Barão de Cocais nasceu como São João do Presídio de Morro Grande, no início do século XVIII
Antes de virar destino de cachoeiras a menos de 100 km de BH, esse município teve pelo menos cinco nomes diferentes. Entenda como começou
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
16/10/2025
Antes de virar sinônimo de cachoeiras e trilhas a menos de cem quilômetros de Belo Horizonte, esse pedaço de Minas foi um punhado de cabanas às margens do rio São João. Bandeirantes batizaram o lugar no início do século XVIII, décadas antes do nome atual. Essa origem, marcada por mudanças de nome e pela busca por ouro, ainda molda a identidade de Barão de Cocais.
Como surgiu o povoado que daria origem a Barão de Cocais?
Bandeirantes portugueses e brasileiros vindos do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia deixaram o povoado de Socorro e desceram o rio São João por cerca de dez quilômetros. No lugar chamado Macacos, ergueram cabanas simples e uma capela dedicada a São João Batista.
O povoado cresceu ao sopé de um extenso morro, o que deu origem ao nome Morro Grande. O historiador Waldemar de Almeida Barbosa afirma que os bandeirantes decidiram se fixar ali porque encontraram sinais de ouro na região, a chamada Boa Pinta, um indício considerado promissor para os garimpeiros da época.
De onde vem o nome “São João do Presídio do Morro Grande”?
O nome completo reunia três referências importantes para os moradores da época: o padroeiro São João Batista, o morro que marcava a paisagem local e a palavra presídio, usada então para designar um posto de vigilância em regiões de mineração.
Esse não foi o único nome do lugar. Registros históricos mostram outras denominações usadas ao longo dos séculos:
Macacos;
Morro Grande;
São João do Morro Grande;
São João do Morro;
Barão de Cocais, a partir de 1943.
A Igreja Matriz do povoado é obra de Aleijadinho
A construção da atual Igreja Matriz de São João Batista do Morro Grande começou em 1764 e é considerada o primeiro projeto arquitetônico atribuído a Aleijadinho. O artista esculpiu a imagem de São João Batista na porta de entrada e projetou a tarja do arco-cruzeiro no interior do templo.
A obra levou 21 anos para ficar pronta, sendo concluída em 1785. Hoje chamada de Santuário de São João Batista, a igreja pertence à Arquidiocese de Mariana, a primeira diocese criada em Minas Gerais, e guarda esculturas em pedra-sabão na fachada.
Quando o povoado se tornou Barão de Cocais?
A trajetória administrativa do povoado também mudou várias vezes, acompanhando o crescimento da região. O histórico oficial registra estes marcos:
1752: alvará régio cria o distrito de São João do Morro Grande;
1938: o nome do distrito é reduzido para Morro Grande;
31 de dezembro de 1943: emancipação e adoção do nome Barão de Cocais.
O novo nome homenageou o Barão José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, que nasceu e viveu na antiga Vila Colonial de Cocais, hoje distrito do município. A cidade também é conhecida como Portal do Caraça, pela proximidade com a serra vizinha.


Passaporte da Estrada Real com carimbos de Barão de Cocais e outras localidades históricas de MG - Foto: Igor Souza


Fachada da Igreja Matriz de Barão de Cocais, MG, com duas torres e detalhes da arquitetura colonial - Foto: Igor Souza
O distrito de Cocais guarda parte da história do município
Cocais fica a cerca de 14 km da sede, pela MG-436, e foi onde nasceu o barão. O nome vem dos coqueiros da região, e o casario colonial ajuda a contar sua história.
Duas igrejas do distrito são tombadas pelo Iphan desde 1939. Em 2026, a Justiça determinou medidas emergenciais para os dois templos, então vale confirmar a visitação antes de ir. Merecem a visita:
Capela de Sant’Ana, do século XVIII;
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos;
Sobrado do Cartório e casarões coloniais;
Fazenda da Estalagem;
Cachoeira de Cocais, a cerca de 10 km do distrito.
Que belezas naturais cercam a cidade hoje?
Barão de Cocais tem várias cachoeiras e fica perto do Santuário do Caraça, antigo colégio dos padres lazaristas cercado por montanhas. A Cachoeira de Cocais, também chamada de Cachoeira da Pedra Pintada, reúne dez quedas d’água em um paredão de pedra com mais de 30 metros.
Quem gosta de esportes ao ar livre também encontra opções. Entre as atividades mais buscadas estão:
Trilhas na Serra da Cambota;
Escalada em paredões de pedra;
Banho nas cachoeiras do município;
Visitas à Serra do Caraça, com sua paisagem preservada.
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Barão de Cocais também é parada na Estrada Real, perto de Belo Horizonte
A cidade integra o Circuito do Ouro e a Estrada Real, no Caminho dos Diamantes, que liga Ouro Preto a Diamantina. Barão de Cocais é o quinto município desse trajeto, saindo de Ouro Preto, e fica a cerca de 95 quilômetros de Belo Horizonte.
Esse trecho da Estrada Real também guarda vestígios importantes do Ciclo do Ouro que ajudam a contar a história da região:
As ruínas do Gongo Soco, mina de ouro descoberta no início do século XVIII;
O Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, com pinturas de mais de 6 mil anos.
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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