Com mais de 13 mil habitantes, Entre Rios de Minas guarda casarões e uma igreja matriz de estilo neogótico
Uma fachada fora do alinhamento das ruas, um hospital pago por testamento e a raça de cavalo nascida numa fazenda: a cidade mineira cercada por dois rios
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
21/10/2026
Dois rios cercam a cidade, uma igreja de linhas pontudas domina a praça principal e um cavalo criado ali ganhou fama no país inteiro. Entre Rios de Minas, na região de Conselheiro Lafaiete, tem pouco mais de 14 mil moradores, segundo o Censo de 2022, e um centro onde casarões e uma matriz neogótica contam três séculos de história em poucos quarteirões.
Por que a cidade se chama Entre Rios de Minas?
O nome descreve a geografia. A área urbana fica entre os rios Brumado e Camapuã, que nascem em Lagoa Dourada e atravessam o município. Por causa desse desenho, a cidade ganhou o apelido de Mesopotâmia Mineira, em referência à antiga região localizada entre os rios Tigre e Eufrates.
A ocupação começou no início do século 18, com moradores ligados às bandeiras de Fernão Dias, que buscavam esmeraldas no interior. Durante muito tempo, o lugar foi conhecido pelo nome de um dos rios. Alguns marcos ajudam a entender essa trajetória:
Povoamento registrado em 20 de dezembro de 1714;
Criação da Vila do Brumado em 1878;
Instalação do município em 1880.
Como a matriz de Nossa Senhora das Brotas ganhou o estilo neogótico?
A igreja que se vê hoje é resultado de três construções no mesmo terreno. O primeiro registro escrito da capela é um batismo de 1739. Com o tempo, o templo foi substituído e reformado até chegar à forma atual, marcada pelas linhas verticais e pelos arcos pontudos do estilo neogótico. As etapas principais foram estas:
Capela primitiva, documentada a partir de 1739;
Segunda capela, erguida no mesmo local depois da criação da paróquia, em 1832;
Reforma final em 1928, que deu à matriz a aparência atual.
Da segunda construção restaram os altares laterais e a pia batismal. Um detalhe chama a atenção de quem observa a praça: a fachada fica inclinada em relação às ruas, porque a capela original era voltada para as terras de um dos primeiros moradores. Todo 15 de agosto, a igreja recebe a festa da padroeira.
Os casarões guardam a fase de prosperidade da cidade
O centro de Entre Rios de Minas preserva construções que mostram como a cidade cresceu a partir do fim do século 19. Um dos sobrados da Praça Getúlio Vargas, por exemplo, abrigou as primeiras reuniões da Câmara Municipal, em 1878, quando a localidade ainda se chamava Vila do Brumado.
O prédio mais conhecido é o do Hospital Cassiano Campolina, inaugurado em 1910 com recursos deixados em testamento pelo fazendeiro que dá nome ao lugar. A fachada neoclássica tem pinturas decorativas e foi tombada pelo patrimônio estadual em 2018. Na zona rural, o casarão da Fazenda do Tanque também é do fim do século 19.


Igreja Matriz de Entre Rios de Minas, MG, com arquitetura neogótica, torre central e jardim verde - Foto: Igor Souza


Casarão histórico de Entre Rios de Minas, MG, com fachada amarela, janelas azuis e rua de pedras - Foto: Igor Souza
O que o cavalo Campolina tem a ver com Entre Rios de Minas?
A cidade é conhecida como berço da raça. Em 1870, na Fazenda do Tanque, Cassiano Campolina começou a criação a partir de uma égua chamada Medéia e de um garanhão de Mariano Procópio, que havia recebido o animal de Dom Pedro II. O resultado foi uma raça de cavalos de sela que se espalhou pelo país.
Cassiano Campolina morreu em 1904, mas deixou marcas além da raça. Foi o testamento dele que bancou o hospital que leva seu nome, ainda hoje usado por moradores de Entre Rios de Minas e de cidades vizinhas. Na frente do prédio, um busto lembra o criador.
O que ver além do centro histórico?
O município tem muita coisa espalhada pela zona rural, com mais de dez cachoeiras e fazendas antigas. Os passeios pedem carro e, em alguns casos, estrada de terra, mas compensam para quem quer conhecer a parte mais antiga da história local.
Os pontos mais citados por quem visita a região ficam a poucos quilômetros da cidade. Entre os principais, estão:
Ruínas da Casa de Pedra do Gambá, construção de 1701 na Serra do Gambá;
Capela de Nossa Senhora da Lapa de Olhos d’Água, de 1733, tombada em 2000;
Cachoeira do Gordo, a cerca de 16 km do centro, com poço para banho.
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A feira de sábado mostra o ritmo da cidade
Nas manhãs de sábado, a praça da matriz recebe a Feirinha dos Produtores. É um bom momento para ver o movimento do centro e conhecer o que se produz no município. Entre as barracas, aparecem itens que valem a parada:
Doces caseiros;
Pimentas em conserva;
Cachaças artesanais;
Peças de artesanato.
A cidade fica a cerca de 119 km de Belo Horizonte e faz parte do Caminho Velho da Estrada Real. Também está a cerca de 60 km de São João del-Rei e 65 km de Tiradentes, o que permite incluir Entre Rios de Minas em um roteiro maior pelo Circuito Trilha dos Inconfidentes.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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