Catas Altas, MG: a cidade de 5 mil habitantes sem engarrafamento nenhum
Catas Altas é uma cidade histórica tombada pelo IEPHA aos pés da Serra do Caraça, com mais de 50 cachoeiras e vinho de jabuticaba. Fica a 120 km de BH e parece outro mundo
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
08/07/2026
Catas Altas fica a cerca de 120 quilômetros de Belo Horizonte, tem menos de 5 mil habitantes e tem seu perímetro urbano inteiro tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. A cidade surgiu no início do século XVIII com a descoberta de jazidas de metais preciosos na Serra do Caraça e preservou igrejas, casarões e um modo de vida que as cidades maiores foram perdendo ao longo do tempo. É também a porta de entrada para o Santuário do Caraça, considerado uma das sete maravilhas da Estrada Real.
O centro histórico que sobreviveu ao tempo
A Praça da Matriz é o coração da cidade. Dela é possível ver ao mesmo tempo a Igreja Nossa Senhora da Conceição, construída em 1739, e a face da Serra do Caraça ao fundo. Casarões coloniais em bom estado de conservação circundam a praça e formam com a matriz um conjunto que poucos destinos do interior mineiro conseguem oferecer com essa integridade.
A cidade também tem o distrito do Morro D'Água Quente, que guarda outro tipo de beleza. Os muros feitos em canga, as casinhas simples e a atmosfera de vilarejo colonial fazem do lugar um complemento natural ao roteiro histórico de Catas Altas. Os dois pontos que justificam uma visita exclusiva ao núcleo histórico são:
Igreja Nossa Senhora da Conceição (1739): um dos poucos templos mineiros cuja data de fundação é registrada com precisão documental, com altares em douramento e forro pintado;
Bicame de Pedra (1892): aqueduto construído por escravos com técnica inspirada na arquitetura romana, sem uso de cimento, preservando cerca de 200 metros em pedras de quartzito encaixadas.


Centro histórico de Catas Altas com casario colonial, jardins floridos e Serra do Caraça ao fundo - Foto: Igor Souza
O Santuário do Caraça é uma experiência à parte
O Complexo Santuário do Caraça ocupa 11.233 hectares entre Catas Altas e Santa Bárbara, é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural tombada em todas as esferas e foi fundado em 1774 como hospedagem para peregrinos. Dom Pedro II visitou o local em 1881 e registrou no diário a frase que ficou famosa: "Só o Caraça paga toda a viagem a Minas."
O que o visitante encontra hoje no complexo inclui:
A Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, primeira neogótica do Brasil, construída inteiramente com materiais regionais e sem mão de obra escrava;
As ruínas do antigo colégio que formou dois presidentes da República, Afonso Pena e Artur Bernardes, hoje ocupadas por museu e biblioteca;
Cachoeiras com trilhas de diferentes níveis de dificuldade, incluindo a Cascatinha, acessível por percurso de 2 quilômetros com terreno majoritariamente plano;
O avistamento noturno dos lobos-guarás, que visitam o santuário em busca de alimento e são um dos atrativos mais procurados por quem se hospeda no local.
A entrada custa entre R$ 35 e R$ 45 (confira os valores antes de ir) dependendo do dia da semana, e a entrada é permitida até as 15h com permanência até as 17h.


Morro d’Água Quente em Catas Altas com capela colonial, árvore antiga e rua tranquila - Foto: Igor Souza
A gastronomia local tem um produto que ninguém espera encontrar
Catas Altas é famosa pela produção de vinho de jabuticaba, uma tradição local que originou a Festa do Vinho e diferencia a cidade de qualquer outro destino da região. O vinho artesanal é produzido com jabuticabas cultivadas na área e pode ser encontrado em estabelecimentos da cidade. Além do vinho, o doce de jiló é outra iguaria local muito apreciada que vale experimentar.
A culinária nos restaurantes do centro segue o padrão mineiro de raiz, com feijão tropeiro, frango com quiabo e leitão à pururuca. O restaurante do próprio Santuário do Caraça serve bufê de comida mineira acessível a visitantes que não estejam hospedados.
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Catas Altas funciona bem como base para a região toda
A cidade está a 65 quilômetros de Ouro Preto e próxima de Santa Bárbara e Barão de Cocais, o que a coloca num ponto estratégico para quem quer explorar o Circuito do Ouro sem ficar preso a um único município. Quem passa dois dias em Catas Altas consegue combinar centro histórico, Santuário do Caraça e ainda alcançar destinos vizinhos no terceiro dia sem percorrer grandes distâncias.
O ritmo da cidade é exatamente o oposto do que qualquer metrópole oferece. Nada abre tarde e os restaurantes param de servir almoço por volta das 14h. Quem se adapta a esse horário do interior encontra uma cidade que recompensa com silêncio, paisagem e histórias que não estão em nenhum roteiro turístico padrão de Minas Gerais.


Santuário do Caraça em Minas Gerais com igreja neogótica, serra ao fundo e mata ao redor - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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