de semana, o restaurante de uma das pousadas locais também abre as portas ao público.
Quem programa a visita com antecedência ainda pode aproveitar outros detalhes do calendário e do acesso ao vilarejo:
Festa da Padroeira Santa Ana, realizada entre 26 e 29 de julho, com direito a cavalgada;
acesso final por trecho de estrada de terra, recomendado de carro;
opção de ônibus até Ouro Preto, com o trecho final feito por transporte de aplicativo.


Casa simples com telhado colonial, porta azul e cadeiras na área externa em Chapada, Ouro Preto - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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