Brumal está no roteiro "Entre Serras: da Piedade ao Caraça", um dos mais bonitos de Minas

Um distrito com mais de três séculos liga dois santuários muito visitados de Minas, entre neblina, festas tradicionais e igrejas do século XVIII

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
31/07/2026

No Quadrilátero Ferrífero, ao pé da Serra do Caraça, um distrito de Santa Bárbara carrega no próprio nome a lembrança da neblina espessa que cobre a região nos meses mais frios. Brumal é parada obrigatória de quem percorre o roteiro Entre Serras: da Piedade ao Caraça, considerado um dos mais bonitos de Minas Gerais por unir dois santuários históricos separados por cerca de 100 quilômetros de estrada. Fundado no início do século XVIII, o distrito guarda um dos núcleos coloniais mais preservados dessa parte do estado.

O que é o roteiro Entre Serras: da Piedade ao Caraça?

O roteiro liga dois dos pontos mais procurados de Minas Gerais: a Serra da Piedade, em Caeté, e a Serra do Caraça, em Catas Altas. Entre esses dois extremos, o percurso passa por Barão de Cocais e Santa Bárbara, município ao qual Brumal pertence, somando cerca de 100 quilômetros de estrada dentro da Estrada Real.

Ao longo do caminho, dezenas de atrativos naturais, religiosos e históricos se distribuem entre as quatro cidades, o que torna o roteiro um dos mais completos da região central do estado. Brumal entra nesse percurso como um dos pontos que conecta a paisagem de montanha à história da mineração colonial.

Brumal é o distrito mais antigo de Santa Bárbara

O povoado nasceu em 1704, fundado pela bandeira liderada por Antônio da Silva Bueno, o mesmo bandeirante paulista apontado como descobridor das minas de ouro que originaram Santa Bárbara. Antes de seguir para o local onde fixaria residência, Bueno teria passado primeiro pelo vale onde hoje fica o centro histórico de Brumal.

Alguns dados ajudam a situar o distrito dentro do contexto regional:

  • Fundação em 1704, pela bandeira de Antônio da Silva Bueno;

  • Distrito mais antigo do município de Santa Bárbara;

  • Localizado no Quadrilátero Ferrífero, na Serra do Espinhaço;

  • A cerca de 83 quilômetros de Belo Horizonte e 8 de Santa Bárbara.

De onde vem o nome Brumal?

O nome original do povoado era Brumado, escolhido pelos próprios fundadores em referência à bruma constante que cobre a região durante o inverno, efeito comum em lugares situados aos pés de serras como o Caraça. O distrito, no entanto, já recebeu outras denominações ao longo de sua história administrativa.

Antes de chegar ao nome atual, oficializado em 1943, o local já foi chamado de:

  • Brumado;

  • Brumado do Mato Dentro;

  • Santana do Brumado;

  • Barra Feliz.

Casarões históricos com janelas coloridas e palmeiras ao redor da praça de Brumal, distrito de Santa
Casarões históricos com janelas coloridas e palmeiras ao redor da praça de Brumal, distrito de Santa

Casarões históricos com janelas coloridas e palmeiras ao redor da praça de Brumal, distrito de Santa Bárbara - Foto: Igor Souza

Bordado artesanal com mapa da Estrada Real produzido pelas tecelãs de Brumal
Bordado artesanal com mapa da Estrada Real produzido pelas tecelãs de Brumal

Bordado artesanal com mapa da Estrada Real produzido pelas tecelãs de Brumal - Foto: Igor Souza

Qual a história por trás da Igreja de Santo Amaro?

A licença para construir a igreja foi solicitada em 1727 por Amaro da Silveira Borges, morador do arraial, e as obras já avançavam a todo vapor em 1730. A construção segue o modelo típico das igrejas mineiras erguidas na primeira metade do século XVIII, com riqueza ornamental que reflete a prosperidade do período aurífero local.

A importância da igreja rendeu reconhecimentos em diferentes esferas ao longo do século XX:

  • Tombamento federal pelo IPHAN em 1941, como patrimônio nacional;

  • Tombamento estadual pelo IEPHA-MG em 1989;

  • Tombamento municipal pela Prefeitura de Santa Bárbara em 2009.

Como era Brumal no auge da mineração?

Registros de 1837 mostram um arraial já consolidado, com 1.073 moradores e 173 casas distribuídas ao redor da igreja matriz. O crescimento seguiu ao longo dos séculos seguintes, e hoje o distrito conta com mais de dois mil habitantes, número que se manteve relativamente estável se comparado a outros núcleos coloniais da região.

Parte desse patrimônio segue visível no centro histórico, que preserva o Largo com o chafariz central, a antiga Casa do Cartório e o prédio da escola velha, hoje transformado em centro comunitário.

A Cavalhada de Brumal é uma das tradições mais fortes da região

Todos os anos, no primeiro domingo de julho, a Praça de Santo Amaro recebe a Cavalhada de Brumal, encenação que remonta às lutas entre mouros e cristãos da Idade Média, com cavaleiros, corridas e música ao vivo. A tradição nasceu de uma promessa feita por Jorge da Silva Calunga, morador do distrito, em 1937.

Passadas quase nove décadas, a festa segue firme como um dos maiores símbolos culturais de Brumal, reunindo moradores e visitantes em torno de uma celebração que atravessou gerações sem perder força.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

Posts que você pode gostar

Todos os Direitos Reservados © 2024

Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com