Bolerata neste sábado (10) e Milho Verde no domingo: roteiro de fim de semana no Serro
Uma igreja no alto da escadaria com vista para o Itambé, queijo reconhecido pela UNESCO e cachoeira a 2 km do centro. Veja como montar os dois dias de viagem
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
09/10/2026
No sábado (10), o Serro encerra a temporada 2026 da Bolerata, com a banda tocando das sacadas dos casarões. No domingo, a 26 quilômetros dali, Milho Verde tem igrejas antigas, cachoeiras perto do centro e um ritmo bem mais lento para fechar a viagem.
Como aproveitar o sábado no Serro antes da Bolerata?
O dia pode começar cedo pelo centro histórico, um dos primeiros conjuntos urbanos tombados pelo patrimônio nacional, em 1938. As ladeiras são íngremes, então vale usar calçado confortável. Quatro igrejas merecem a visita e dá para percorrê-las a pé ao longo da manhã:
Igreja de Santa Rita, no alto de uma longa escadaria, com vista para o Pico do Itambé;
Matriz de Nossa Senhora da Conceição, erguida a partir de 1713;
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída entre 1768 e 1781;
Igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em estilo rococó, com pinturas internas de 1797.
À tarde, a Casa dos Ottoni, casarão do século 18 que abriga o Museu Regional, ajuda a entender a história da antiga Vila do Príncipe. O museu abre de terça a sábado, das 10h às 18h. Perto dali, a Chácara do Barão do Serro, do século 19, mostra como vivia a elite ligada ao comércio de diamantes.
O queijo do Serro merece uma parada
O queijo que leva o nome da cidade é parada obrigatória. O modo de fazer foi registrado como patrimônio imaterial de Minas em 2002 e como patrimônio nacional em 2008. Em dezembro de 2024, os modos de fazer o queijo minas artesanal entraram na lista de patrimônio imaterial da humanidade da UNESCO.
O queijo é feito com leite cru e fermento natural, em uma tradição de mais de 300 anos. Dá para comprá-lo nas lojas tradicionais do centro histórico, e o fim de tarde, antes da Bolerata, é um bom momento para escolher as peças que vão na bagagem.
O que esperar da Bolerata no sábado à noite?
A última Bolerata de 2026 acontece na Praça Dr. João Pinheiro, cercada por casarões coloniais. A Banda de Música Santíssimo Sacramento, grupo centenário do Serro, sobe as escadas dos sobrados e toca das janelas e sacadas, enquanto o público fica no centro da praça, rodeado pela música.
O repertório mistura boleros, fanfarras, peças clássicas, música popular brasileira e seresta mineira. A entrada é gratuita, mas, como é a última noite do ano, a praça tende a encher. Para aproveitar melhor, três cuidados fazem diferença:
Reservar mesa com antecedência com a organização do evento;
Chegar cedo para escolher um bom lugar na praça;
Confirmar o horário de início, que pode mudar a cada edição.


Rua do centro histórico de Serro decorada com luzes para a Bolerata, com igrejas ao fundo, MG - Foto: Igor Souza


Casario colonial em Milho Verde, Minas Gerais, com janelas azuis e rua tranquila - Foto: Igor Souza
Como chegar a Milho Verde no domingo?
Depois da noite de música, o domingo pode começar sem pressa. Milho Verde é um distrito do Serro e fica no Caminho dos Diamantes, um dos trechos da Estrada Real. O trajeto é curto e tranquilo, e duas informações ajudam a organizar a saída:
São cerca de 26 quilômetros a partir da sede do Serro;
A estrada entre a cidade e o distrito é asfaltada.
A primeira parada é a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, tombada pelo patrimônio estadual desde 1980, onde Chica da Silva foi batizada em 1734. Depois, vale subir até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída no século 19 no alto do morro, com uma das vistas mais bonitas do vale.
As cachoeiras fecham o domingo em Milho Verde
Depois das igrejas, a tarde pode ficar reservada para a água. A opção mais prática é a Cachoeira do Moinho, a cerca de 2 quilômetros do centro do distrito, com estrutura para visitantes. É boa para um banho rápido antes de pegar a estrada.
Quem tiver mais tempo e disposição pode encarar a trilha de aproximadamente 5 quilômetros até a Cachoeira do Lajeado. Já a Cachoeira do Piolho, com queda de 30 metros, é procurada para a prática de rapel e exige mais planejamento, de preferência com um guia local.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Onde se hospedar e como organizar a volta?
O Serro concentra a maior parte das opções de hospedagem, mas Milho Verde e o distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras também recebem visitantes. Como é o fim de semana de encerramento da Bolerata, a procura tende a ser maior, e deixar para reservar na última hora pode limitar as escolhas.
Para que o roteiro funcione sem correria, alguns cuidados simples ajudam a aproveitar bem os dois dias e ainda chegar em casa com tranquilidade:
Reservar a hospedagem com antecedência;
Levar roupa de banho e toalha no domingo;
Sair de Milho Verde no meio da tarde, para pegar a estrada com luz do dia.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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