Casas coloridas emolduradas por uma serra imponente formam o cartão-postal de Catas Altas, cidade de menos de 5 mil habitantes

Casas coloridas, uma serra ao fundo e uma tradição centenária com um lobo selvagem: veja por que esse município mineiro surpreende quem viaja

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
10/08/2026

A poucos metros da praça central, fachadas em tons de azul, amarelo e vermelho se alinham como se tivessem sido pintadas na mesma tarde. Ao fundo, os picos da Serra do Caraça fecham o horizonte e dão à paisagem um contraste que raramente passa despercebido. Catas Altas, no centro de Minas Gerais, reúne esse cenário em um perímetro urbano com cerca de 5 mil habitantes. O conjunto arquitetônico remonta ao início do século XVIII, quando o ouro atraiu os primeiros moradores para a região.

O que faz as casas coloridas de Catas Altas chamarem tanta atenção?

O centro histórico da cidade se organiza ao redor de um largo amplo, onde os casarões dividem espaço com a Igreja Matriz. O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais tombou o perímetro urbano, o que ajudou a manter as fachadas e o traçado das ruas praticamente intactos desde o período colonial.

Essa preservação sustenta o efeito visual que chama atenção de quem passa pela cidade pela primeira vez. As cores das casas contrastam com o verde da vegetação e com a rocha exposta da Serra do Caraça, que aparece atrás de quase todos os ângulos possíveis dentro do povoado.

Casario colonial de Catas Altas com a Serra do Caraça ao fundo, em Catas Altas, MG
Casario colonial de Catas Altas com a Serra do Caraça ao fundo, em Catas Altas, MG

Casario colonial de Catas Altas com a Serra do Caraça ao fundo, em Catas Altas, MG - Foto: Igor Souza

Qual é a origem histórica de Catas Altas?

A cidade nasceu nos primeiros anos do século XVIII, período em que a descoberta de ouro na região atraiu garimpeiros e, na sequência, comerciantes e famílias que fixaram moradia ao redor das lavras. O povoado cresceu seguindo o mesmo padrão de outras cidades mineiras da época: ruas estreitas, casas geminadas e uma igreja como ponto central.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição é uma das poucas do estado com data de fundação precisa: em 1739 ocorreu o translado do Santíssimo Sacramento para o novo templo, erguido com fachada barroca e adro amplo. Esse conjunto segue como o principal marco visual do centro da cidade e resume boa parte do patrimônio que se vê hoje:

  • a fachada barroca da Igreja Matriz, voltada para o largo central;

  • os casarões coloniais que emolduram a praça;

  • o calçamento de pedra original, preservado em vários trechos;

  • o adro da igreja, usado até hoje em celebrações religiosas.

Casario colonial colorido, rua de pedra e veículo antigo no centro histórico de Catas Altas, MG
Casario colonial colorido, rua de pedra e veículo antigo no centro histórico de Catas Altas, MG

Casario colonial colorido, rua de pedra e veículo antigo no centro histórico de Catas Altas, MG - Foto: Igor Souza

A Serra do Caraça é o que define a paisagem ao redor de Catas Altas

O Parque Natural do Caraça, criado em 1979, ocupa parte da serra e chega a altitudes de mais de 2 mil metros, com o Pico do Sol atingindo 2.072 metros. A área faz a transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica, o que explica a diversidade de vegetação visível nas trilhas que cortam o parque.

Dentro do mesmo complexo funciona o Santuário do Caraça, onde desde 1982 existe uma tradição conhecida como Hora do Lobo: por volta das 19h30, funcionários deixam comida nos degraus da igreja para um lobo-guará que frequenta o local há décadas. Quem percorre o parque encontra ainda outros atrativos naturais:

  • cachoeiras e poços de água limpa;

  • piscinas naturais formadas pelo relevo rochoso;

  • grutas espalhadas pela serra;

  • mirantes com vista para o vale.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Vale a pena incluir Catas Altas em uma viagem curta?

Catas Altas fica a cerca de 120 quilômetros de Belo Horizonte, distância que permite uma viagem de um dia ou um fim de semana mais tranquilo. A estrutura de hospedagem é simples, compatível com o tamanho da cidade, e a proximidade com o parque facilita combinar as duas visitas no mesmo roteiro.

A cidade também aparece em levantamentos do IBGE como o município com maior PIB per capita do país, resultado da mineração de ferro na região, um dado que contrasta com o ritmo tranquilo observado nas ruas do centro histórico. Para organizar a visita, vale considerar:

  • a reserva antecipada de hospedagem, principalmente no Santuário do Caraça;

  • o acesso por estrada de terra em parte do trajeto até o parque.

Santuário do Caraça cercado por jardins e montanhas da Serra do Caraça, em Catas Altas, MG
Santuário do Caraça cercado por jardins e montanhas da Serra do Caraça, em Catas Altas, MG

Santuário do Caraça cercado por jardins e montanhas da Serra do Caraça, em Catas Altas, MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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