Com apenas 306 habitantes, Engenheiro Correia é um dos menores distritos de Ouro Preto
Um vilarejo perto de uma das cidades mais visitadas de Minas Gerais tem menos moradores do que muitos condomínios de grandes cidades
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
13/08/2026


Igreja branca e azul no distrito de Engenheiro Corrêa, em Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza
Trezentos e seis moradores dividem um território de mais de 45 quilômetros quadrados no interior de Ouro Preto, um dos números que colocam Engenheiro Correia entre os menores distritos do município. Apesar do tamanho reduzido, o lugar reúne uma história que remonta ao final do século XVII, quando a ocupação demográfica de Minas Gerais avançava pela região. Séculos depois, foi a chegada da ferrovia que definiu o nome pelo qual o distrito é conhecido até hoje.
Onde fica Engenheiro Correia e qual é sua origem mais antiga?
Engenheiro Correia é um distrito de Ouro Preto localizado a cerca de 38 quilômetros da sede do município, ocupando uma área de 45,62 quilômetros quadrados segundo dados da Fundação João Pinheiro. A distância relativamente curta em relação à cidade principal contrasta com o isolamento e a tranquilidade que ainda caracterizam o lugar.
As origens da ocupação remontam ao final do século XVII ou ao início do século seguinte, período em que a expansão demográfica responsável pela formação de Minas Gerais avançava por diferentes pontos do território. Esse processo inicial, no entanto, não guarda relação direta com o nome atual do distrito, que só surgiria séculos mais tarde.
Como a ferrovia deu nome ao distrito?
O crescimento urbano de Engenheiro Correia está diretamente ligado à Estação Ferroviária do Sardinha, inaugurada em 1º de dezembro de 1896 em meio a uma grande celebração local. A estação passou a transportar tanto cargas quanto passageiros, tornando-se rapidamente um ponto de referência para quem vivia na região.
O nome do local mudou após um acidente que resultou na morte de Manoel Francisco Corrêa Júnior, engenheiro residente responsável pela ferrovia. Em sua homenagem, a estação foi rebatizada como Engenheiro Corrêa, denominação que acabou se estendendo ao povoado que cresceu ao redor dela. A criação oficial do distrito, no entanto, só aconteceria décadas depois. Alguns marcos ajudam a organizar essa trajetória:
1º de dezembro de 1896: inauguração da Estação Ferroviária do Sardinha;
homenagem póstuma ao engenheiro Manoel Francisco Corrêa Júnior;
mudança do nome da estação e, posteriormente, do povoado ao redor;
12 de dezembro de 1953: criação oficial do distrito pela lei estadual nº 1.039.
A estação ferroviária resistiu ao tempo até ser restaurada recentemente
A crise no transporte ferroviário brasileiro, intensificada na segunda metade do século XX, levou à desativação da estação em 1997. Sem a movimentação constante de trens, o distrito perdeu parte da dinâmica econômica que sustentava seu crescimento nas décadas anteriores.
Recentemente, no entanto, a antiga estação passou por um processo de restauração e foi reinaugurada em 14 de dezembro, transformando-se em um novo polo cultural e turístico para a região. A recuperação do edifício histórico reforça o valor simbólico que a ferrovia ainda mantém para a identidade local.
Que patrimônio religioso o distrito preserva?
Entre as construções que marcam a paisagem de Engenheiro Correia está a Capela de São José, erguida ainda no final do século XIX. A pequena edificação segue como um dos pontos mais antigos preservados dentro do distrito, refletindo a arquitetura religiosa simples típica de povoados do interior mineiro.
Com o crescimento da população local, a antiga capela deixou de comportar todos os fiéis, o que motivou a construção de um novo templo por volta de 1940. Desde então, as duas construções coexistem como marcos religiosos do distrito, cada uma representando um momento diferente de sua história:
a Capela de São José, do final do século XIX;
a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, erguida por volta de 1940;
a substituição motivada pelo crescimento do número de fiéis na região.
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O que torna Engenheiro Correia um destino de natureza preservada?
Segundo o Censo de 2022 do IBGE, Engenheiro Correia tinha 306 habitantes distribuídos em 127 domicílios particulares permanentes ocupados, número que reforça seu status de um dos menores distritos de Ouro Preto. Esse tamanho reduzido contribuiu para a preservação de fazendas antigas e de áreas de mata praticamente intocadas.
A presença marcante de pequenas aves nas matas ao redor do distrito também chama atenção de visitantes interessados em observação de fauna. Alguns elementos resumem essas características atuais:
população de 306 habitantes, segundo o Censo de 2022;
127 domicílios particulares permanentes ocupados;
fazendas antigas espalhadas pelo território do distrito;
presença expressiva de pequenas aves nas matas do entorno.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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