Carmo da Mata é o município das essências desde que um casal de russos abriu ali uma fábrica de perfumes em 1950
Uma fábrica de perfumes fundada por um casal de russos em 1950 ainda hoje define a identidade de um pequeno município do interior mineiro, cheio de histórias raras
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
22/09/2026
Na década de 1950, um casal de imigrantes russos, já radicado desde o início dos anos 1940 em um pequeno município do interior de Minas Gerais, decidiu voltar sua produção para a fabricação de perfumes. A escolha, incomum para a época, deu início a uma história que atravessa décadas e moldou parte da identidade de Carmo da Mata. Hoje, entre fazendas seculares e uma origem que remonta ao século XVII, a cidade mantém essa marca das essências sem deixar de lado outras camadas de sua trajetória.
Um casal russo colocou Carmo da Mata no mapa dos perfumes
A fábrica surgiu pelas mãos de Vera Broemmé von der Launitz e Georges Broemmé, que fundaram a Georges Broemmé Aromas e Fragrâncias Ltda logo após se instalarem na região. A empresa começou a produzir essências em pequena escala, mas rapidamente virou referência dentro do interior de Minas Gerais. Foi esse trabalho que deu à cidade o apelido de município das essências, hoje repetido por moradores e visitantes, um traço que raramente se repete em cidades do mesmo porte.
Passadas mais de sete décadas, a produção de perfumes segue ativa e continua sendo um dos principais elos entre a cidade e quem vem de fora. O nome da fábrica aparece em roteiros turísticos da região e funciona como ponto de partida para quem quer entender a história local. Mais do que um detalhe curioso, essa origem ajuda a explicar por que Carmo da Mata carrega um lugar próprio no mapa do interior de Minas Gerais.


Estação ferroviária de Carmo da Mata, MG, com prédio histórico e trilhos ao lado da plataforma - Foto: Igor Souza
Como a Picada de Goiás moldou a origem do município?
Desde o século XVII, a região fazia parte da Picada de Goiás, rota usada por bandeirantes e por quem seguia rumo às terras a oeste. Foi só no século seguinte, por volta de 1753, que Inácio Afonso Bragança se estabeleceu ali, atraído pela fertilidade da terra e pela fartura de rios na área.
O núcleo do que viria a ser o município se formou ao redor da Igreja Nossa Senhora do Carmo, homenagem à santa que também batizou a cidade. Esse período inicial deixou marcas que ainda hoje aparecem no cotidiano de Carmo da Mata, atualmente com cerca de 11.019 habitantes segundo o IBGE. Alguns elementos ajudam a entender como essa trajetória histórica se manteve viva até os dias atuais:
A fundação ligada à Igreja Nossa Senhora do Carmo, que deu nome ao município;
A posição estratégica na antiga rota rumo a Goiás;
As festas religiosas e profanas que se repetem há séculos.


Árvore florida em frente a casarão histórico no centro de Carmo da Mata, MG - Foto: Igor Souza
O que o Quilombo guarda a poucos quilômetros do centro?
A cerca de 15 quilômetros do centro histórico fica o Quilombo, povoado de origem negra que preserva tradições próprias dentro do território de Carmo da Mata. A comunidade mantém uma cultura viva, com hábitos que remetem à produção artesanal típica do interior de Minas Gerais. É também ali que moradores e visitantes encontram parte da gastronomia mineira feita do jeito tradicional, sem pressa e com poucas mudanças ao longo do tempo.
A cachaça produzida no local é um dos destaques dessa rotina, ao lado de pratos que seguem receitas passadas entre gerações. Quem se aventura até essa parte do município também encontra atrativos naturais que reforçam o clima de tranquilidade da região. Duas cachoeiras concentram boa parte desse interesse:
Cachoeira do Zé do Mané;
Laje do Osório.
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Quais lugares merecem uma parada além da fábrica de essências?
O centro histórico de Carmo da Mata guarda construções que contam parte dessa trajetória iniciada ainda no período colonial. A chamada Rota dos Casarões reúne exemplos dessa arquitetura antiga, preservada em meio ao crescimento natural da cidade. Caminhar por essas ruas é uma forma direta de entender como o município se desenvolveu ao longo dos séculos, especialmente para quem nunca tinha ouvido falar do município antes.
Fora do núcleo urbano, fazendas seculares seguem funcionando com técnicas que atravessaram gerações sem perder a função original. O município ainda guarda outro atrativo pouco comum para o tamanho da cidade, ligado a um gosto particular por peças históricas. No total, alguns pontos resumem bem o que vale conhecer por ali:
A Rota dos Casarões, com arquitetura preservada desde o período colonial;
O maior acervo particular de carros e relógios antigos de Minas Gerais;
Fazendas seculares que ainda usam monjolos e alambiques artesanais;
A produção local de alimentos e destilados como parte do dia a dia rural.


Praça arborizada no centro de Carmo da Mata, MG, com jardins, bancos e área de convivência - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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