Bom Sucesso no sul de Minas guarda um centro histórico que o turismo esqueceu

A poucos quilômetros do circuito histórico mais famoso de Minas, existe uma cidade cheia de casarões antigos que o roteiro dos ônibus de turismo nunca alcançou

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
08/08/2026

Basta cruzar a fronteira do circuito mais conhecido de Minas para perceber que nem toda cidade colonial virou cartão-postal. Bom Sucesso, no sul do estado, tem casarões do século XVIII e ruas antigas que quase não aparecem nos roteiros, mesmo estando perto de destinos conhecidos como São João del-Rei e Tiradentes. A cidade cresceu com o ouro e depois com a ferrovia, mas ficou fora do mapa da maioria dos visitantes.

Por que quase ninguém fala desse centro histórico?

A explicação passa pela geografia do turismo em Minas. As atenções costumam se concentrar no eixo de São João del-Rei, Tiradentes e Ouro Preto, que receberam estrutura, pousadas e divulgação ao longo das décadas. Bom Sucesso ficou de lado nesse movimento, apesar de ter surgido no mesmo período das minas de ouro.

O resultado é um centro histórico com pouca movimentação de turistas e ritmo de cidade do interior. Isso tem um lado bom para quem prefere lugares tranquilos e sem filas. Antes de programar a visita, alguns pontos ajudam a entender o perfil da cidade:

  • distância de cerca de 205 quilômetros de Belo Horizonte;

  • proximidade de São João del-Rei e Tiradentes;

  • acesso pela Rodovia Fernão Dias, a 18 quilômetros da sede;

  • população em torno de 17 mil habitantes, segundo o último censo.

Os casarões coloniais guardam a marca dos primeiros moradores

O acervo mais visível da cidade está nas construções antigas. Bom Sucesso preserva casarões coloniais erguidos pelos pioneiros que começaram a chegar no século XVIII, quando a região ainda vivia da mineração. Esses imóveis formam o núcleo do centro histórico e ajudam a contar como o povoado se organizou.

Com o tempo, a economia deixou de depender do ouro e passou para a lavoura e o comércio, movimento que se firmou entre 1815 e 1822, período em que o povoado ganhou população e novas escolas. A cidade mantém ainda um museu e igrejas que reúnem parte dessa memória. Vale reservar um tempo para observar:

  • os casarões coloniais espalhados pelo centro;

  • a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso;

  • o museu que reúne peças ligadas à história local.

Chafariz em frente à Igreja Matriz de Bom Sucesso, MG, cercado por árvores e bancos
Chafariz em frente à Igreja Matriz de Bom Sucesso, MG, cercado por árvores e bancos

Chafariz em frente à Igreja Matriz de Bom Sucesso, MG, cercado por árvores e bancos - Foto: Igor Souza

Praça arborizada com chafariz central e bancos no centro de Bom Sucesso, MG
Praça arborizada com chafariz central e bancos no centro de Bom Sucesso, MG

Praça arborizada com chafariz central e bancos no centro de Bom Sucesso, MG - Foto: Igor Souza

O que a ferrovia deixou para a cidade?

A chegada dos trilhos foi um capítulo importante. Em 1887, um prolongamento da Estrada de Ferro Oeste de Minas alcançou o município e mudou o ritmo do comércio, ligando a cidade a outras regiões. A antiga estação ferroviária ainda marca o ponto onde, segundo a tradição, a comitiva do governador parou no século XVIII.

Parte dessa herança sobrevive nos arredores. No distrito de Aureliano Mourão, a cerca de 14 quilômetros da sede, existe a estação da antiga linha da bitola estreita, aquela por onde passava a Maria Fumaça. Quem gosta de história ferroviária encontra vários vestígios pela região:

  • a antiga estação ferroviária da sede;

  • a estação de Aureliano Mourão, da linha da Maria Fumaça;

  • os ramais que ainda cortam o território do município;

  • as pontes antigas sobre o Rio das Mortes;

  • o traçado da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Vale a pena incluir Bom Sucesso no roteiro?

A resposta depende do tipo de viagem que se procura. Para quem busca movimento e agenda cheia, a cidade pode parecer parada demais. Já para quem quer conhecer o interior de Minas sem multidão, o centro histórico e as tradições religiosas compensam a parada, ainda mais por ficar perto de destinos mais famosos.

A melhor época para sentir a cidade viva é a Semana Santa, marcada pelo Setenário das Dores, quando as celebrações tomam as ruas. Ao longo do ano, o Congado e a Folia de Reis mantêm viva a mesma devoção que originou o nome do lugar. É um roteiro para quem valoriza história vista de perto, com calma. Vale conferir o calendário local antes de programar a ida, já que as festas concentram o melhor da cidade.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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