Às margens da rodovia Fernão Dias, Perdões guarda um pequeno centro histórico com imóveis preservados desde o século 18

Uma capela de 1770, uma matriz barroca e casarões dos séculos 18 e 19 ficam perto de uma das rodovias mais movimentadas do país. Vale reservar uma parada

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
05/11/2026

Quem viaja pela Fernão Dias entre Belo Horizonte e São Paulo passa por Perdões em poucos minutos, quase sempre sem parar. É uma pena. Perto da rodovia, a cidade de cerca de 22 mil habitantes mantém uma capela de 1770, uma matriz barroca e um conjunto de casarões que ajudam a contar a história do Sul de Minas.

Onde fica Perdões e como chegar?

A cidade está às margens da BR-381, a rodovia Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo. É vizinha de Lavras e funciona como ponto de parada natural para quem faz o trajeto entre as duas capitais.

Para localizar Perdões no mapa e planejar a parada, três referências ajudam:

  • fica no km 677 da BR-381;

  • está a cerca de 211 km de Belo Horizonte;

  • ocupa a transição entre o Campo das Vertentes e o Sul de Minas.

De onde vem o nome Perdões?

A origem está numa história contada há gerações. O minerador português Romão Fagundes do Amaral teria mantido garimpos clandestinos na região e sonegado impostos à Coroa, o que o transformou em fugitivo.

Segundo a tradição local, ele pediu perdão à rainha dona Maria I, ofereceu um cacho de bananas de ouro e prometeu trazer de Portugal uma imagem do Senhor Bom Jesus. Perdoado, recebeu o posto de alferes, cumpriu a promessa e a palavra perdões acabou incorporada ao nome do arraial.

A cidade nasceu ao redor de uma capela de 1770

Por volta de 1770, Romão Fagundes ergueu uma pequena capela dedicada ao Senhor Bom Jesus, construída em grande parte por escravizados. Quando a matriz ficou pronta, o templo passou a ser dedicado a Nossa Senhora do Rosário, nome que mantém até hoje.

A igreja fica na Praça José Modesto Sobrinho, num ponto alto visível de vários lugares da cidade. Alguns detalhes ajudam a entender sua importância:

  • foi construída em estilo jesuítico;

  • teve uma torre, que não existe mais;

  • serviu como primeiro cemitério da paróquia;

  • é tombada pelo patrimônio municipal.

O que ver na Praça Dr. Zoroastro Alvarenga?

A praça principal concentra o trecho mais preservado do centro histórico. É ali que fica a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Perdões, construída em 1870, em estilo barroco com decoração rococó.

No altar-mor está a imagem do Senhor Bom Jesus, ligada à origem da cidade. Ao redor da igreja, o conjunto tem dois elementos que merecem atenção:

  • casas térreas e casarões dos séculos 18 e 19;

  • um coreto eclético do século 20.

Como a matriz recuperou o aspecto original?

Ao longo do século 20, a igreja passou por reformas que alteraram sua arquitetura e sua ornamentação. Muitos elementos foram retirados ou mudados de lugar.

Em 1992, o padre Miguel Ângelo Freitas Ribeiro, hoje bispo da Diocese de Oliveira, iniciou a recomposição do interior. O trabalho devolveu ao lugar original peças como:

  • altares e retábulos;

  • balaústres;

  • talhas em estilo rococó.

Casarões coloniais coloridos em rua de pedra no centro histórico de Perdões, MG
Casarões coloniais coloridos em rua de pedra no centro histórico de Perdões, MG

Casarões coloniais coloridos em rua de pedra no centro histórico de Perdões, MG - Foto: Igor Souza

Casarões históricos azul e amarelo com janelas coloniais em rua de pedra de Perdões, MG
Casarões históricos azul e amarelo com janelas coloniais em rua de pedra de Perdões, MG

Casarões históricos azul e amarelo com janelas coloniais em rua de pedra de Perdões, MG - Foto: Igor Souza

Prédios do início do século 20 completam o conjunto

Nem todo o patrimônio de Perdões é colonial. Entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século 20, a cidade ganhou prédios públicos que hoje dividem a paisagem com os casarões mais antigos.

Alguns ganharam novos usos, e todos podem ser vistos numa caminhada pelo centro:

  • 1898: chafariz e primeira caixa d’água, na atual Praça do Rosário;

  • 1910: Escola Municipal Otaviano Alvarenga, em estilo neoclássico;

  • 1918: antigo Fórum e Cadeia, hoje Museu Municipal Joaquim de Bastos Bandeira;

  • 1921: fundação da Santa Casa de Perdões;

  • 1927: Casa Paroquial, em estilo eclético.

Quando Perdões se tornou cidade?

O povoado formado ao redor da capela foi chamado primeiro de Arraial de Bom Jesus e, depois, de Arraial do Senhor Bom Jesus dos Perdões. Em 1885, virou freguesia e vila, já com o nome de Perdões.

A emancipação como cidade veio em 1º de junho de 1912. Com o tempo, Perdões ganhou na região o apelido de Cidade da Amizade, por causa da forma como os moradores recebem os visitantes.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Vale parar em Perdões durante a viagem?

Para quem está na estrada, o centro histórico rende uma parada curta, de uma ou duas horas. A caminhada entre a Igreja do Rosário e a matriz é rápida e permite ver os principais imóveis.

Quem tiver mais tempo pode esticar até a Represa do Funil, no Rio Grande, entre Perdões e Lavras. O lago é um dos principais atrativos naturais da cidade e oferece:

  • pesca;

  • passeios de barco e lancha;

  • moto aquática;

  • áreas de lazer à beira d’água.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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