Até 1996, trens de passageiros ainda cruzavam Rio Acima rumo à Grande BH
A antiga ligação ferroviária levava trabalhadores, estudantes e famílias até a capital e ainda permanece viva na memória dos moradores
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
09/08/2026
Durante décadas, embarcar em Rio Acima para seguir até Belo Horizonte fazia parte da rotina de moradores que precisavam trabalhar, estudar, fazer compras ou buscar atendimento médico. A estação, inaugurada em 1890, integrou uma ligação ferroviária que aproximou a cidade da Grande BH até setembro de 1996, quando o serviço de passageiros foi encerrado. Hoje, o prédio preservado ajuda a contar essa história.
Como começou a ligação ferroviária de Rio Acima?
A estação ferroviária de Rio Acima foi inaugurada em 1890 e fazia parte da Linha do Centro, uma das rotas da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil. A chegada dos trilhos mudou a relação da cidade com os municípios vizinhos e criou um caminho mais direto para Belo Horizonte.
A partir do final da década de 1950, os trens suburbanos voltaram a alcançar a cidade e permaneceram circulando até 1996. A linha conectava diferentes localidades da região metropolitana, com duas extremidades que resumiam sua função diária:
Rio Acima;
Belo Horizonte.
Quem dependia dos trens de passageiros?
O trem era utilizado por moradores de diferentes idades e profissões. Trabalhadores seguiam para a capital, enquanto famílias viajavam para consultas médicas, compras e compromissos que não conseguiam resolver no próprio município. Entre as passageiras também estavam lavadeiras e passadeiras que prestavam serviços em Belo Horizonte:
trabalhadores;
estudantes;
comerciantes;
famílias em busca de atendimento médico.
A ferrovia fazia parte da organização da semana. Para muitas pessoas, o embarque não representava um passeio, mas uma necessidade. A ligação com a Praça da Estação ajudava os passageiros a chegar ao centro da capital sem depender completamente das estradas.


Letreiro turístico, antiga estação ferroviária e locomotiva histórica em Rio Acima, MG - Foto: Igor Souza
A estação movimentava o cotidiano local
O movimento dos trens de passageiros em Rio Acima interferia nos horários do comércio, nos encontros entre moradores e na circulação de produtos. A plataforma era um ponto de chegadas, despedidas e notícias trazidas de Belo Horizonte.
Moradores também levavam mercadorias produzidas na cidade para vender na capital. A ferrovia permitia retornar com compras e itens necessários para o dia a dia, mantendo Rio Acima ligada à vida econômica da região metropolitana muito antes da ampliação do transporte rodoviário.
Por onde o trem seguia até Belo Horizonte?
A ligação suburbana passava por localidades que também cresceram próximas aos trilhos. O serviço conectava Rio Acima a municípios e bairros ferroviários antes de alcançar a região central de Belo Horizonte.
O trajeto mostra que o trem atendia um corredor regional, e não somente dois pontos isolados. Entre as paradas mais lembradas nessa antiga ligação estavam:
Raposos;
Honório Bicalho;
Sabará.
O percurso ainda passava pela região de General Carneiro antes de chegar à capital. Os horários e as paradas sofreram mudanças ao longo dos anos, acompanhando diferentes fases da operação ferroviária.


Locomotiva histórica diante da antiga estação ferroviária de Rio Acima, MG - Foto: Igor Souza
Por que o serviço acabou em 1996?
Os trens suburbanos permaneceram em operação até setembro de 1996. De acordo com a Agência Minas, o encerramento aconteceu no período da privatização ferroviária, quando Rio Acima deixou de integrar o transporte regular de passageiros da Grande BH.
A cidade não recebeu outra ligação ferroviária equivalente para passageiros. A partir daquele momento, os moradores passaram a depender principalmente de ônibus e carros para chegar à capital e aos municípios vizinhos. O fim da linha também interrompeu uma rotina construída durante décadas.
O prédio ferroviário ganhou uma nova função
Mesmo depois da última viagem regular, a estação permaneceu como referência na área central de Rio Acima. Tombado pelo município, o complexo passou a ser chamado de Estação da Cultura e recebeu atividades voltadas à memória e à vida cultural da cidade.
Atualmente, o espaço reúne um centro cultural, a biblioteca pública e a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura. A visita permite observar diferentes vestígios dessa história:
prédio da antiga estação;
área da plataforma;
trilhos;
registros antigos;
lembranças preservadas pelos moradores.
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Ainda vale conhecer a estação de Rio Acima?
Sim, principalmente para quem deseja compreender como os trens suburbanos participaram da formação da Grande BH. A estação pode entrar em uma caminhada pelo centro, acompanhada por duas paradas ligadas à história local:
Igreja Matriz;
construções antigas.
Rio Acima fica a cerca de 34 quilômetros de Belo Horizonte e integra o Caminho do Sabarabuçu, da Estrada Real. Cercada por cachoeiras, nascentes e áreas de serra, a cidade reúne natureza e memória ferroviária, mas a estação permanece como uma das marcas mais diretas do tempo em que o trem fazia parte da vida diária.


Antiga estação ferroviária de Rio Acima, MG, com trilhos preservados ao lado da plataforma - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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