Bichinho, a 7 km de Tiradentes: o vilarejo do artesanato e das paisagens bucólicas
Um vilarejo do século XVIII virou polo de artesanato e arte popular em Minas Gerais. Bichinho fica a 7 km de Tiradentes e pouca gente conhece do jeito certo
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
13/07/2026


Casa Torta em Bichinho com fachadas coloridas, janelas inclinadas e jardim na entrada - Foto: Igor Souza
Bichinho é oficialmente chamado de Vitoriano Veloso, um distrito de Prados que surgiu no século XVIII durante a corrida do ouro em Minas Gerais e que hoje funciona como um dos maiores polos artesanais do turismo em Minas Gerais. O vilarejo fica a 7 quilômetros de Tiradentes e a cerca de 190 quilômetros de Belo Horizonte, com acesso por uma estrada de pedras que já entrega, no caminho, a atmosfera do lugar.
De onde veio o nome Bichinho?
O nome oficial Vitoriano Veloso é uma homenagem ao único inconfidente negro da Inconfidência Mineira. Vitoriano era alfaiate, havia sido alforriado e atuou como mensageiro do movimento em 1789. Não à toa, casas, pousadas e estabelecimentos comerciais do vilarejo adotaram os trincos das portas em formato de tesoura para simbolizar a profissão do personagem que dá nome ao lugar.
O apelido "Bichinho" tem origem controversa. Uma das hipóteses mais documentadas, presente em tese de doutorado de 2018, aponta relação com a imagem de Nossa Senhora da Penha de França, que ficava no altar da antiga capela do arraial. Seja qual for a origem, o apelido colou e hoje é o nome pelo qual o vilarejo é reconhecido em todo o país.
O artesanato de Bichinho é diferente do que você encontra em qualquer outra cidade
A Oficina de Agosto, criada pelo artista Antônio Carlos Bech nos anos 1990, foi o ponto de virada para o vilarejo. Bech usou materiais reciclados e criou uma produção coletiva que transformou moradores em artistas e atraiu outros criadores para o distrito. A oficina chegou a ter mais de 100 funcionários e hoje é referência nacional.
O que se produz e vende em Bichinho inclui:
Móveis e esculturas feitas com material de demolição;
Bordados, tapetes e adornos de pano;
Esculturas em pedra e papel machê;
Pinturas e peças decorativas exportadas para outros estados e para o exterior.
Cada ateliê tem personalidade própria. O visitante consegue conversar com os próprios artistas enquanto compra, o que transforma a experiência de consumo em algo bem diferente de uma loja comum de artesanato.
O que mais vale parar para conhecer em Bichinho?
A Casa Torta é um dos pontos mais fotografados. A edificação tem arquitetura fora do padrão e no interior oferece brinquedos antigos, espaços lúdicos e adereços para quem quer aproveitar o espaço além da foto. A entrada é paga e o acesso pode ser consultado no site do local.
A Igreja Nossa Senhora da Penha é outro ponto de parada obrigatória. Tem estrutura robusta com detalhes barrocos, pinturas sacras e esculturas no interior que contam parte da história religiosa e cultural do vilarejo. A visita é gratuita.
Tem cachaça artesanal e gastronomia mineira de fogão à lenha
Bichinho tem dois alambiques visitáveis. A Mazuma Mineira oferece tour guiado pelo processo completo de produção da cachaça, do plantio da cana à degustação. A Tabaroa tem loja em formato de barril na entrada do distrito, com vendas em doses ou garrafas, acompanhadas de queijos e doces da região.
O restaurante mais famoso do vilarejo é o Tempero da Ângela, que já foi citado no Guia Quatro Rodas. O sistema é de bufê a preço fixo, com comida feita no fogão à lenha e sobremesa e café incluídos no valor.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Como planejar a visita e o que fazer na Serra de São José
Bichinho pertence ao Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes e faz parte da Estrada Real. A Serra de São José, que se estende pelos municípios de São João del-Rei, Tiradentes, Prados e outros, oferece trilhas com boa sinalização, cachoeiras no topo e opções para todos os níveis de caminhada. Quem chega de carro a partir de Tiradentes percorre os 7 quilômetros em cerca de 25 minutos pela estrada de pedras.
Para quem quer aproveitar mais de um dia, os pontos próximos que completam bem o roteiro são:;
Tiradentes, a 7 km, com o conjunto arquitetônico barroco e a gastronomia consolidada;
São João del-Rei, a cerca de 20 km, com igrejas tombadas e o trem histórico em funcionamento;
Prados, a 12 km, com artesanato em madeira, ferro, palha e argila.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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