Barão de Cocais guarda uma igreja com altares folheados a ouro e obras atribuídas a Aleijadinho

Altares dourados, esculturas em pedra-sabão e pintura atribuída a grandes mestres revelam uma igreja essencial para entender a arte mineira

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
07/08/2026

Quem atravessa o centro de Barão de Cocais encontra uma construção ligada a nomes centrais da arte colonial mineira. O Santuário de São João Batista começou a ser erguido no século XVIII e reúne altares folheados a ouro, trabalhos em pedra-sabão e uma pintura de teto atribuída a Mestre Ataíde. A visita mostra por que o município guarda um patrimônio que merece atenção além dos roteiros mais conhecidos.

Como essa igreja surgiu no antigo Morro Grande?

Antes do templo atual, existia no local uma pequena capela dedicada a São João Batista, registrada em 1713. A construção da igreja maior começou entre 1763 e 1764, quando o antigo arraial de Morro Grande crescia com a mineração e precisava de um espaço religioso mais amplo.

As obras seguiram durante cerca de duas décadas e formaram um edifício diferente de muitas matrizes do período. A fachada, a posição das torres e os elementos internos aproximam o santuário do trabalho de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho:

  • capela anterior dedicada ao padroeiro;

  • início da nova construção na década de 1760;

  • conclusão do conjunto na década de 1780.

Quais trabalhos são atribuídos a Aleijadinho?

A participação de Aleijadinho aparece em diferentes partes da igreja. Fontes de turismo e patrimônio relacionam ao artista o desenho do frontispício, a organização do arco-cruzeiro e a imagem de São João Batista colocada no nicho da fachada principal.

No interior, a tarja do arco-cruzeiro também é associada ao escultor. A imagem do padroeiro e esse elemento foram executados em pedra-sabão, material presente em outras obras conhecidas do artista em Minas:

  • imagem de São João Batista na fachada;

  • tarja do arco-cruzeiro.

Por que se fala em obras “atribuídas” ao artista?

A palavra “atribuídas” é importante porque parte da autoria foi estabelecida por estudos das características artísticas, documentos históricos e comparações com outros trabalhos. Nem toda participação em edifícios coloniais ficou registrada em contratos completos ou recibos preservados.

No Santuário de São João Batista, instituições de turismo e pesquisa reconhecem traços ligados à linguagem de Aleijadinho. A cautela não diminui o valor da igreja; apenas respeita a maneira como historiadores e órgãos de patrimônio apresentam suas conclusões.

Os altares folheados a ouro mudam a visita

Por fora, a igreja chama atenção pelas duas torres arredondadas sobre bases quadradas, posicionadas de forma diagonal em relação ao corpo central. Por dentro, os altares folheados a ouro ganham destaque junto às talhas, imagens religiosas e detalhes preservados.

O douramento não deve ser visto somente como sinal de riqueza. Nas igrejas coloniais, a ornamentação ajudava a direcionar o olhar dos fiéis e destacar os espaços de devoção. Durante a visita, vale observar:

  • altar principal;

  • altares laterais;

  • trabalhos em madeira;

  • composição entre imagens e talhas.

A pintura do teto também merece atenção?

A pintura do teto é atribuída a Manuel da Costa Ataíde, conhecido como Mestre Ataíde. O artista está ligado a importantes conjuntos religiosos mineiros e se destacou pelo uso da cor, pelas figuras humanas e pela integração da pintura com a arquitetura.

A presença de trabalhos associados a Aleijadinho e Ataíde coloca a igreja em uma posição especial no patrimônio local. Em vez de concentrar o interesse em uma peça isolada, o templo reúne arquitetura, escultura, talha e pintura no mesmo espaço.

Fachada da Igreja Matriz com torres, relógio e detalhes barrocos em Barão de Cocais MG
Fachada da Igreja Matriz com torres, relógio e detalhes barrocos em Barão de Cocais MG

Fachada da Igreja Matriz com torres, relógio e detalhes barrocos em Barão de Cocais MG - Foto: Igor Souza

Pintura sacra no teto da Igreja Matriz de Barão de Cocais MG com detalhes barrocos
Pintura sacra no teto da Igreja Matriz de Barão de Cocais MG com detalhes barrocos

Pintura sacra no teto da Igreja Matriz de Barão de Cocais MG com detalhes barrocos - Foto: Igor Souza

O tombamento protege a igreja e seu acervo

A Igreja Matriz de São João Batista e seu acervo foram tombados pelo Iphan em 1939. A proteção federal reconhece que o valor do lugar não está apenas nas paredes externas, mas também nos altares, nas imagens e nos elementos ligados à história do edifício.

Hoje elevada a santuário, a construção continua atendendo à comunidade religiosa e recebendo visitantes. A entrada deve respeitar celebrações e orientações locais. Antes de viajar, convém:

  • confirmar os horários de abertura;

  • respeitar missas e cerimônias;

  • não tocar nas peças;

  • seguir as regras para registros;

  • reservar tempo para observar o interior.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Vale incluir outros pontos de Barão de Cocais no roteiro?

A visita ao santuário pode ser combinada com lugares ligados à formação do município. O distrito de Cocais preserva a Igreja de Sant’Ana e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, enquanto o Sítio Arqueológico da Pedra Pintada guarda registros rupestres em uma área de serra.

Barão de Cocais também integra roteiros entre a Serra da Piedade e o Caraça. Para uma passagem curta, o melhor é manter o foco no patrimônio histórico e escolher poucas paradas:

  • centro e Santuário de São João Batista;

  • distrito de Cocais ou Pedra Pintada.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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