Catas Altas foi um dos povoados mais ricos do ciclo do ouro e hoje tem pouco mais de 5 mil habitantes em Minas Gerais
Um dos arraiais mais ricos do ciclo do ouro virou uma cidade pequena aos pés da Serra do Caraça, com igreja barroca e trilhas. Veja o que ela guarda hoje
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
08/08/2026
No fim do século XVII, o ouro encontrado nas partes altas da Serra do Caraça transformou um arraial em um dos lugares mais ricos e movimentados de Minas. Séculos depois, Catas Altas virou uma cidade pequena, com pouco mais de 5 mil habitantes, que juntou história colonial e natureza no mesmo endereço. Fica a cerca de 120 km de Belo Horizonte e faz parte do Circuito do Ouro, na Estrada Real. É o tipo de destino que mistura passado e ar livre.
Por que Catas Altas foi um dos povoados mais ricos do ciclo do ouro?
A história da cidade começa por volta de 1694, com a descoberta de minas de ouro na região. Assim como outros arraiais mineiros, Catas Altas nasceu e cresceu por causa do metal, atraindo gente de vários lugares em pouco tempo.
Durante boa parte do período colonial, o arraial se manteve entre os mais ricos e populosos de Minas. Essa força vinha de alguns fatores que se somaram na época:
As minas produtivas nas partes altas da Serra do Caraça;
A chegada constante de garimpeiros e comerciantes;
A posição na rota que ligava as regiões de mineração.
De onde vem o nome Catas Altas?
O nome conta parte da própria história do lugar. A palavra "catas" se refere a um método antigo de extração de ouro, e "altas" aponta para onde ele acontecia: nas partes mais elevadas da Serra do Caraça. É um nome que praticamente descreve o próprio garimpo.
Ou seja, o nome resume a atividade que deu origem à cidade e o cenário em que ela se desenvolveu. As catas mais produtivas ficavam justamente no alto da serra, e é dali que veio a fama e a riqueza do antigo arraial.


Casario colonial e jardim florido diante da Serra do Caraça em Catas Altas, MG - Foto: Igor Souza
O que ver no centro histórico de Catas Altas?
O centro é pequeno e guarda o casario e as construções que sobraram do tempo do ouro. Tudo gira em torno da praça principal, onde fica a igreja mais importante da cidade, cercada por casas antigas e ruas tranquilas. Boa parte dessas construções ainda está de pé e em uso.
Dá para conhecer o essencial a pé, sem correria, prestando atenção nos detalhes de época. Vale reservar tempo para alguns pontos:
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, barroca, do século XVIII;
O Chafariz de Pedra, monumento do século XVIII tombado como patrimônio;
A praça principal, coração do centro histórico;
O casario colonial que resistiu ao fim do ciclo do ouro.
O que faz do Santuário do Caraça uma parada obrigatória?
A poucos quilômetros do centro está o Santuário do Caraça, entre Catas Altas e Santa Bárbara, numa área de mais de 11 mil hectares. O complexo reúne uma igreja, um antigo colégio que hoje funciona como museu e biblioteca e uma pousada dentro da reserva. A igreja principal do santuário é dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens.
Além da parte histórica, o Caraça é procurado pela natureza em volta, com trilhas e paisagens de serra. Entre as opções mais conhecidas estão:
Trilhas como a Cascatinha e o Banho do Imperador;
Cachoeiras, piscinas naturais e grutas na reserva;
A aparição noturna do lobo-guará, atração famosa do local.


Fachada da Igreja Matriz de Catas Altas, MG, com praça, jardim e veículo antigo em primeiro plano - Foto: Igor Souza
A natureza divide espaço com a história
O que diferencia Catas Altas de outras cidades históricas é essa mistura de igreja barroca e serra logo ali. Em um mesmo fim de semana, dá para ver arte sacra de manhã e encarar uma trilha à tarde, sem precisar de longos deslocamentos.
A Serra do Caraça também ajudou a moldar a economia atual, hoje ligada ao turismo e a produtos locais, como o vinho de jabuticaba, que virou marca da cidade. É esse conjunto que atrai quem busca história e sossego no mesmo lugar.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
Um fim de semana rende bem em Catas Altas
Pela proximidade com Belo Horizonte e pela variedade de programas, a cidade funciona bem para uma viagem curta. Dá para combinar o centro histórico, o Santuário do Caraça e as trilhas num roteiro de dois ou três dias, sem pressa.
Para aproveitar melhor e evitar surpresas, vale se planejar antes de viajar. Alguns pontos ajudam a montar o roteiro:
Reservar a hospedagem no Caraça com antecedência, por causa da procura;
Separar um período só para as trilhas e cachoeiras da serra.


Vista aérea do Santuário do Caraça cercado por montanhas e vegetação em Catas Altas, MG - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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