As mesmas ladeiras que hoje encantam turistas foram o motivo oficial de Ouro Preto perder a capital de Minas Gerais
Ladeiras íngremes, igrejas barrocas e um teatro de 1770: conheça o que fazer na cidade que inspirou a construção de Belo Horizonte
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
19/09/2026
As ladeiras de pedra que hoje fazem a fama turística de Ouro Preto já foram, oficialmente, o motivo apontado pelo governo de Minas Gerais para tirar da cidade o posto de capital do estado. No fim do século XIX, o mesmo relevo acidentado que atrai fotógrafos e visitantes de todo o país foi descrito como obstáculo ao crescimento urbano, abrindo caminho para a construção de Belo Horizonte. Passado mais de um século, essa topografia "condenada" pelos engenheiros da República virou justamente o maior patrimônio da antiga capital.
Vila Rica nasceu do ouro e virou capital ainda no início do século XVIII
A ocupação da região começou por volta de 1698, com o Arraial do Padre Faria, fundado por bandeirantes atrás de ouro na Serra do Espinhaço. Em 1711, o povoado foi elevado à condição de vila, com o nome de Vila Rica, e em 1720 se tornou capital da recém-criada Capitania de Minas Gerais. Depois da independência, recebeu o título de Cidade Imperial Ouro Preto, em 1823, e seguiu como capital da província e, depois, do estado até 1897. Alguns marcos resumem essa trajetória:
Ocupação inicial por volta de 1698, no Arraial do Padre Faria;
Elevação a Vila Rica em 1711;
Capital da Capitania de Minas Gerais a partir de 1720;
Título de Cidade Imperial recebido em 1823;
Capital do estado até 1897, quando perdeu o posto para Belo Horizonte.


Vista histórica de Ouro Preto, MG, com casarões coloniais e igrejas entre morros e áreas verdes - Foto: Igor Souza
O relevo acidentado virou o motivo oficial para a mudança de capital
Com a Proclamação da República, em 1889, o governo de Minas Gerais passou a discutir a transferência da capital, e a justificativa oficial recaiu sobre o próprio terreno de Ouro Preto: o relevo montanhoso dificultava o acesso, o transporte de mercadorias e, principalmente, a expansão urbana esperada de uma capital moderna. A lei que oficializou a mudança foi decretada em 17 de dezembro de 1893, dando um prazo de quatro anos para a conclusão do projeto.
A nova capital foi planejada pelo engenheiro Aarão Reis, que desenhou ruas largas, arborizadas e dispostas em ângulo reto, justamente o oposto das ladeiras estreitas e irregulares de Ouro Preto. As obras começaram em março de 1894 e a cidade, batizada inicialmente de Cidade de Minas, foi inaugurada em 1897, recebendo o nome de Belo Horizonte em 1901. Alguns pontos ajudam a entender essa mudança:
Justificativa oficial: relevo montanhoso limitava a expansão urbana de Ouro Preto;
Lei da transferência decretada em 17 de dezembro de 1893;
Novo traçado planejado pelo engenheiro Aarão Reis, com ruas largas e retas;
Obras iniciadas em março de 1894 e concluídas em 1897;
Cidade inaugurada como Cidade de Minas, rebatizada Belo Horizonte em 1901.


Vista histórica de Ouro Preto, MG, com igrejas, casarões coloniais e montanhas ao fundo - Foto: Igor Souza
As mesmas ladeiras condenadas em 1893 hoje sustentam o turismo de Ouro Preto
Sem o peso administrativo de ser capital, Ouro Preto manteve praticamente intacto o traçado colonial que havia sido apontado como limitação. Em 1933, tornou-se o primeiro monumento nacional tombado do Brasil, e em 5 de setembro de 1980 foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, a primeira cidade brasileira a receber o título. Hoje a cidade soma 74.824 habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2022, e fica a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte, viagem de aproximadamente uma hora e meia pela BR-356. Alguns números resumem esse reconhecimento:
Primeiro monumento nacional tombado do Brasil, em 1933;
Título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 5 de setembro de 1980;
Primeira cidade brasileira a receber esse título da Unesco;
População de 74.824 habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2022;
Cerca de 100 km de Belo Horizonte, por volta de 1h30 de carro pela BR-356.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
O que visitar nas ladeiras que hoje encantam turistas
O roteiro histórico de Ouro Preto passa justamente pelas ladeiras que motivaram sua perda de status: a Igreja de São Francisco de Assis, com fachada esculpida em pedra-sabão por Aleijadinho e teto pintado por Mestre Ataíde, é considerada uma das obras-primas do barroco mineiro. Na Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência ocupa o antigo prédio da administração colonial e guarda o Panteão dos Inconfidentes. Outro destaque é o Teatro Municipal, inaugurado em 1770 e apontado como o teatro mais antigo em funcionamento das Américas. Alguns pontos resumem esse roteiro:
Igreja de São Francisco de Assis, com obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde;
Museu da Inconfidência e o Panteão dos Inconfidentes, na Praça Tiradentes;
Teatro Municipal, inaugurado em 1770, o mais antigo em funcionamento das Américas;
Ladeiras e casario colonial preservados desde a época em que a cidade era capital.


Casarões coloniais de Ouro Preto, MG, com fachadas históricas e telhados de barro em rua de pedra - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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