Carmópolis de Minas é a "Capital do Tomate" e esconde muito mais do que lavouras
Uma das maiores produtoras de tomate do estado guarda, longe das lavouras, uma igreja de mais de 200 anos e inscrições rupestres pré-históricas
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
04/08/2026


Vista lateral da Igreja Matriz de Carmópolis de Minas, com torre alta e palmeiras, MG - Foto: Igor Souza
Ser conhecida pelo tomate tem seu lado injusto. Carmópolis de Minas responde por uma das maiores produções do fruto no estado, o que lhe rendeu o apelido de Capital Mineira do Tomate, mas a fama agrícola acaba ofuscando o resto. Por trás das lavouras, a cidade guarda uma igreja de mais de dois séculos, marcas deixadas na pedra antes dos bandeirantes e serras que atraem quem gosta de aventura.
O que a cidade tem além dos tomateiros?
A produção de tomate domina a paisagem e a conversa por bons motivos. São mais de cem mil toneladas colhidas por ano, segundo o circuito turístico da região, o que coloca o município entre os maiores fornecedores de Minas Gerais. Mas quem passa só de olho na lavoura acaba perdendo o que veio antes dela.
A menos de duas horas de Belo Horizonte, Carmópolis de Minas reúne história religiosa, vestígios pré-históricos e áreas de mata preservada num território relativamente pequeno e fácil de percorrer. Vale separar o roteiro em quatro frentes:
a Igreja Matriz, com mais de dois séculos de história;
os sítios arqueológicos com inscrições em rocha;
as serras usadas para escalada e rapel;
as áreas de mata e as cachoeiras do município.
A Igreja Matriz guarda o marco mais antigo da cidade
Se há um ponto que resume o passado local, é a Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora do Carmo, padroeira que batizou a própria cidade. A construção começou em 1807, conduzida pelo padre Domingos da Costa Guimarães, que morreu pouco depois de iniciar a obra. Outros religiosos deram continuidade ao trabalho ao longo das décadas seguintes.
O templo fica na praça central, no coração do município, e resistiu a todas as mudanças pelas quais o lugar passou, incluindo a troca de nome ocorrida em 1948. A devoção a Nossa Senhora do Carmo, aliás, é anterior à emancipação: a paróquia foi instalada oficialmente em 1863, ainda no tempo do Império. Isso a torna um dos elos mais diretos com a fundação do povoado.
Existe algo mais antigo que os bandeirantes por aqui?
Existe, e está gravado na rocha. Carmópolis de Minas tem quatro sítios arqueológicos com petróglifos, inscrições feitas em pedra por povos que viveram na região muito antes da chegada dos colonizadores. São registros ligados à pré-história, o que estende a história do lugar por milhares de anos. É um patrimônio pouco divulgado, mas real.
Esses vestígios costumam passar despercebidos por quem associa a cidade apenas ao campo, mas revelam uma ocupação bem mais antiga. Vale procurar orientação local antes de visitar, já que os sítios ficam em áreas específicas. Para entender essa camada, vale ter em mente alguns pontos:
são quatro sítios distintos dentro do município;
as inscrições foram feitas diretamente na rocha;
os registros remontam a períodos pré-históricos.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Onde a natureza aparece em Carmópolis de Minas?
O relevo montanhoso que inspirou o nome atual também sustenta o lado de aventura. A Serra da Laje é o endereço mais citado para escalada e rapel, com encostas que exigem preparo. Quem sobe é recompensado com uma vista ampla da região e das lavouras ao redor. Ao redor, o município mantém trechos de mata preservada, num contraste direto com as áreas de plantio.
Para quem prefere água a altura, há cachoeiras espalhadas pelo território e a Estação Ecológica Mata do Cedro, voltada à conservação. A cidade integra o Circuito Campo das Vertentes, que reúne destinos do centro-oeste mineiro. Entre as paradas ligadas à natureza, aparecem:
a Serra da Laje, para escalada e rapel;
a Estação Ecológica Mata do Cedro;
as cachoeiras distribuídas pelo interior;
as trilhas pelo relevo montanhoso;
os roteiros do Circuito Campo das Vertentes.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


Posts que você pode gostar
Todos os Direitos Reservados © 2024
Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com
