Berço de Juscelino Kubitschek, Diamantina viu nascer o presidente que depois construiria Brasília ao lado de Oscar Niemeyer
A casa de infância virou museu e a cidade guarda quatro obras de Niemeyer. Conheça o lugar onde cresceu o presidente que tirou Brasília do papel
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
30/09/2026
Numa casa simples da Rua São Francisco, em Diamantina, cresceu o menino que décadas depois mudaria a capital do país de lugar. Juscelino Kubitschek nasceu na cidade em 12 de setembro de 1902 e viveu ali até os 19 anos. Nas ruas de pedra do centro histórico ainda dá para acompanhar a trajetória que levou JK do Vale do Jequitinhonha ao Palácio do Planalto, entre a casa onde cresceu e os prédios que encomendou a Oscar Niemeyer.
Como foi a infância de JK em Diamantina?
Juscelino perdeu o pai muito cedo. João César de Oliveira, caixeiro-viajante, morreu de tuberculose em 1905, quando o filho tinha apenas 2 anos. A partir daí, a criação dele e da irmã mais velha, Maria da Conceição, a Naná, ficou por conta da mãe, Júlia Kubitschek, professora primária de ascendência tcheca.
A família morava numa casa construída em pau a pique, técnica comum no século 18. Foi ali que o futuro presidente passou a infância e a adolescência. Da cidade natal, ele levou para a vida o gosto pelas serenatas, tradição musical muito ligada a Diamantina e presente até hoje nas noites do centro histórico.
A casa de infância virou museu em 1985
Transformada em museu, a Casa de Juscelino fica na Rua São Francisco, 241, no centro da cidade. O acervo ajuda a entender o lado pessoal do político e reúne itens como:
Móveis e objetos pessoais da família;
Fotografias e quadros;
Violões que JK usava nas serenatas.
Segundo a Prefeitura de Diamantina, o museu abre de terça a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos e feriados, das 8h às 13h. Como os horários podem mudar, vale confirmar antes da visita pelo telefone (38) 3531-3607.


Casarões coloniais e igreja histórica no centro de Diamantina, MG, sob céu azul intenso - Foto: Igor Souza
Que caminho levou o menino de Diamantina à política?
Antes da vida pública, Juscelino estudou no Seminário de Diamantina e chegou a trabalhar como telegrafista ainda jovem. Depois, se mudou para Belo Horizonte, onde se formou em medicina. As etapas dessa trajetória mostram como a carreira foi sendo construída:
Estudos no Seminário de Diamantina;
1921: trabalho como auxiliar de telegrafista;
1927: formatura em medicina pela atual UFMG;
1930: especialização em urologia em Paris;
1940 a 1945: mandato como prefeito de Belo Horizonte.
Onde começou a parceria com Oscar Niemeyer?
Foi como prefeito de Belo Horizonte que JK encomendou a Niemeyer o Conjunto Moderno da Pampulha, em volta da lagoa de mesmo nome. O conjunto foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2016. Entre seus prédios mais conhecidos estão:
Igreja de São Francisco de Assis;
Antigo cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha;
Casa do Baile.
A parceria continuou nos cargos seguintes. Como governador de Minas Gerais, entre 1951 e 1955, Juscelino levou o arquiteto para outras cidades do estado, incluindo a própria Diamantina.


Passadiço da Glória ligando casarões históricos sobre rua de pedra no centro de Diamantina, MG - Foto: Igor Souza
Como Brasília saiu do papel em apenas 41 meses?
Juscelino assumiu a Presidência da República em 1956, com o Plano de Metas e o lema "50 anos em 5". A construção da nova capital no Planalto Central era o ponto mais ambicioso do plano. O projeto teve o plano urbanístico de Lúcio Costa e os prédios de Oscar Niemeyer.
Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, depois de 41 meses de obras. JK deixou a Presidência em 1961 e morreu em 22 de agosto de 1976, num acidente de carro na Via Dutra. O nome dele continua ligado tanto à capital quanto à cidade onde nasceu.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
Diamantina guarda quatro obras de Niemeyer
A mais conhecida é o Hotel Tijuco, inaugurado no fim de 1951, quando JK era governador. O prédio tem formato de trapézio invertido, colunas em V e uso de concreto armado. Fica bem diferente dos casarões coloniais ao redor, o que chama a atenção de quem chega ao centro.
Além do hotel, a cidade reúne outros projetos do arquiteto, que convivem com o centro histórico reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1999:
Hotel Tijuco;
Escola Estadual Júlia Kubitschek, que leva o nome da mãe de JK;
Antiga Faculdade Federal de Odontologia, hoje campus da UFVJM;
Praça de Esportos de Diamantina.


Catedral Metropolitana de Santo Antônio com casarões históricos no centro de Diamantina, MG - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


Posts que você pode gostar
Todos os Direitos Reservados © 2024
Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com
